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Opinião

A moral sexual da igreja está no centro dos abusos - a religião pode ser abuso de menores

A colunista do Expresso recorda a sua própria experiência e as marcas que lhe ficaram: “É por isso que é tão traumático e tão doentio estar de joelhos, com 12 anos, no segredo do confessionário, a ouvir perguntas como da cintura para cima, o que já se passou? calma, calma e agora da cintura para baixo, vamos por partes. E que sorte que ninguém me tocou. Mas foi suficiente para passar anos com uma relação infernal com o meu corpo, com a culpa, com a figura masculina, com o prazer, com a alimentação”

A primeira vez que escrevi sobre o evidente clima de abuso que vivi no confessionário do meu colégio, foi no blogue “Jugular”.

Foi em 2009 e ali pode ler-se isto: “Lembro-me da provocação do C. Hitchens ao perguntar se a religião é abuso de menores. Às vezes é (…) “havia uma atenção doentia, por parte do colégio e do preceptorado, aos pecados da carne. De resto, os sacerdotes do opus dei ajudavam no terror. A primeira aproximação que tive às consequências do fenómeno do desenvolvimento (futuro) do meu corpo e da minha cabeça pecadora foi a explicação de que o dito corpo era o templo do espírito santo. (…) Isto foi terrivelmente explorado ao ponto de ser convocada uma reunião com a diretora do colégio no dia em que a mesma entendeu que nós, a minha turma, já teríamos sido visitadas por um acontecimento que inicia fatalmente a inclinação para o pecado da carne, de resto bastante provocado por uma espécie que nos era estranha: os rapazes. Esse acontecimento era a menstruação. Sim, ele foi-nos explicado em associação com o pecado. (..) Na confissão, (..) recebíamos uma folha com os dez mandamentos e, para cada um, sugestões de pecados. Assim, o nosso exame de consciência seria induzido e mais completo. No sexto mandamento, o fatídico da castidade, perguntava-se, por exemplo: demoro-me, no banho, a contemplar o meu corpo? Lembro-me de ser muito nova e de pensar demoradamente nesta pergunta. Lembro-me de tomar banho em dois minutos para não pecar. E lembro-me de pensar demoradamente noutras perguntas do mesmo calibre (…) O sacerdote fez-me perguntas de uma minúcia que nunca vi, como advogada, serem feitas em tribunal. O meu corpo, o corpo de uma criança, foi escrutinado atrás de uns quadradinhos de madeira, o confessionário”.

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