Projetos Expresso

Os candidatos a próximo unicórnio mundial #2

12 outubro 2022 9:25

João Queiroz

Cureety é uma plataforma que permite monitorizar remotamente os doentes oncológicos

Em Espanha, Israel, México, Japão e África do Sul estão cinco dos 22 candidatos à vitória na segunda edição do Global Tech Innovator, iniciativa lançada pela KPMG - à qual o Expresso se associa - que procura, descobre e promove as mais inovadores startups tecnológicas

12 outubro 2022 9:25

João Queiroz

Hoje damos a volta ao mundo. Passamos por quatro continentes para conhecer as mais inovadoras e promissoras startups tecnológicas. Arrancamos em Espanha para descobrir como a telemedicina luta contra o cancro; depois vamos a Israel perceber como os seguros se estão a adaptar à economia digital. Passamos pela África do Sul, onde se procura combater o crime de roubo de identidade; e pelo México para conhecer uma fintech que promove a saúde financeira dos trabalhadores latino-americanos. Terminamos no Japão, onde se desenvolve uma nova categoria de medicamentos destinada a doentes com patologias de difícil tratamento.

São cinco dos 22 países representados no Global Tech Innovator 2022, iniciativa da KPMG, a que o Expresso se associa, e que se propõe divulgar os novos avanços da tecnologia que transformam negócios e revolucionam diversos sectores. O vencedor é conhecido na Web Summit, a 2 de novembro, dia em que os candidatos terão a oportunidade de apresentar os projetos e de tentar conquistar a admiração do júri para levar o galardão para casa.

Há uma semana contamos a história dos representantes da Alemanha, Colômbia, Dinamarca, Estados Unidos e Países Baixos.

Cureety: telemedicina anticancro

Cureety é uma plataforma que permite monitorizar remotamente os doentes oncológicos

Cureety é uma plataforma que permite monitorizar remotamente os doentes oncológicos

É uma plataforma digital que ambiciona ser líder na telemonitorização dos doentes oncológicos. Nasceu nos escritórios da Cureety, em Barcelona, com uma tripla missão: “Melhorar a continuidade dos cuidados e a qualidade de vida destes doentes, inovar digitalmente na organização dos cuidados hospitalares apoiando os profissionais de saúde e, finalmente, contribuir para o progresso da investigação biomédica através da recolha de dados reais para melhor compreender a vida dos doentes crónicos”, descreve Pau Garcia, responsável de parcerias desta startup espanhola fundada em 2020.

Trata-se de um projeto dirigido a doentes oncológicos, independentemente do tumor e do tratamento: “Através de uma interface única, os doentes que não necessitam de hospitalização podem beneficiar de uma plataforma que permite a sua monitorização remota e lhes oferece a possibilidade de reportar ao médico o seu estado de saúde, permitindo-lhe avaliar os sinais e sintomas de que padece”, afirma.

“Através de uma interface única, os doentes que não necessitam de hospitalização podem beneficiar de uma plataforma que permite a sua monitorização remota”, sintetiza Pau Garcia

Segundo as autoridades europeias, quatro milhões de pessoas foram diagnosticadas com cancro em 2020. No entanto, lembra Pau Garcia, “o desenvolvimento de novos tratamentos e tecnologias médicas inovadoras para a abordagem multidisciplinar da doença traduziu-se num aumento da sobrevivência global ao cancro e da qualidade de vida dos doentes.” Foi “alcançado um certo grau de cronificação em algumas das patologias oncológicas, o que consequentemente aumentou tanto o número de doentes como a complexidade na sua gestão. Isto levou à necessidade de ferramentas que permitam melhorar a comunicação entre o paciente e o profissional de saúde e uma melhor gestão do paciente são uma necessidade real das equipas médicas”, acrescenta.

4

milhões de pessoas foram diagnosticadas com cancro na Europa, em 2020

Connected Insurance: seguros na era digital

Dois dos três co-fundadores da start-up israelita: Yaron Zurr (à esquerda) e Tal Cohen (à direita)

Dois dos três co-fundadores da start-up israelita: Yaron Zurr (à esquerda) e Tal Cohen (à direita)

A Economia Digital tem crescido à medida que as tecnologias permitem o acesso a bens a curto prazo a qualquer pessoa, mas encontra nos custos das apólices de seguro uma das grandes barreiras: “As que existem são caras, uma vez que derivam de modelos de risco estáticos e que não se adequam ao fim a que se destinam”, começa por explicar Yaron Zurr, um dos co-fundadores da Connected Insurrance.

Nesse sentido, a startup israelita desenvolveu modelos de risco alimentados por Inteligência Artificial, que permitem coberturas de seguro à medida, que se adaptam à Economia Digital e a estas novas formas de consumo. “O mundo está a mudar do conceito de propriedade para o de aluguer ou partilha em várias dimensões do nosso quotidiano. É o caso do transporte (de que é exemplo Uber), da habitação (caso do AirBnB) ou das entregas de comida e outros produtos ao domicílio”, observa, lembrando que “ocorrem milhares de milhões de transações em plataformas e mercados digitais: partilha de casas, carros, viagens e aluguer de scooters”.

A tecnologia da Connected Insurrance permitirá uma verdadeira cobertura ay-as-you-use, pay-how-you-use para plataformas digitais, “tornando os seguros, acessíveis, transparentes e inteligentes”. “A longo prazo, o nosso objetivo é cuidar realmente dos consumidores. Investiríamos mais em permitir ofertas de seguros contextuais que as plataformas digitais podem oferecer à sua grande base de clientes como serviços de valor acrescentado, bem como pedir seguros como um canal de monetização”, aponta Yaron Zurr, convicto de que a Connected Insurance “está a mudar o futuro dos seguros, de modo a acomodar a nova era digital”.

