50 Anos, 50 Restaurantes

1997: Na Mealhada, o Rei dos Leitões celebra 50 anos e assume destaque no mapa gastronómico nacional

12 janeiro 2023 12:02

Fachada do restaurante Rei dos Leitões, na Mealhada

Todos os anos entram nos fornos deste restaurante na Mealhada cerca de oito mil leitões. De assadura lenta e precisa, este emblema gastronómico da Bairrada conseguiu juntar à mesa os principais emblemas do futebol português, mas também políticos de todos os quadrantes. Em 1997, o Rei dos Leitões, hoje uma referência reconhecida em todo o país e até além-fronteiras, celebrou 50 anos de serviço e iniciou o caminho até à Platina, conquistada em 2021 e renovada no ano seguinte. Todas as semanas, para comemorar os 50 anos do Expresso, fazemos uma viagem no tempo, com apoio do Recheio, para relembrar 50 restaurantes que marcaram as últimas décadas em Portugal.

12 janeiro 2023 12:02

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Entrada do restaurante na Mealhada
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Entrada do restaurante na Mealhada

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Fachada do restaurante Rei dos Leitões, na Mealhada
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Fachada do restaurante Rei dos Leitões, na Mealhada

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Foto antiga do Rei dos Leitões
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Foto antiga do Rei dos Leitões

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Imagem dos fundadores do restaurante Rei dos Leitões
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Imagem dos fundadores do restaurante Rei dos Leitões

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Fornos assam cerca de 8 mil leitões por ano
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Fornos assam cerca de 8 mil leitões por ano

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Rei dos Leitões em 1947, o ano em que se assou o primeiro leitão
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Rei dos Leitões em 1947, o ano em que se assou o primeiro leitão

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O restaurante em 1963
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O restaurante em 1963

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Leitão continua a ser o produto estrela do restaurante
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Leitão continua a ser o produto estrela do restaurante

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Licínia Ferreira e António Paulo Rodrigue os atuais responsáveis pelo restaurante
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Licínia Ferreira e António Paulo Rodrigue os atuais responsáveis pelo restaurante

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Maria e Aníbal Cavaco Silva no Rei do Leitões
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Maria e Aníbal Cavaco Silva no Rei do Leitões

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O Primeiro-ministro António Costa também é cliente do Rei dos Leitões
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O Primeiro-ministro António Costa também é cliente do Rei dos Leitões

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Diferentes ambientes para fazer a refeição
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Diferentes ambientes para fazer a refeição

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António Paulo Rodrigues e Anthony Bourdain
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António Paulo Rodrigues e Anthony Bourdain

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Assadores sempre com muito trabalho
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Assadores sempre com muito trabalho

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A coleção de porcos conta já com mais de 1500 peças
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A coleção de porcos conta já com mais de 1500 peças

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Distinções visiveis na Adega do Rei
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Distinções visiveis na Adega do Rei

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Nova garrafeira à vista
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Nova garrafeira à vista

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O Papa Francisco enviou terços benzidos para a equipa do restaurante e uma nota: "Un cordial saludo"
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O Papa Francisco enviou terços benzidos para a equipa do restaurante e uma nota: "Un cordial saludo"

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Rei dos Leitões nos momentos cruciais de Sérgio Conceição e do Futebol Clube do Porto
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Rei dos Leitões nos momentos cruciais de Sérgio Conceição e do Futebol Clube do Porto

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Restaurante Rei dos Leitões na Mealhada
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Restaurante Rei dos Leitões na Mealhada

a lei do vinho

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Licínia Ferreira e Francisco Pinto Balsemão na cerimónia de entrega de prémios do Guia Boa Cama Boa Mesa
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Licínia Ferreira e Francisco Pinto Balsemão na cerimónia de entrega de prémios do Guia Boa Cama Boa Mesa

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O restaurante tem uma ementa diversificada
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O restaurante tem uma ementa diversificada

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Francisco Pinto Balsemão e Sérgio Conceição no Rei dos Leitões
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Francisco Pinto Balsemão e Sérgio Conceição no Rei dos Leitões

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A razão maior para as romarias diárias...
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A razão maior para as romarias diárias...

