Isabel II

Velório de Isabel II: novas entradas para a fila suspensas durante seis horas

16 setembro 2022 10:12

Pedro Cordeiro

Pedro Cordeiro

Enviado a Londres

Editor da Secção Internacional

Distribuição de água às centenas de milhares de pessoas que se prevê que engrossem a fila

pedro cordeiro

Afluência em massa levou a decisão de não permitir novas entradas até haver espaço para acumular os que chegam. Público pode ver caixão até segunda-feira às 6h30 da manhã

16 setembro 2022 10:12

Pedro Cordeiro

Pedro Cordeiro

Enviado a Londres

Editor da Secção Internacional

O Governo do Reino Unido decidiu esta sexta-feira suspender novas entradas na fila para ver o caixão da rainha, instalado no Parlamento. Com quase oito quilómetros de comprimento e 14 horas de espera calculadas, a fila já ocupa todo o espaço reservado no parque de Southwark, na margem sul do rio Tamisa.

Quinta-feira ao fim da tarde, quando o Expresso visitou a zona, a espera era de oito a nove horas. O tempo de espera aumentou mais do que (à proporção) o comprimento da fila, explicam fontes da organização, porque esta está mais grossa. “De início iam um a um, agora vemos mais grupos de três ou quatro lado a lado.”

O impedimento de novas entradas durará “pelo menos” seis horas, explicou o Ministério da Cultura, responsável pela organização. Recomenda-se aos potenciais interessados que “não tentem entrar para a fila” até nova indicação. Há uma página oficial com atualização permanente do comprimento da fila e do tempo de espera calculado.

O velório público de Isabel II começou quarta-feira à tarde e dura até às 6h30 da manhã de segunda-feira. Os cálculos do Governo britânico indicam que até 750 mil pessoas possam querer prestar homenagem à soberana, falecida a 8 de setembro. Contudo, só há garantia (tendo em conta o fluxo de entradas e o tempo que resta) de que cheguem a horas ao Parlamento cerca de 400 mil.

Vigílias de filhos e netos

Esta sexta-feira pelas 19h30, o novo rei e os seus irmãos farão uma vigília de 15 minutos no Parlamento, rodeando o féretro da mãe. Com Carlos III estarão a princesa Ana e os príncipes André e Eduardo.

André foi excecionalmente autorizado a envergar farda naval neste ato, embora esteja afastado de funções oficiais e tenha perdido honras militares por causa do seu envolvimento com o milionário americano Jeffrey Epstein, que morreu numa cadeia de Nova Iorque em 2019 após condenação por abuso sexual de menores. Uma das vítimas da sua rede, Virginia Giuffre, afirmou ter sido forçada a sexo com o príncipe. Este evitou ir a tribunal pagando o equivalente a cerca de 14 milhões de euros num acordo extrajudicial. A rainha terá ajudado a saldar a conta.

Sábado será a vez dos netos de Isabel II honrarem a avó. Todos os oito — os filhos de Carlos, William (novo príncipe de Gales e herdeiro da coroa) e Harry; os de Ana, Peter e Zara; as de André, Beatrice e Eugenie; e os de Eduardo, Louise e James — farão uma vigília em torno do féretro.

Também neste caso foi aberta exceção para Harry, que se afastou voluntariamente dos deveres reais há dois anos e mora na Califórnia. Poderá ir fardado, ao contrário do que fora noticiado de início. O protocolo gere com luvas de veludo a contradição de os únicos membros da família vivos que combateram em nome da rainha e do país serem precisamente (por distintas razões) os mais controversos.