Economia

Voaram 85 mil milhões de dólares numa semana das ações da Tesla. Foi a rede do pássaro que os levou?

24 dezembro 2022 20:58

Elon Musk

patrick fallon/reuters

Os investidores na Tesla venderam massivamente ações da construtora de automóveis elétricos na última semana. Um CEO entretido com o Twitter (e a crise que se avizinha) foram os responsáveis

24 dezembro 2022 20:58

Os investidores da Tesla estão nervosos com o negócio paralelo do seu fundador, Elon Musk, dono e presidente executivo do Twitter desde outubro. E desconfiam de tal forma das capacidades de Musk para gerir o negócio de construção de automóveis elétricos que em cinco dias provocaram uma forte perda de valor das ações da Tesla em bolsa.

De acordo com o Financial Times, a construtora automóvel perdeu, nas últimas cinco sessões, cerca de 85 mil milhões de dólares (cerca de 80 mil milhões de euros ao câmbio atual) em capitalização bolsista, sinalizando que o avultado investimento que Musk está a fazer na rede social do pássaro está a fazer os investidores na Tesla perder a confiança na construtora de automóveis elétricos.

A Tesla perdeu 19,98% em bolsa nas últimas cinco sessões, cotando agora nos 123,15 dólares (116 euros). Esta foi a pior semana para a empresa desde março de 2020, mês em que os mercados globais sofreram fortes quedas devido ao início da pandemia da covid-19, recorda o Financial Times. Desde o início do ano, já perdeu 69% do seu valor de mercado.

Os cálculos do jornal britânico mostram o quão grande foi a queda desde janeiro deste ano, mês em que a Tesla estava avaliada nos 1,2 biliões de dólares (1,1 biliões de euros). Atualmente, vale em bolsa 385,89 mil milhões de dólares (364 mil milhões de euros). Os cerca de 815 mil milhões de dólares perdidos equivalem ao valor de mais de 80% do índice norte-americano que segue as 500 maiores empresas do país, o S&P 500, sublinha o jornal.

Outro temor dos investidores da Tesla está na degradação das perspetivas de procura de automóveis elétricos, numa altura em que se perspetiva um forte “travão” no crescimento ou até mesmo uma recessão económica em grandes mercados globais. E a Tesla deu sinais de que estava com dificuldades a escoar automóveis ao anunciar, nos Estados Unidos, um desconto de 7 mil dólares em dois modelos. As ações da empresa responderam caindo 9% na quinta-feira, segundo o jornal.

Elon Musk, até aqui mais conhecido por ser fundador e líder da Tesla, tem estado entretido desde outubro com o seu novo papel de presidente executivo e dono do Twitter, a rede social de mensagens curtas.

Tendo assumido o propósito de dar a volta a uma rede que, a seu ver, pode muito bem entrar em bancarrota, Musk tem feito uma gestão muito pública do Twitter, despedindo funcionários em massa, permitindo o regresso de contas banidas, suspendendo outras tantas, nomeadamente de jornalistas; e promovido alterações estruturais na rede sem critérios claros de negócio.

Tem, ainda, tomado decisões por vezes com base em inquéritos aos utilizadores - um deles deliberou até que Musk deverá sair da liderança da rede. Com base (ou não) no resultado, Musk disse que está à procura de um novo presidente executivo à altura do trabalho ("alguém suficientemente tolo para assumir o cargo", nas suas palavras).

Em paralelo, desde abril, altura em que se propôs comprar o Twitter, foi vendendo milhares de milhões de dólares em ações da Tesla nos mercados, num total de 23 mil milhões de dólares (22 mil milhões de euros) A mais recente foi no dia 15 de dezembro, a terceira vez, e comprometeu-se de novo a não vender mais ações da Tesla por um ano.