Economia

Galp estima que imposto extraordinário custe 100 milhões de euros

23 dezembro 2022 9:46

Foto: Galp Energia

A Galp estima um impacto negativo de 100 milhões de euros por conta do “windfall tax” em 2022. Pela natureza e dimensão do seu negócio, a energética poderá ser a única em Portugal a pagar este imposto

23 dezembro 2022 9:46

A Galp Energia estima que o imposto extraordinário aprovado na quinta-feira na Assembleia da República para os lucros das energéticas e das retalhistas tenha um impacto de 100 milhões de euros nas contas de 2022, anunciou esta sexta-feira, 23 de dezembro.

Em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a energética portuguesa recordou que o imposto em questão “pode se aplicável às atividades de refinação e comercial em Portugal” e que incidirá nos exercícios dos anos 2022 e 2023.

A estimativa preliminar da energética aponta para que “este novo imposto possa ter um impacto potencial na Galp de até 100 milhões de euros em relação ao ano fiscal de 2022”, adianta, sem dar mais detalhes.

Esta semana, no Parlamento, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Nuno Felix, estimou o potencial encaixe deste imposto, que incidirá sobre os lucros inesperados das energéticas e da grande distribuição, entre os 50 milhões e os 100 milhões de euros para o erário público.



Uma amplitude justificada pelo facto de serem “novos tributos, sem antecedentes, pelo que a margem de estimativa tem uma margem de erro significativa”, disse, em resposta a uma questão da deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua.

Depois da Comissão Europeia ter desenhado o mecanismo do imposto e feito aprovar um regulamento, os Estados-Membros passaram a ser obrigados a aplicar esta contribuição criada para evitar lucros injustos num setor que mais beneficiou com a alta acentuada dos preços: o da energia.

O Governo, de moto próprio, resolveu alargar o chamado “windfall tax” às empresas da grande distribuição, acusadas de beneficiarem excessivamente da alta do custo de vida. As propostas foram aprovadas no Parlamento esta quinta-feira.

Entre as energéticas, a Galp poderá ser a única, em Portugal, a ter de abrir os cordões à bolsa com este imposto, já que o desenho europeu da contribuição penaliza as empresas com negócios no setor dos combustíveis fósseis. A Galp lucrou até setembro 608 milhões de euros, uma subida homóloga de 86%.