50 Anos, 50 Restaurantes

1976: O restaurante que deu nova luz ao Bairro Alto e onde António Variações anunciou a vontade de ser cantor

18 agosto 2022 16:13

Restaurante Bota Alta

lojas com história / cm lisboa

Memoráveis eram as noites em que se faziam passagens de modelos improvisadas e populares nas escadinhas e sala superior deste restaurante, que abriu em 1976 e marcou o início de uma nova vida para o Bairro Alto. “Toda a Lisboa” passou pelas mesas do Bota Alta. Decorado com uma impressionante coleção de botas, a par de poemas, desenhos e telas, era um dos preferidos de António Variações, que aí anunciou o início da carreira artística. Todas as semanas, para comemorar os 50 anos do Expresso, vamos voltar atrás no tempo - com o apoio do Recheio - para relembrar os 50 restaurantes que marcaram as últimas décadas em Portugal.

18 agosto 2022 16:13

António Cassiano desesperava para encontrar o nome para o restaurante que ia abrir, em conjunto com António Pereira. Soam, então, os acordes iniciais do fado “O Timpanas”, e a voz cristalina de Amália Rodrigues. “Niza azul e bota alta / A reinar com toda a malta / É o rei das traquitanas / O Timpanas”. Estava feito: “Olha, fica Bota Alta”. Regressado de Angola com a família, António alugou, no início de 1975, em Lisboa, o espaço de uma antiga tasca. Tinha duas salas e um piso superior, que até então serviria de dormitório. Concretizadas algumas alterações, com a ajuda do arquiteto Pedro Ruas, o restaurante Bota Alta é inaugurado em 1976.

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Restaurante Bota Alta
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Restaurante Bota Alta

lojas com história / cm lisboa

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Fachada do restaurante Bota Alta, no Bairro Alto, em Lisboa
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Fachada do restaurante Bota Alta, no Bairro Alto, em Lisboa

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O Bairro Alto nos 70 do século XX
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O Bairro Alto nos 70 do século XX

arquivo expresso

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“Cervejas, Petiscos, Cafés, Vinhos”, a porta original da antiga taberna
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“Cervejas, Petiscos, Cafés, Vinhos”, a porta original da antiga taberna

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O Bota Alta foi inaugurado em 1976
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O Bota Alta foi inaugurado em 1976

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O balcão do restaurante
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O balcão do restaurante

lojas com história / cm lisboa

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António Cassiano, o fundador do Bota Alta, com Jorge Rosa
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António Cassiano, o fundador do Bota Alta, com Jorge Rosa

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Cena do filme "Variações" gravada no Bota Alta
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Cena do filme "Variações" gravada no Bota Alta

nos audiovisuais

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António Variações
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António Variações

arquivo a capital

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Fachada do Frágil, no Bairro Alto
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Fachada do Frágil, no Bairro Alto

ilidio teixeira / expresso

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A garrafeira do Bota Alta, oferecida pelos Duques de Palmela
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A garrafeira do Bota Alta, oferecida pelos Duques de Palmela

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Paulo Cassiano, sobrinho do fundador do Bota Alta
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Paulo Cassiano, sobrinho do fundador do Bota Alta

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Artigo de jornal sobre evento no Bota Alta
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Artigo de jornal sobre evento no Bota Alta

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Coleção de botas no restaurante
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Coleção de botas no restaurante

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Tony Silva foi desenhado por Herman José, numa das visitas ao Bota Alta
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Tony Silva foi desenhado por Herman José, numa das visitas ao Bota Alta

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Desenho assinado por Herman José e a equipa do Casino Royal
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Desenho assinado por Herman José e a equipa do Casino Royal

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Bacalhau Real, uma das especialidades do Bota Alta
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Bacalhau Real, uma das especialidades do Bota Alta

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Alberto Gomes, o atual cozinheiro do Bota Alta
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Alberto Gomes, o atual cozinheiro do Bota Alta

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Restaurante Bota Alta
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Restaurante Bota Alta

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Jorge Sampaio jantou no Bota Alta antes de ganhar as eleições presidenciais
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Jorge Sampaio jantou no Bota Alta antes de ganhar as eleições presidenciais

antónio pedro ferreira / expresso

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O balcão do restaurante Bota Alta
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O balcão do restaurante Bota Alta

