Sociedade

Os novos 28 centros de saúde modelo B, as maternidades, os salários dos enfermeiros, o mau exemplo chinês: a entrevista do ministro da Saúde

Ministro da Saúde, Manuel Pizarro
Ministro da Saúde, Manuel Pizarro
TIAGO PETINGA/LUSA

Com mais de uma centena de centros de saúde abertos nestes fins de semana de Natal e de Ano Novo, Manuel Pizarro diz que a medida está a ter procura. Houve cerca de 16 mil consultas no último fim de semana. E Manuel Pizarro anuncia, em entrevista à SIC, a criação de mais 28 centros de saúde modelo B já para janeiro

Em janeiro de 2023 serão criados mais 28 Unidades de Saúde Familiar (USF) de modelo B, ou seja, centros de saúde que funcionam com um sistema de incentivo ao trabalho das equipas.

A maioria funcionará na região de Lisboa e Vale do Tejo e permitirá, segundo revelou Manuel Pizarro, em entrevista à SIC, que mais cerca de 30 mil pessoas passem a ter médico de família.

O ministro da Saúde não programa a privatização destas unidades, esclareceu, “porque isso não resolveria o problema”.

Antes prevê a continuidade do modelo que tem sido testado nos últimos fins de semana. No de Natal, em que mais de uma centena de centros de saúde se encontraram a receber doentes, houve cerca de 16 mil consultas, diz Manuel Pizarro.

O mesmo se espera que aconteça no próximo fim de semana, altura em que 221 centros de saúde estarão abertos no sábado e 180 no domingo.

Temos em Portugal uma situação crónica de excesso de afluxo às urgências. A culpa não é das pessoas, mas de quem, como nós, organiza o sistema”, admite o ministro.

“Desse ponto de vista, a abertura de centros de saúde – e com horários mais alargados – parece-nos essencial. Como também o é que as pessoas, quando uma doença não é grave, recorram à linha de saúde 24 e aos centros de saúde”, acrescenta ainda.

Fecho de maternidades

Reagindo ao funcionamento do plano “Nascer em Segurança no SNS”, Manuel Pizarro disse que, no primeiro fim de semana de fechos programados em algumas maternidades, realizaram-se 368 partos e “todo o sistema funcionou plenamente e de forma organizada”.

Na semana passada, em declarações de apoio ao despacho assinado pela Direção-Executiva do SNS, o ministro veiculava que o sistema teria de funcionar “como uma rede” e que cada uma das instituições não era “uma ilha”.

Mas na mesma entrevista à SIC, dada na noite desta terça-feira, Manuel Pizarro ressalvou que “nem todas as maternidades fecham pela mesma razão, no mesmo dia. Nuns casos é [pela falta de] obstetras, noutros é de pediatras, noutros de anestesistas”.

E sublinhou que o sistema de fechos programados e rotativos de urgências obstétricas ao fim de semana se manterá na região de Lisboa, durante o primeiro trimestre de 2023.

Planos para o futuro

O ministro da Saúde que substituiu Marta Temido quis também mostrar como, a acrescentar à melhor organização em rede das instituições, as carreiras dos profissionais não estão esquecidas, entre os planos que tem para o Serviço Nacional de Saúde.

E falou aos enfermeiros, que afinal são “a classe mais numerosa do SNS” e a quem foi atualizado o vencimento com retroativos a janeiro de 2022, numa medida cujo acordo começou a ser firmado ainda com a anterior ministra. “Até este momento havia enfermeiros a trabalhar há 20 anos com o mesmo salário”, lembrou Pizarro.

Por fim, numa nota para tranquilizar a população, desvalorizou a situação da covid-19 na China, onde se multiplicam os casos e cresce preocupação sobre a possibilidade de ser lá criada uma nova estirpe da doença.

O ministro da Saúde acredita que "o que está a acontecer na China vem do facto de eles terem prolongado por meses, se não anos, uma política de contenção baseada no isolamento das pessoas e não na vacinação”.

“Pelo contrário, nós apostámos na vacinação e depois aliviámos as medidas”, reitera Manuel Pizarro, para quem um ‘novo 2020’ não parece palusível de acontecer.

“Mesmo com a existência de novas variantes, todos os estudos mostram grande eficácia das vacinas que temos aplicado. A acrescentar a isto, a informação que temos é que, do conjunto das infeções respiratórias, até podemos ter tido uma antecipação do pico de covid-19 em novembro/dezembro”, diz o ministro.

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