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“Vão aparecer mais unicórnios em Portugal”

“Vão aparecer mais unicórnios em Portugal”

Nasser Sattar, head of advisory da KPMG Portugal, acredita que as startups nacionais são capazes de competir com as melhores e faz um balanço do Global Tech Innovator, a iniciativa que procura encontrar o futuro líder da inovação tecnológica, e registou cerca de 110 candidaturas

João Queiroz

Portugal está bem colocado no ecossistema mundial de empreendedorismo, diz em entrevista ao Expresso Nasser Sattar. Para o head of advisory da KPMG Portugal, “a qualidade, a inovação e a criatividade nacionais estão ao nível dos restantes países”, pelo que acredita que, no futuro, vamos assistir ao aparecimento mais unicórnios portugueses, “eventualmente, no Global Tech Innovator”.

Trata-se de uma competição organizada pela KPMG - a que o Expresso se associa -, e que se propõe descobrir e divulgar as mais inovadoras, disruptivas e promissoras startups tecnológicas, numa primeira fase a nível nacional e posteriormente a nível mundial. A grande final da segunda edição está agendada para amanhã, durante o segundo dia da Web Summit, em Lisboa, onde 22 candidatos participarão num pitch de cerca de cinco minutos para expor os seus produtos ou serviços, as suas metas e ambições, e tentar conquistar o painel de cinco jurados.

A defender as cores portuguesas estará a Musiveral, “um projetor inovador, disruptivo, que vai alterar radicalmente o status quo da indústria da música”, e que, na opinião de Nasser Sattar, pode sonhar com a vitória neste concurso que tem a sua génese no Best British Tech Pioneer, iniciativa promovida pela KPMG Reino Unido, e da qual saíram vencedoras empresas como a Revolut e a Babylon.

Que análise faz deste lote de 22 finalistas que foram apresentados pelo Expresso ao longo das últimas semanas? Que projetos mais lhe despertaram atenção?

Com o sucesso que tem tido, este concurso tornou-se emblemático em vários países, o que significa que em termos de atracão, e de participação ativa, houve muito mais adesão do que no ano anterior. Este facto significa que os finalistas passaram por um maior escrutínio em termos de qualidade dos participantes na competição e, portanto, só chegam à final por mérito próprio as startups mais preparadas. Estas empresas são das melhores no mercado na sua área de atuação e intervêm em áreas em que trazem a inovação, a disrupção, desafiam o status quo dos vários legacy players e têm uma tendência para serem green. Independentemente do sector, o que vejo de mais relevante nestas startups é a sua capacidade de poderem alterar o modelo de negócio muito rapidamente. E, portanto, estou curioso para saber quem vai, este ano, conseguir ganhar, mas gostei muito da representante de Portugal pela sua visão, inovação, disrupção e modelo de negócio.

Relativamente à representante portuguesa escolhida, que razões estiveram na base da decisão do júri em atribuir o primeiro lugar à Musiversal?

Nós seguimos um conjunto de critérios, que englobam a capacidade de demonstrar inovação, de disrupção, customer experience, o potencial de mercado e a capacidade de mudar o modus operandi. Estes critérios são aqueles que nós utilizamos como base. E depois há obviamente a qualidade da apresentação. Após cada apresentação dos concorrentes, o júri teve boas e longas discussões e considerou que este candidato apresentava as melhores condições de ser o vencedor. Creio que Portugal apresenta um grande candidato e tenho a esperança que vai ter um bom desempenho. Ainda assim, não queria deixar de salientar a qualidade das restantes propostas e as excelentes apresentações efetuadas pelos restantes finalistas.

Considera que a Musiversal tem possibilidades de sair vencedora desta final?

A Musiversal vai estar na final com excelentes candidatos internacionais em sectores relevantes. É um projeto inovador, disruptivo, que vai alterar radicalmente o status quo da indústria da música e possui enorme potencial para atrair subscritores. Estou confiante que a Musiversal, com a sua originalidade, pode ganhar a grande final internacional.

“Os portugueses são muito disruptivos, criativos, inovadores, tecnicamente muito bons e têm muita vontade de fazer coisas novas

O potencial e o empreendedorismo nacional rivalizam bem a este nível com os restantes países?

Absolutamente. A qualidade, a inovação e a criatividade nacional estão ao nível dos restantes países. Aliás, como vimos o ano passado com a nossa vencedora nacional, a Defined Crowd, e com a variedade de participantes que tivemos este ano. Adicionalmente, pela nossa dimensão e historicamente, nós estamos bem colocados. Já produzimos unicórnios, como por exemplo a Farfetch, a Outsystems, entre outros. E acredito que irão aparecer mais unicórnios no nosso país e, eventualmente, através do GTI.

Quais são as mais-valias para as startups em concurso?

A principal mais-valia é a visibilidade e a exposição que terão, naquele que é o maior evento de tecnologia da Europa. Terão muitas oportunidades de fazer networking e de expor o seu negócio. Em alguns momentos, presencialmente (na final global e no jantar da Web Summit nacional onde estarão presentes potenciais investidores e clientes) mas também nos formatos digitais.

Que balanço se pode fazer destes dois anos do GTI em Portugal?

O balanço é muito positivo. Os portugueses são muito disruptivos, criativos, inovadores, tecnicamente muito bons e têm muita vontade de fazer coisas novas. O GTI criou uma excelente oportunidade de networking do ecossistema de startups.

“O que vejo de mais relevante nestas startups é a sua capacidade de poderem alterar o modelo de negócio muito rapidamente”

Qual é a relevância para a KPMG de promover a busca de projetos inovadores com esta iniciativa?

A KPMG orgulha-se de ser parceiro destas startups e aplica o seu know-how ao serviço destas empresas. Os fundadores têm ideias inovadoras e soluções disruptivas, mas precisam de apoio em áreas financeiras. A KPMG colabora nestas vertentes, nomeadamente, na preparação do plano de negócio, levantamento de capital e de dívida e também faz mentoring.

A ligação à Web Summit foi algo natural desde o início, é quase umbilical…

Sim, tudo começou numa `garagem` em Dublin, há vários anos. Desde o primeiro dia que somos parceiros do Web Summit e tem sido uma jornada muito rica, de franca aprendizagem e de partilha de know-how.

Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail: clubeexpresso@expresso.impresa.pt

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