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Escrito de Júlio Isidro
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Escrito de Júlio Isidro

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José Manuel, funcionário do Bota Alta
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José Manuel, funcionário do Bota Alta

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Restaurante Bota Alta
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Restaurante Bota Alta

lojas com história / cm lisboa

“Cervejas, Petiscos, Cafés, Vinhos”

Com a abertura de portas, a zona superior também se torna espaço de refeições. No rés-do-chão, as duas salas principais dividem-se por duas “giríssimas” portas azuis, remanescentes da taberna original, com dizeres como “Cervejas, Petiscos, Cafés, Vinhos”. Entrar neste restaurante em 2022 continua a ser uma experiência, pela quantidade de objetos a lotarem as paredes e o balcão. Cada um guarda uma história e “assistiu” ao pulsar de uma “nova Era”. As paredes “nasceram lisas” e foram, progressivamente, recebendo oferendas de clientela fiel, até ficarem à pinha. Compõem uma espécie de obra de arte, a meio caminho entre o popular e o erudito. Lisboa, na sua essência, com o fado, o pensamento e os prazeres simples, a diversão e a criação, “vive” neste descontraído espaço de satisfação gastronómica. Identifica-se com as toalhas aos quadradinhos coloridos, as obras de Martins Correia, José de Guimarães, Francisco Relógio, Jacinto Luís, Lagoa Henriques (autor da estátua de Fernando Pessoa n'A Brasileira), Matilde Marçal ou Gil Teixeira Lopes.

Num dos quadros evoca-se a Severa. Em toalha de papel, Herman José representou Tony Silva, uma das suas célebres personagens, e, noutra toalha, uma voluptuosa figura feminina, assinando com a equipa do saudoso “Casino Royal”: Lídia Franco, Ana Bola, José Pedro Gomes, Maria Vieira, Nuno Melo, Rita Blanco, Margarida Carpinteiro, São José Lapa e Vítor de Sousa. Selando esta relíquia, um vistoso “olé!”. João Cutileiro desenhou um Bacalhau à Brás e as Costeletas fumadas, que provavelmente lhe foram servidas ao jantar, e Cliff Richard agradeceu a “generosa hospitalidade” do staff. Através de um jornal antigo, recuamos a um evento com Caetano Veloso, Rui Veloso e Maria da Fé. Noutro registo, além de ter ficado fã do vinho Carvalho, Ribeiro & Ferreira, de 1985, o ator John Hurt deixou uma ilustração para pintar a conversa que teve com Paulo Cassiano, sobre o filme “O Homem Elefante”. Sobrinho de António Cassiano, Paulo entrou para a sociedade – atualmente divide com António Pereira – após a morte do tio, em 2003. No atual Bota Alta observe ainda a garrafeira, presenteada pelos Duques de Palmela, o presunto de cortar na hora e, sobretudo, sobretudo, a incrível coleção de botas. Foram quase todas oferecidas e muitas tiveram de ser guardadas no armazém, por falta de espaço.

Paulo Cassiano, sobrinho do fundador do Bota Alta

Paulo Cassiano, sobrinho do fundador do Bota Alta

As mutações do bairro e António Variações

Do interior do Bota Alta espreita-se o bulício a invadir o Bairro Alto. Um vai e vem de gente calcorreia o empedrado, na esquina da rua da Atalaia com a travessa da Queimada, e ganha intensidade com o cair da noite. Há quem abrande, atraído pela beleza da sala. Mira de soslaio e tenta perceber se há mesa livre. Esta é uma das zonas mais movimentadas de Lisboa, dominada pela vida noturna, mas no início a dinâmica era diferente...