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Jorge Jesus e António Paulo Rodrigues
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Jorge Jesus e António Paulo Rodrigues

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As boas-vindas: Manteiga trufada em forma de porco
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As boas-vindas: Manteiga trufada em forma de porco

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Lídia Ribeiro com o famoso Morgado do Buçaco
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Lídia Ribeiro com o famoso Morgado do Buçaco

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Restaurante Rei dos Leitões
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Restaurante Rei dos Leitões

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O restaurante acumula prémios do Guia Boa Cama Boa Mesa
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O restaurante acumula prémios do Guia Boa Cama Boa Mesa

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O Rei dos Leitões é Garfo de Platina nos guias Boa Cama Boa Mesa 2021 e 2022
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O Rei dos Leitões é Garfo de Platina nos guias Boa Cama Boa Mesa 2021 e 2022

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Tony Martins é o novo chef do Rei dos Leitões
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Tony Martins é o novo chef do Rei dos Leitões

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Salas do restaurante
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Salas do restaurante

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Rui Costa no Rei dos Leitões
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Rui Costa no Rei dos Leitões

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Restaurante Rei dos Leitões
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Restaurante Rei dos Leitões

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O sommelier Carlos Marques
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O sommelier Carlos Marques

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Esquerda para a direita: Carlos Campolargo, Carlos Ferreira, Dora Silva e João Carlos Ramos
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Esquerda para a direita: Carlos Campolargo, Carlos Ferreira, Dora Silva e João Carlos Ramos

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Restaurante Rei dos Leitões
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Restaurante Rei dos Leitões

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Rui Nabeiro e Licínia Ferreira
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Rui Nabeiro e Licínia Ferreira

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As emblemáticas 4 L da equipa de entregas
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As emblemáticas 4 L da equipa de entregas

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Rei dos Leitões
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Rei dos Leitões

São frescos e pesam cerca de 4 kg depois da confeção. Entram em fornos de tijolo refratário, aquecidos a cerca de 350 graus com a queima de lenha vinda da poda das videiras, e assam durante duas horas. Com o choque térmico, a pele fica crocante e o animal vai sendo rodado até ao ponto perfeito da cora e da carne. No interior leva um molho feito com banha de porco, pimenta, sal e alhos, que lhe dá ainda mais sabor. Com os miúdos faz-se cabidela, que assa debaixo das peças. Todos os anos servem-se cerca de oito mil leitões no Rei dos Leitões, na Mealhada. A assadura não tem segredos para Nuno e Alexandre, cujo saber empírico garante a qualidade do repasto. “É preciso estar atento, tomar conta do leitão e ter o máximo de cuidado. Às vezes o forno está um pouco quente demais, outras está mais frio. Temos de ir rodando o leitão para ganhar cor, depois é deixá-lo assar”, explica Nuno Almeida.

Leitão continua a ser o produto estrela do restaurante

Leitão continua a ser o produto estrela do restaurante

Originalmente, este “ponta de lança” gastronómico servia-se com castanhas. Mais tarde, passa a acompanhar com batata cozida e, depois com batata frita, ou um misto das duas para dosear a gordura. Complementa com salada e laranja. Hoje em dia, o leitão atrai meio mundo à Bairrada, e ao Rei dos Leitões, em particular. A construção da A1 facilitou a viagem: “A Mealhada beneficiou muito. O cliente do Porto vem almoçar com a maior das facilidades e também vêm de Lisboa só para almoçar”, conta Licínia Ferreira, proprietária do Rei dos Leitões. E é “fácil gostar” da proteína: “A larguíssima maioria das pessoas gosta de leitão. Continua a ser um produto premium e a Bairrada é a Meca do leitão. Há restaurantes de leitão de Bragança a Faro, exatamente por ser muito consensual, mas dizem que não há como vir à Bairrada, é diferente. É como comer peixe à beira-mar ou cabrito na serra. Os pilares são o trabalho, a dedicação e a honestidade”, comenta António Paulo Rodrigues, o anfitrião e gerente da casa.

