Projetos Expresso

O objetivo de Catarina Oliveira: “Colocar Portugal entre os países mais atrativos para a condução de estudos clínicos na UE”

11 junho 2021 14:52

Francisco de Almeida Fernandes

paulo amaral

Projetos Expresso. A presidente da Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica pretende parceria na angariação de financiamento e promover a colaboração entre instituições. À sexta-feira, o ‘Mais Saúde, Mais Europa’ resume os principais temas da semana, numa iniciativa do Expresso com apoio da Apifarma

11 junho 2021 14:52

Francisco de Almeida Fernandes

Catarina Resende de Oliveira é a presidente da Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica (AICIB), criada em 2018 por resolução do Conselho de Ministros. Os objetivos são claros – apostar no ecossistema científico português, dinamizá-lo e promover a colaboração entre indústria e academia. À boleia do evento organizado pela AICIB no início da semana, dedicado à interoperabilidade dos dados em saúde, o Expresso entrevistou a responsável da instituição para o projeto ‘Mais Saúde, Mais Europa’, que acompanha a atividade da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia na saúde.

A AICIB nasceu em 2018 por resolução do Conselho de Ministros, mas só entrou em funcionamento em 2020. Que papel pretende a AICIB desempenhar?

A AICIB tem como finalidade realizar atividades de interesse nacional no financiamento e promoção da investigação clínica e translacional e inovação biomédica através do apoio ao seu desenvolvimento e internacionalização. Os benefícios da investigação clínica e dos projetos de inovação biomédica são de crucial importância para a melhoria da prestação de cuidados de saúde aos cidadãos.

Colocar Portugal entre os países mais atrativos para a condução de estudos clínicos na União Europeia, aumentando o valor criado para os doentes, para o sistema de saúde, para a academia e para a sociedade, é uma visão assumida por este Governo para a área da investigação clínica. A AICIB pretende ser um agente ativo para a concretização destes objetivos.

Desde que a instituição entrou em funcionamento, o que tem procurado fazer?

No seu primeiro ano de funcionamento, as atividades da AICIB incidiram, além dos processos associados à organização interna e estabilização da própria agência, em quatro eixos fundamentais de intervenção – estimular a investigação clínica e inovação biomédica, apoiar o desenvolvimento de centros clínicos, dinamizar a realização de estudos clínicos a nível nacional e apoiar a transformação digital.

Neste âmbito, gostaria de destacar o trabalho intenso que tem vindo a ser realizado junto das universidades, dos centros de investigação e dos laboratórios associados, para promover e apoiar a participação dos investigadores em projetos europeus, de entre os quais destacamos a Missão Cancro, pelo impacto que virá a ter na sociedade.

“Nos próximos sete anos serão alocados, de forma competitiva, 8,3 mil milhões de euros para projetos colaborativos em saúde”, explica Catarina Resende de Oliveira, presidente da AICIB

Que prioridades deve o país assumir para potenciar a inovação?

A AICIB está responsável pela representação nacional nas estruturas de governação da área da saúde do programa Europeu de Investigação e Inovação – Horizonte Europa. Nos próximos sete anos serão alocados, de forma competitiva, €8,3 mil milhões para projetos colaborativos em saúde, abarcando áreas tão importantes como a saúde ao longo da vida, os determinantes da saúde, as doenças crónicas e infeciosas, a transformação digital dos cuidados de saúde e, inevitavelmente, a preparação e resposta a emergências sanitárias. Esta será uma oportunidade para as instituições portuguesas integrarem novas redes de colaboração a nível europeu e global e de alavancarem a investigação de excelência que é realizada no país.

A pandemia mudou, de alguma forma, as prioridades que tinham definido na vossa estratégia?

Tendo em conta o surto do novo coronavírus, aliado à capacidade científica e tecnológica existente em Portugal, a AICIB e a FCT colaboraram no lançamento de um concurso para apoio especial a projetos e iniciativas de investigação e desenvolvimento que respondessem às necessidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) na resposta a esta e a futuras pandemias num horizonte temporal muito curto – o Research4 COVID-19. No global, foram financiados 121 projetos de investigação, com um financiamento de €3,815 milhões.

A pedido do Ministério da Saúde e do Infarmed iniciou-se em março de 2020 a colaboração da AICIB na implementação em Portugal de dois ensaios clínicos para investigação de tratamentos da covid-19. A finalidade destes ensaios é recolher evidência científica sobre as opções de tratamento para a doença que se afiguram mais promissoras junto da comunidade médica internacional. Os dois ensaios envolvem doentes hospitalizados em serviços convencionais ou unidades de medicina intensiva em todo o mundo e na Europa.