“Quando o Bota Alta abriu, havia prostitutas na esquina em frente. E proxenetas. A tasca Os Galegos abria às 05h00, por causa dos jornais. O Bairro tinha gente do Bairro e havia umas quantas figuras como a 'Lena Gorda' e o 'Manacas'. Vendia-se a lotaria, outros tinham trotinetas de peixe, como o 'Falcão', e também havia o 'Galvão'”, recorda Paulo Cassiano. O fervilhar diurno era evidente: “Tínhamos muitas mercearias, muito comércio local. Havia aqui um senhor que vendia meias e cuecas e a mulher tinha uma loja de tupperwares, um bocadinho mais à frente. Era uma dinâmica engraçada, o Bairro tinha outra vida. Quando o fecharam ao trânsito, já nos anos 2000, houve uma quebra e mudança grande. Tínhamos, por exemplo, famílias inteiras a vir aqui. Deixavam os mais velhos e iam arrumar o carro, o que acabou por morrer”, lamenta.

Por outro lado, António Cassiano “sabia lidar com as pessoas”. Dava um queijinho a um, ou um pão ou jarro de vinho a outro... Conseguia criar bom ambiente em torno do restaurante. Essa atenção e simpatia, o ambiente descontraído e a sala repleta de objetos, bem como os sabores tradicionais, conquistam, naturalmente, António Variações. Paulo Cassiano era ainda um miúdo a lavar copos no Bota Alta quando Variações aparecia e ficava “muitas vezes à espera, ao cantinho do balcão”. “Era uma pessoa que, apesar daquele ar todo extrovertido, tinha alguma timidez. Era muito humilde e terra a terra”, descreve. O funcionário José Manuel ainda o conheceu no Parque Mayer. Trabalhou oito anos no Júlio das Miombas (atual restaurante A Gina) e, de vez em quando, Variações ía lá comer. “Era uma pessoa culta, educada e simpática, não tinha nada de arrogante”, recorda. O atual cozinheiro do Bota Alta, Alberto Gomes, via-o muitas vezes na rua: “Ele tinha a barbearia na rua de São José, ao pé da rua das Pretas, e eu vivia na rua do Carrião. Sempre que eu vinha, passava por ele. Via-o na barbearia a trabalhar e muitas vezes, em plena saúde, a circular na rua das Pretas”.

Cena do filme "Variações" gravada no Bota Alta

Cena do filme "Variações" gravada no Bota Alta

nos audiovisuais

Palco de filme

Hoje celebrado como um ícone da música portuguesa, António Variações é visto, por muitos, como um criativo que viveu à frente do seu tempo. Quando regressou de Amesterdão, teve uma refeição histórica no Bota Alta. À mesa estavam Fernando Ataíde, com quem teve um relacionamento, e Rosa Maria, que se casara com Fernando e que se tornou, também, amiga de Variações. Numa reportagem de Cristina Margato, publicada pelo Expresso, Rosa Maria contou que “houve muitos abraços e beijinhos” assim que António entrou no restaurante: “O António, não sei porquê, gostou logo de mim. Encaixou-se.”. E foi aí que lhes revelou os planos para “se lançar no mundo da música”, acrescenta Paulo Cassiano.

Esse encontro foi recriado no filme “Variações”, do realizador João Maia, que gravou a cena no Bota Alta. “As filmagens correram muito bem. Pensava que ia ser uma coisa mais demorada, mas conseguiram fazer o take muito rapidamente e saiu perfeito, e o filme está muito engraçado”, comenta Paulo Cassiano. João Maia ficou “contente com a simpatia” com que o anfitrião os recebeu. Agradece a disponibilidade e o esforço em permitir que as filmagens decorressem no local onde aconteceu a refeição. “É uma coisa quase mística, o sentir que foi aqui que tudo se passou”, refere o realizador. A refeição foi à noite, mas a cena filmou-se de manhã, com a equipa a transportar todo o equipamento à mão desde o Príncipe Real, em várias viagens. Como o Bota Alta se manteve “sempre igual” desde a abertura, apenas se ajustou um pouco a luz, taparam-se as janelas e mexeu-se na disposição de algumas mesas, por causa das câmaras. De resto, o cenário estava montado. “É muito bonito e sempre foi muito cosy. Tem decoração tradicional e parece que está tudo no sítio certo. O António também gostava deste tipo de comida portuguesa, de pataniscas, linguadinhos ou jaquinzinhos e arroz de tomate. É por isso que acho que era cliente”, considera João Maia. António Variações morreu a 13 de junho de 1984. O filme de João Maia estreou no grande ecrã em agosto de 2019. As evocações nunca mais pararam…