Restaurante Rei dos Leitões

Restaurante Rei dos Leitões

Harmonize o leitão com um espumante da Bairrada. Além de “cortar” a gordura, o espumante vai “limpar o palato” e a frescura “dá sempre vontade de comer e beber um pouco mais”, refere o sommelier Carlos Marques, que pode escolher entre 150 espumantes disponíveis a nível nacional. Este casamento “é praticamente perfeito, uma coisa complementa a outra e, juntos, formam uma dupla imbatível”, comenta António Paulo Rodrigues. Na carta de vinhos constam mais de 3500 referências, metade da Bairrada. A nova garrafeira reúne condições ideais de humidade e temperatura para correta guarda dos vinhos.

Licínia Ferreira e António Paulo Rodrigue os atuais responsáveis pelo restaurante

Licínia Ferreira e António Paulo Rodrigue os atuais responsáveis pelo restaurante

Clientes rendidos à qualidade
A oferta vínica do Rei dos Leitões é um atrativo para um grupo que encontramos à mesa. Carlos Campolargo, da Adega Campolargo, almoça com amigos ligados aos vinhos e à restauração no Quebeque. Sendo este um restaurante “de um produto emblemático, e na Bairrada, é fundamental que ofereça uma boa garrafeira da Bairrada, e eles têm isso”, reconhece o produtor de Anadia. Um dos convivas, João Carlos Ramos, diz que “para quem está no negócio dos vinhos, é uma excelente montra”. Oferece “uma garrafeira alargada, ao gosto de toda a gente e que não limitada a esta região”. Carlos Ferreira, que importa alguns vinhos e produz outros com a Campolargo, defende que, antes de tudo, o Rei dos Leitões “tem uma alma” própria. “Portugal tem dessas coisas, produtos e gastronomia específicos, pelos quais se percorrem, se for preciso, 150 km para ir comer. A Bairrada é o santuário do leitão, criou-se um savoir faire, uma forma de trabalhar este produto e a gastronomia é fantástica”, acrescenta. “Vens a Portugal e não vens ao Rei dos Leitões? É um destino onde tens de parar e comer, está cada vez melhor. Vir aqui é um gosto, faz parte da tradição”, sublinha Dora Silva, satisfeita com o leitão “suculento e estaladiço” que saboreou. Para Carlos Campolargo, o que gera a constante romaria que se vê por aqui, mais do que o produto, “é a região”.

Rei dos Leitões em 1947, o ano em que se assou o primeiro leitão

Rei dos Leitões em 1947, o ano em que se assou o primeiro leitão

A caminho das Feiras Novas de Ponte de Lima, Nuno Maia e Jorge Gonçalves cumprem um velho hábito, parando para descansar e repor energia à mesa. Elegem muitas vezes a Bairrada porque “a qualidade do que se come é muito boa”, e não apenas a do leitão... O Rei “acaba por se diferenciar, também, pelos pratos que tem além do leitão”, como o que Nuno escolheu hoje, um Filete de peixe galo e arroz de bivalves (€32). Não o convence tanto “a estética” do espaço, mas afirma que vem pela comida, que “o serviço é excelente e a garrafeira de exceção”. Em estreia no Rei, Jorge destaca o serviço “fantástico e distinto, a simpatia das pessoas, o profissionalismo”. “Comparativamente com outros sítios, nota-se bem a diferença. Depois é a apresentação da comida, a qualidade dos produtos e o facto de a carta de vinhos ser uma bíblia. Este restaurante não ficou agarrado à ideia de a localização e o prato principal lhe garantirem casa feita. Desafia-se a si próprio e não se cinge ao leitão. Tem outros pratos extremamente bem confecionados”, nota. Aos poucos, a cozinha vai “educando” o cliente dando-lhe a provar outros sabores e versões diferentes de pratos., como sucedeu com o Filete de imperador com gnocchis de abóbora, parmesão e micro vegetais (€42). Para a cozinha acaba de entrar o chef Tony Martins, juntamente com uma nova equipa.