“Estamos a mudar o futuro dos seguros, de modo a acomodar a nova era digital”, garante Yaron Zurr

IiDENTIFii: contra a fraude de identidade

Startup sul-africana desenvolveu uma plataforma de autentificação digital biométrica facial

Startup sul-africana desenvolveu uma plataforma de autentificação digital biométrica facial

filadendron

“Cerca de 40% dos consumidores a nível mundial já foram vítimas de sindicatos de roubo de identidade pelo menos uma vez, o que resulta em perdas paras as empresas”, revela Lance Fanaroff, co-fundador da iiDENTIFii. startup sul-africana que desenvolveu uma plataforma de autenticação digital biométrica facial de nível empresarial e de autenticação automática para proteger as empresas e as pessoas contra fraudes relacionadas com a identidade.

“Verificamos a identidade digital de um indivíduo e autenticamos a sua presença física num mundo online. A nossa tecnologia cumpre os requisitos legislativos de governação e liga-se perfeitamente às infraestruturas existentes, incluindo plataformas móveis e baseadas na web”, esclarece o responsável da empresa, que reivindica terem sido pioneiros na triangulação da biometria facial (entre a biometria facial da selfie, a da imagem no respetivo documento de identidade e a biometria facial armazenada no Departamento de Assuntos Internos da África do Sul).

“O roubo de identidade é um dos crimes que mais cresce no mundo: os especialistas acreditam que a identidade de alguém é roubada, algures no mundo, de dois em dois segundos”, observa Lance Fanaroff

O objetivo da iiDENTIFii é terminar com a fraude de identidade, permitir a inclusão financeira e proteger as empresas e os seus clientes do trauma financeiro e emocional causado por este crime. “O roubo de identidade é um dos crimes que mais cresce no mundo: os especialistas acreditam que a identidade de alguém é roubada, algures no mundo, de dois em dois segundos. Queremos criar um mundo mais seguro onde todos, em todo o lado e em qualquer dispositivo, tenham um rosto e um nome autenticados. Queremos que a nossa tecnologia ajude na luta contra o tráfico de pessoas e que as pessoas com um perfil nas redes sociais também sejam autenticadas. Toda a gente deve ter um duplo selo que confirme a sua identidade física num mundo digital”, alerta Lance Fanaroff.

40%

dos consumidores a nível mundial têm sido vítimas de roubo de identidade pelo menos uma vez

minu: Inovar para educar (e poupar)

No México, 75% dos trabalhadores vivem de salário em salário e não conseguem acumular poupanças. Presos nesse ciclo vicioso, 71% estão habitualmente stressados ​​com as finanças, ansiando pelo dia do pagamento. 33% contraem regularmente um empréstimo para cobrir as despesas recorrentes, 73 % já solicitaram um empréstimo a bancos ou familiares.

“Queremos fazer evoluir a forma como as empresas compensam os empregados e asseguram o seu bem-estar, através de benefícios flexíveis que sejam atraentes”, refere Héctor Campos

A minu foi criada com a missão de resolver o problema da falta de liquidez que todos os meses enfrentam milhões de latino-americanos. “Trata-se de uma plataforma digital all-in-one de remuneração e regalias por meio da qual as empresas oferecem a seus funcionários uma ampla gama de vantagens que eles podem aceder por meio de uma app, com o objetivo de melhorar a sua saúde financeira”, explica Héctor Campos, Head of Financial Education da minu, startup sedeada na Cidade do México.

As empresas podem oferecer aos funcionários um conjunto de vantagens, como o salário a pedido, que é o acesso ao seu salário correspondente ao trabalho já realizado, além de um fundo de poupança e empréstimo, seguro de saúde, telemedicina, programas de exercício e meditação. “Queremos fazer evoluir a forma como as empresas compensam os empregados e asseguram o seu bem-estar, através de benefícios flexíveis que sejam atraentes para todas as fases da vida dos trabalhadores e com impacto social, recompensando os seus bons hábitos através de doações a várias causas sociais”, assume.

75%

dos mexicanos não são capazes de acumular poupanças

FIMECS: ajudar a salvar vidas

A fundadora da FIMECS, Kanae Gamo, e o CEO, Yusuke Tominari

A fundadora da FIMECS, Kanae Gamo, e o CEO, Yusuke Tominari

Em Fujisawa, cidade da província japonesa de Kanagawa, a FIMECS está a desenvolver uma nova categoria de medicamentos baseados em tecnologia biotecnológica de degradação de proteínas, focada no crescimento de terapêuticas para cancros e outras patologias de difícil tratamento.

O corpo humano compreende pelo menos 18 097 proteínas. 1500 das quais estão relacionadas com certas doenças, ainda que só 300 proteínas sejam vistas como alvos para medicamentos pela descoberta de pequenas moléculas, sendo que todas as outras são consideradas não adaptadas a medicamentos. “A nossa empresa tornou-se capaz de desenvolver candidatos a medicamentos pela indução de degradação de proteínas relevantes para certas doenças. A plataforma de descoberta de degradadores de proteínas vai ajudar a proporcionar medicamentos para doentes em todo o mundo”, revela Kanae Gamo, fundadora da startup fundada em 2018.

“A plataforma de descoberta de degradadores vai ajudar a proporcionar medicamentos para doentes de todo o mundo”, adianta Kanae Gamo

A investigadora explica ainda que a FIMECS tem como cliente final os doentes com problemas causados por proteínas não medicamentáveis e como clientes diretos as empresas farmacêuticas de todo o mundo.

18 097

é o número proteínas que o corpo compreende. 1500 estão relacionadas com certas doenças, apenas 300 são vistas como alvos para medicamentos