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A imensa chama dos franceses The Blaze no Vodafone Paredes de Coura

20 agosto 2022 2:50

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

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The Blaze no Vodafone Paredes de Coura 2022
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The Blaze no Vodafone Paredes de Coura 2022

rita carmo

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The Blaze no Vodafone Paredes de Coura 2022
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The Blaze no Vodafone Paredes de Coura 2022
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The Blaze no Vodafone Paredes de Coura 2022

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No regresso ao Vodafone Paredes de Coura, quatro anos depois da estreia, a dupla francesa presenteou uma plateia a perder de vista com um espetáculo que consegue ser, em simultâneo, expansivo e sóbrio

20 agosto 2022 2:50

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

1h30 da manhã. Que bonito é ver o anfiteatro natural do Taboão cheio a esta hora, aguardando com expectativa o regresso ao Minho dos franceses The Blaze. A dupla de música eletrónica composta pelos franceses Guillaume e Jonathan Alric estreou-se em Paredes de Coura em 2018 e, depois de "se agigantar", para citar João Carvalho, regressa agora para fechar a penúltima noite do festival. Nos últimos meses, os autores de 'Heaven' têm atuado em grandes eventos internacionais como o festival de Roskilde, na Dinamarca, ou o Sónar, tanto em Barcelona como em Lisboa. E, no seu quarto concerto em Portugal (estiveram, também, no NOS Alive 2019), apresentaram um espetáculo que agarrou até ao final boa parte da enorme nação courense.

Além de músicos, Guillaume e Jonathan são também realizadores, e essa apetência pelas artes visuais reflete-se no que oferecem em palco. Inicialmente, ouvimos apenas a música - beats bojudos, ritmos envolventes, toadas melancólicas -, acompanhada por projeções caprichadas. Só mais tarde os ecrãs móveis nos quais os The Blaze mostram os seus filmes se afastarão, permitindo que os parisienses deslizem rumo a nós, palco fora, acoplados à mesa que é o seu teatro de operações.

Ao longo da hora que se segue, temas como 'Territory', 'Places' ou 'She' (cantado ao vivo) são mergulhados em cores quentes como o laranja, ou secundados por imagens de cães selvagens, pessoas correndo na praia em câmara lenta e danças a preto e branco. Numa opção curiosa para uma banda com uma componente visual tão pronunciada, os The Blaze nunca mostram realmente a cara, permanecendo na penumbra das suas criações, que ora abalam ora agitam os festivaleiros.

É um espetáculo simultaneamente expansivo e sóbrio, como se os músicos quisessem partilhar o seu mundo ilustrado sem depositar demasiadas imagens ou ideias na mente de quem os vê. É assim ao sabor da imaginação coletiva que o concerto prossegue, encerrando o caricato alinhamento de um palco que, neste dia, teve eletrónica pura (Kelly Lee Owens), rock com todos (Ty Segall) e uma promessa mais do que segura (Arlo Parks). Amanhã há mais, com o último dia da 28ª encarnação do festival Paredes de Coura.