Nova garrafeira à vista

Nova garrafeira à vista

Ao restaurante chegam dos melhores produtos do país. Gorazes, Salmonetes, Carabineiros do Algarve, Lavagantes e Lagostas expostos no aquário, carnes maturadas e de “elite mundial”, cortes de carnes premium (Mirandesa, Minhota, Roxa d'Ouro, Kobe...)... A oferta é vasta, alicerçada em visitas às produções e na busca de “produtos diferenciados, da melhor qualidade”. Assim se diversifica o menu e “dá mundo” ao cliente, para cada visita ser uma descoberta. Pratos como o Bacalhau (serve na brasa ou no forno), entre outras especialidades de carne, sempre se serviram no Rei. Prove a manteiga trufada em forma de suíno, a broa de frutos secos, molhe o pão regional nos azeites e explore o menu, com destaque para os Ovos rotos trufados, shitake e parmesão (€25), a Sapateira recheada (€30), as Isquinhas de fígado fritas de cebolada (€13), as Amêijoas à Bulhão Pato (€30), o inevitável Leitão à Bairrada (desde €22 a dose de 300 g com guarnição), o Peixe ao sal, o Camarão Tigre (€140/ Kg), o Arroz do Mondego e gambas, os Rojões à Bairrada (€19) e os vários bifes.

Nos doces, o ex-líbris é o Morgado do Buçaco (€6), em camadas de claras de ovo, noz e mel, recheado com doce de ovos, polvilhado com açúcar em pó e noz. Esta sobremesa reaviva uma receita centenária que se crê ter sido trazida por um casal de alemães que “veio explorar os palácios da Curia e do Bussaco”. “Criaram o Morgado para os jantares mais glamorosos. Não temos a certeza que seja este formato, mas em termos de sabor, é esse”, explica Lídia Ribeiro. A chef de pastelaria concentra-se a colocar kumquat, um citrino “que as pessoas não estão habituadas a ver”, numa outonal Tarte de abóbora com crumble de amêndoa e creme de laranja. Além dos clássicos, onde incluem o Leite-creme (€4) e o Arroz doce (€4), tenta surpreender com derivas originais e criativas, já que os doces que são “a última imagem” com que se fica.

Fornos assam cerca de 8 mil leitões por ano

Fornos assam cerca de 8 mil leitões por ano

História que atravessa gerações
Na década de 30 do século XX, funcionava neste local uma pequena taberna, com um corredor e um balcão. Servia copos de vinho e, possivelmente, petiscos como torresmos e chouriço. Era gerida pelos tios e padrinhos de Licínia, com quem ela cresceu. Quando Arménio de Sá Gamboa conheceu a tia de Licínia, Maria Olímpia, “tinha uma figura imponente, era cuidadoso na maneira de se apresentar e tocava guitarra portuguesa”. As pessoas chamavam-no de “rei” e o restaurante fundado pela dupla, no local da taberna, também ficou assim conhecido e teve um momento definidor: a 15 de maio de 1947, numa quinta-feira da Ascensão, feriado na Mealhada, foi aqui assado o primeiro leitão. Assim nascia um negócio de sucesso.

Diferentes ambientes para fazer a refeição

Diferentes ambientes para fazer a refeição

Olímpia só não conseguia matar leitões, mas assumiu a cozinha e também os assava. “Era uma mulher que levava tudo à frente”, recorda a sobrinha. Aos poucos, foi comprando terrenos aos vizinhos e ampliando a casa conforme as possibilidades, para “fazer um restaurante mais a sério”, o que aconteceu na década de 60. “O que a minha tia me contava é que passaram anos muito duros, de muita luta e trabalho. No final do dia, como não havia máquinas, ia lavar a roupa ao lavadouro aqui perto, para ficar a secar e no outro dia voltar a pô-la nas mesas. Era uma mulher de garra, conseguiu seguir em frente e dar a volta”, recorda Licínia, que sempre viveu por cima do restaurante. Ia ajudando nas lides: lavava copos e, a partir dos 10 anos, datilografava as ementas. Passou verões inteiros a servir à mesa com turno completo, como os empregados, e aprendeu a fazer de tudo. As primeiras memórias que tem do Rei dos Leitões a funcionar nos moldes atuais são de finais dos anos 70, quando Olímpia transformou a habitação dos avós de Licínia - que tinham falecido - noutra sala de refeições. Em meados da década de 80 fez-se uma grande obra, investindo-se num matadouro próprio e assadouro conformes à lei. O número de fornos subiu de dois para seis e, a partir de finais dos anos 80, foi sempre a crescer: “Era já uma casa com muito movimento. Especialmente ao fim de semana, havia pessoas em espera para almoçar e, nalguns fins de semana e feriados, o serviço não parava durante a tarde”.