“Cervejas, Petiscos, Cafés, Vinhos”, a porta original da antiga taberna

“Cervejas, Petiscos, Cafés, Vinhos”, a porta original da antiga taberna

O despertar da movida

Para Paulo Cassiano, “o Bota Alta é um bocadinho a luz, o caminho para a movida do Bairro Alto”, que levou aos chamados anos loucos (80 e 90 do século XX). Instalam-se cada vez mais atrativos nesta área, como a galeria de arte de Vieira de Castro - a Leo -, os estilistas José António Tenente e Lena Aires. Manuel Reis teve um papel importante nesta transformação: começou por vender antiguidades numa loja perto do Bota Alta, em 1981 - um ano depois do arranque do histórico Trumps, no Príncipe Real - convenceu o Fernando Fernandes e José Miranda a abrir o restaurante Pap'Açorda (que decorou), seguido-se do emblemático bar Frágil, em 1982, e da Loja da Atalaia. “A abertura do Frágil foi um marco, uma coisa muito fora da caixa. Havia alturas em que me sentava à porta só a ver passar as pessoas para o Frágil. Era um espetáculo! O Rui Reininho, aquela gente toda espampanante, as vestimentas, o que usavam, era em si um espetáculo. Muitos, como António Variações, vinham jantar ao restaurante e acabavam no Frágil. Nos anos 80, Lisboa vive uma transformação e o António Variações fez parte dela”, sublinha Paulo Cassiano. Nas décadas de 80 e 90, “passou toda a Lisboa pelo Bota Alta”. O Carnaval era um acontecimento: havia grupos a reservarem a sala de cima, que era maior na altura, e improvisavam passagens de modelos nas escadinhas. “Vestiam-se a rigor e muitos iam depois para o Trumps. Faziam aqui um desfile, uma parada giríssima. No tempo da Cicciolina, vestiram-se todos de Cicciolina... Era uma coisa do outro mundo!”.

O Bota Alta foi inaugurado em 1976

O Bota Alta foi inaugurado em 1976

Melão, cantorias e a vitória de Sampaio

Desenrola-se o novelo do restaurante e surgem mais curiosidades. Um dos clientes assíduos chamava-se Jorge Rosa e não abdicava da mesa 12, de onde via toda a sala. Estava sempre reservada até às 20h00 e, se porventura estivesse ocupada, “lá saía o Jorge Rosa disparado, fulo!”. Um dos pedidos de Luís de Sttau Monteiro resultou numa corrida apressada de Paulo Cassiano até “ao Pereira”, uma antiga mercearia, para comprar pepino. Já o cliente Paulo Viana, gosta de se aventurar numas cançonetas e desafia o anfitrião a cantar. Certa noite, estavam no Bota Alta dois ex-jogadores do Benfica, Roger e um central. “Vinham aqui várias vezes com a filha do Toni. Na sala estava também o Melão, dos Excesso, e outra rapariga. Alguém a desafia e ela canta um fado. Às tantas, já era ela, o Melão, o Paulo Viana e começa tudo a cantar, do nada”, um efeito de contágio dada a proximidade entre mesas.

No quadrante político, António Costa vinha almoçar a este restaurante, tal como António Vitorino (muitas vezes os dois) e, em 1996, Jorge Sampaio fez aqui o jantar de final de campanha, quando se candidatou à presidência da República. O repasto terá sido um amuleto, já que venceu as eleições. Manuel Luís Goucha passou pelo restaurante e José de Guimarães era cliente frequente, tal como Herman José. Já aconteceram casamentos de pessoas que se conheceram no Bota Alta e aí fizeram a despedida de solteiro. Mas também divórcios...