Lídia Ribeiro com o famoso Morgado do Buçaco

Lídia Ribeiro com o famoso Morgado do Buçaco

Reposicionamento do restaurante…
Após a crise económica 2008, que impactou a afluência, e com o cansaço a crescer, Licínia junta-se a António Paulo Rodrigues, que veio da banca com uma visão “fresca” sobre as valias e pontos menos fortes do restaurante. Percebeu que era necessário “alguma visão crítica, sem ser romântico”, que o Rei precisava, desde logo, de mudar a imagem e “mostrar-se ao mundo”. “O restaurante era branco e pintámos de amarelo, fizemos obras e pavimentámos o parque, embelezámos, formámos uma equipa com alguns novos elementos, modernizámos e equipámos um pouco a cozinha. A primeira grande obra foi em janeiro de 2011 e a segunda em 2013, e entretanto temos melhorado, investido na formação, nas instalações, melhoria visual do restaurante e na carta de vinhos. Fomos lentamente introduzindo novos pratos, mantendo o cariz tradicional e nunca tirando o foco do leitão, que será sempre o nosso produto âncora, mas aceitando que há pessoas que não gostam ou não comem carne”, substancia o responsável. Em 2017 surge o primeiro grande reconhecimento nacional, com a atribuição de um Garfo de Ouro, pelo guia Boa Cama Boa Mesa.

…e um Dog Menu

Durante o confinamento provocado pela pandemia, a equipa do Rei dos Leitões manteve-se ativa assegurando o take-away e o serviço de delivery em todo o país. Ofereceram mais de 5 mil refeições a hospitais e bombeiros – a todas as corporações num raio de 30 km e, simbolicamente, chegaram a todas as capitais de distrito. Ao nível do restaurante, nasceu a Terraza, um confortável lounge que acomoda até 12 mesas no exterior e onde os clientes podem levar os seus cães (serve-se um “Dog Menu” em taça própria). Espreite a capela do Rei, a loja e adega e, para maior recato, reserve a sala privada. Na decoração mantém-se a coleção de leitões que já ultrapassa as 1500 peças (algumas de origens remotas, como o Sri Lanka, Austrália e Vietname), quase todas oferecidas por clientes. Identificam-se as coroas reais, os anjos, a lareira, mas também novos elementos como candeeiros, máscaras e as cores joviais de alguns papéis de parede. Após a pandemia, a decoração ficou “mais casual, alegre e informal, para as pessoas descontraírem”.

Restaurante Rei dos Leitões na Mealhada

Restaurante Rei dos Leitões na Mealhada

a lei do vinho

Rui Nabeiro e Fafá de Belém
Se em 1997, quando o Rei dos Leitões fez meio século de existência, não se assinalou a data, no dia em que celebrou 75 anos, a 15 de maio de 2022, “houve arraial, muita comida e até uma escola de samba”, escreveu o Boa Cama Boa Mesa. Convidaram-se clientes, amigos, produtores de vinho e outras pessoas envolvidas no mundo do Rei. À festa não faltou, mesmo adoentado, o comendador Rui Nabeiro, que regressou depois a Campo Maior. “Além de ser cliente e fornecedor, é um amigo. Passado 15 dias fui visitá-lo e levar um presente à esposa, e ele fez questão de me receber depois de ter ido a um funeral”, conta Licínia. António Paulo considera-o “uma pessoa única, afável e cativante” e de quem “todos dizem bem”.