Bacalhau Real, uma das especialidades do Bota Alta

Bacalhau Real, uma das especialidades do Bota Alta

Um Bacalhau Real para Herman José

Paulo Cassiano estreou-se a ajudar no Bota Alta nas férias escolares, era ainda adolescente. Sentiu logo o “encanto” do local e um certo fascínio por estar ali a observar pessoas, que estavam já então “muito à frente”. Cumprida a tropa, em 1986, começou a trabalhar em part-time, servindo à mesa. Com o tempo vieram as compras e tudo o resto, até co-assumir os destinos do restaurante. A informalidade do conceito tem sido vital para o sucesso, já que o cliente “passa a amigo muito facilmente”, mas o facto de se comer bem é ainda mais importante. Dois dos pratos que constam na ementa desde o início e “fizeram a casa” são o “Bife Recheado” (€12) com queijo e bacon, e o “Bacalhau Real” (desde €14,50), que é frito e vem com cebolada, batata panada e molho à base de vinho do Porto. Segundo o cozinheiro, Alberto Gomes, Júlio Isidro “gosta imenso” deste bacalhau, à semelhança de Herman José.

As “Costeletas fumadas” (€12,90) são outro clássico: passam na frigideira com um pouco de amêndoa e acompanham com batata frita. Prove ainda os típicos “Linguadinhos fritos” (€12), com arroz de tomate ou açorda, bem como os populares “Bife à Bota Alta” (€14,50) com cogumelos, legumes e batata frita, e a “Açorda de gambas” (€12,90), que o ator Rogério Samora adorava. Nas entradas, destaque para as “Gambas ao alhinho”, o “Cocktail de camarão” (€8,90) e o “Prato de presunto” (desde €6,90). Quanto às sobremesas, opte pela “Encharcada de ovos”, a “Sericaia”, com ou sem ameixa, o “Rançoso”, que é um doce alentejano com chila, amêndoa e ovos, ou o “Bolo da casa”, feito com amêndoa, tâmaras, doce de ovos e natas. Atualmente, a importância do Bota Alta é também reconhecido pela autarquia lisboeta que lhe atribuiu o estatuto de Lojas Com História.

O restaurante Bota Alta (Travessa da Queimada, 37, Lisboa. Tel. 213427959) funciona de segunda a sexta-feira, das 12h00 às 14h30 e das 19h00 às 22h45. Encerra ao domingo e ao almoço de sábado e de segunda-feira.

A garrafeira do Bota Alta, oferecida pelos Duques de Palmela

A garrafeira do Bota Alta, oferecida pelos Duques de Palmela

Para comemorar os 50 anos do Expresso e do Recheio, voltámos atrás no tempo para relembrar os restaurantes que marcaram as últimas cinco décadas. Acompanhe, todas as semanas, no Boa Cama Boa Mesa.

Recorde os primeiros restaurantes desta iniciativa:

1972: O restaurante bar de Lisboa que se transformou na segunda casa do Expresso

1973: O tributo a Eusébio e uma mesa para a eternidade

1974: O Pote que ajudou a cozinhar a Revolução dos Cravos

1976: O ADVENTO DO COMPUTADOR

Quando Joaquim Pereira regressou da tropa, em 1976, a loja na Figueira da Foz onde começara a trabalhar já tinha assumido a designação de Recheio, e uma forma de trabalhar diferente. Era “o primeiro cash & carry do país”, vendendo para grossistas. Na altura vendedor de balcão, Joaquim saúda a chegada das inovações tecnológicas. “Quase que posso garantir que o Recheio foi a primeira empresa do ramo alimentar a ter um computador que só fazia contas”, recorda. Escrevia-se o nome ou código do item, a sua quantidade ou peso, e o computador fazia as contas e apresentava o preço. Esta ferramenta “teria o tamanho de quatro máquinas de costura com pé, duas em baixo e duas em cima”, e veio facilitar o trabalho das pessoas que estavam no escritório a tratar da faturação, até então feita à mão. Além da velocidade de procedimentos, gerava-se uma “rentabilidade superior a 150%”. E, como não era preciso estar sempre a conferir os valores, porque a “máquina não se enganava”, diminuía a saturação do trabalhador. “O Fernando Alves do Vale, fundador do Recheio, andou sempre um passo à frente da concorrência”, conclui.

A marca Recheio surgiu no mercado em 1972. 50 anos depois, dispõe de 39 lojas e três plataformas distribuídas por todo o território nacional, mantendo como grande objetivo ir ao encontro das necessidades dos clientes ao apresentar desde os ingredientes às soluções, assumindo claramente um compromisso de estar ao lado dos empresários do canal HoReCa e retalho tradicional, contribuindo para o desenvolvimento do negócio, como um parceiro .

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