Únicas são também as aparições de Fafá de Belém. Há alguns anos veio atuar à Mealhada, jantou antes do espetáculo e no fim, pela 1h00 ou 2h00 da manhã, ligaram à gerência a dizer que a “simpática” cantora queria ir comer arroz de marisco ao Rei. Paulo acordou o chef e alguém do serviço e cumpriu-se o desejo tardio. Do mundo da música passaram também Shakira, que comeu a um canto, “sempre de óculos de sol”, Martinho da Vila, Ana Moura, Ricardo Ribeiro, Cuca Roseta e Toy, estes mais regulares. Outro habitué é José Cid, que mora nas redondezas e adora arroz de lingueirão. A mulher do músico não dispensa o arroz doce acabadinho de fazer.

Hermínio Loureiro “é um amigo da casa” e “foi ótimo” servir António Horta Osório, que ficou cliente e vem com regularidade. “Contacto agora melhor com ele, quando nenhum de nós está no Santander, do que quando estávamos os dois no banco”, constata António Paulo. Da alta roda política apareceram o Primeiro-ministro António Costa, Ferro Rodrigues, Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa, “muito antes” de ser presidente da República: “Todos os anos envia-nos um cartão de boas festas, pelo Natal, e o irmão Pedro Rebelo é nosso cliente”, refere a gerência.

Francisco Pinto Balsemão e Sérgio Conceição no Rei dos Leitões

Francisco Pinto Balsemão e Sérgio Conceição no Rei dos Leitões

Ronaldo, Sérgio Conceição e os presidentes
Evidente é a associação do Rei dos Leitões, Garfo de Platina no Guia Boa Cama Boa Mesa 2022, ao mundo do futebol. Foi no Rei que Cristiano Ronaldo “comeu pela primeira vez leitão”, quando ainda namorava com Merche Romero. Foi ela que o trouxe ao restaurante e, pelos vistos, o craque gostou, já que chegaram a enviar-lhe leitão para Madrid, quando jogava no Real Madrid. António Paulo considera que as picardias futebolísticas que se veem na TV “nada têm a ver” com a postura dos intervenientes longe dos holofotes: “As pessoas falam umas com as outras. Tivemos aqui várias reuniões entre todos presidentes de todos os clubes da primeira divisão”, garante. Um desses encontros, há cerca de um ano, agregou ainda alguns clubes da segunda divisão e ficou conhecido como a “cimeira do leitão”. Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira “comeram lado a lado e Frederico Varandas um bocadinho separado, se calhar porque chegou agora, mas a falaram cordialmente uns com os outros”. O presidente do Sporting liga com “educação” a marcar mesa, “adora leitão e já levou para a esposa”, refere António Paulo.

Entrada do restaurante na Mealhada

Entrada do restaurante na Mealhada

O F. C. Porto estaciona no Rei dos Leitões com regularidade. “Os jogadores são pessoas como nós, divertidos, gostam de conversar e estão à vontade a descontrair depois do jogo. Gostam de ambientes informais, ainda que com rigor e disciplina na alimentação. Normalmente comem leitão e os muçulmanos peixe, por norma bacalhau”, refere o anfitrião. O presidente Pinto da Costa já era cliente e o treinador Sérgio Conceição começou a sê-lo no tempo em que treinava a Académica. Hoje, Sérgio, que passa sempre na capela do restaurante, “já é um amigo”. “Falamos com regularidade e ele faz questão de parar aqui, quando há motivos para festejar, especialmente no regresso das partidas a sul, muitas vezes em horas idas da madrugada. É das melhores pessoas que conheço, com melhor coração, ajuda dezenas de pessoas. Durante o confinamento, a pedido dele, levámos garantidamente mais de uma tonelada de comida a jogadores de divisões inferiores a passarem necessidades. Ele dava-nos uma lista e dizia: contacta estas pessoas, vê o que precisam, acho que estão a passar necessidades primárias, vê o que é preciso levar”, revela o gerente.

O Primeiro-ministro António Costa também é cliente do Rei dos Leitões

O Primeiro-ministro António Costa também é cliente do Rei dos Leitões

Conversas e contratações

Já aconteceu “algumas vezes” Luís Filipe Vieira, ex-presidente do Benfica – o atual presidente, Rui Costa, também já veio ao Rei -, e Pinto da Costa almoçarem “só os dois”: apesar das diferenças, “respeitam-se imenso”, ouve-se no restaurante. Ambos apreciam leitão e o portista também arroz de cabidela. Um desses encontros acabou por ser “revelado na comunicação social por uma terceira pessoa ligada à arbitragem”, uma “chatice” que motivou, de início, um telefonema de Filipe Vieira a pedir explicações. Noutra ocasião, antes de seguir para Norte, um bem disposto Pinto da Costa, que António Paulo descreve como uma pessoa “extremamente culta, de bom trato e de fino humor”, fez uma caminhada no parque de estacionamento, contando histórias com Ramalho Eanes e com Fernando Martins, ex-presidente do Benfica, “que era amigo dele”.

Caricato foi o episódio da contratação do jogador Gil Dias pelo Benfica. Depois de o empresário referir que o jogador tinha assinado pelas Águias, o staff tirou uma foto com ele e António fez um post no Facebook do restaurante: “Gil Dias realizou, hoje, dois sonhos de vida. Assinou contrato de jogador profissional pelo Sport Lisboa e Benfica e almoçou no Rei dos Leitões”. Só havia um problema, a contratação ainda não era pública... António recorda, entre risos, a “manchete da CMTV – Gil Dias assina pelo Benfica, Rei dos Leitões divulgou a notícia”. Em pânico, ligou para o empresário a pedir desculpa, mas ressalvando que não lhe pedira segredo. Há também dias de sorte para os adeptos, como um miúdo emigrante que, certo dia, perguntou: “É aqui que pára o Porto?”. Face à resposta afirmativa, vira-se para o pai e diz: “É aqui, vamos comer aqui!”. Por acaso, Sérgio Conceição estava a comer no Rei, pelo que foi possível tirarem fotos. E claro, “ficaram todos contentes”.

Maria e Aníbal Cavaco Silva no Rei do Leitões

Maria e Aníbal Cavaco Silva no Rei do Leitões

O restaurante Rei dos Leitões (Avenida da Restauração, 17, Mealhada, Tel. 968123084) serve em contínuo, das 12h às 21h, e encerra à terça-feira ao jantar e à quarta-feira. Diante das incertezas e volatilidade de mercado, até a ajuda divina vem por bem e mesmo nesse capítulo o Rei parece ter “caído nas graças”. Depois de um elemento português da comitiva Papal ter passado no Rei e levado consigo uma garrafinha de azeite, na volta do correio veio “un cordial saludo” do Papa Francisco e dois terços benzidos, um para Licínia Ferreira e um para António Paulo Rodrigues, a real e vencedora dupla.

Para comemorar os 50 anos do Expresso e do Recheio, fazemos uma viagem no tempo para relembrar restaurantes que marcaram as últimas cinco décadas. Acompanhe, todas as semanas, no Boa Cama Boa Mesa.

Recorde os primeiros restaurantes desta iniciativa:

1972: O restaurante bar de Lisboa que se transformou na segunda casa do Expresso

1973: O tributo a Eusébio e uma mesa para a eternidade

1974: O Pote que ajudou a cozinhar a Revolução dos Cravos

50 ANOS RECHEIO

1997: RECHEIO CONTINUA A CRESCER

Depois da criação da marca “Masterchef”, especialmente dirigida ao canal Horeca, de aquisições importantes como a loja Arminho, em Braga, e após a abertura de lojas como as de Valença e Mirandela, solidificando a sua posição na região Norte, em 1997 a rede Recheio ficou mais forte: foi inaugurada a primeira loja no Algarve, em Albufeira. Deu-se também a aquisição da Coimbralimentar, acrescentando-se mais uma loja em Coimbra.

A marca Recheio surgiu no mercado em 1972. 50 anos depois, dispõe de 40 lojas e três plataformas distribuídas por todo o território nacional, mantendo como grande objetivo ir ao encontro das necessidades dos clientes ao apresentar desde os ingredientes às soluções, assumindo claramente um compromisso de estar ao lado dos empresários do canal HoReCa e retalho tradicional, contribuindo para o desenvolvimento do negócio, como um parceiro.

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