Blitz

Weyes Blood já fez um dos discos do ano: contra a distopia, enfeitiçar

3 dezembro 2022 19:52

Lia Pereira

Lia Pereira

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Jornalista

“And in the Darkness, Hearts Aglow” é o quinto álbum de Weyes Blood

neil krug

Natalie Mering, a mulher que assina como Weyes Blood, propõe que enfrentemos a bizarria do dia a dia com as suas canções, clássicas e encantatórias. Bem-vindos a “And in the Darkness, Hearts Aglow”

3 dezembro 2022 19:52

Lia Pereira

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Jornalista

Em 2019, ano em que seduziu fãs e crítica com o álbum “Titanic Rising”, Natalie Mering — isto é, Weyes Blood — começava por avisar, logo à primeira canção: ‘A Lot’s Gonna Change’. Mal a cantora-compositora, nascida há 34 anos numa família religiosa, imaginava as mudanças que aquele ano, e os seguintes, contemplariam — para si e para o mundo, mercê da pandemia que a ‘apanhou’ no regresso a casa, depois de uma longa digressão. “Demos o último concerto na véspera de proibirem os agrupamentos de pessoas”, recorda a norte-americana, ao site “The Forty Five”. “Na Nova Zelândia estávamos todos muito descontraídos, chego a Los Angeles e deparámo-nos com a loucura total.” Recolhida em casa, Miss Mering, filha de músicos que começou a sua carreira na cena noise de Portland, no estado do Oregon, decidiu começar a trabalhar no sucessor de “Titanic Rising” que, apesar de ser o seu quarto álbum, foi o primeiro a valer-lhe uma atenção mais generalizada. Inicialmente, pensou que o disco teria de ser mais luminoso que o seu trabalho de 2019, em que parte de uma analogia com o naufrágio do colosso “Titanic” para discorrer sobre a emergência climática. À medida que principiou a ‘escavar’, porém, a autora descobriu que “And in the Darkness, Hearts Aglow” seria uma reação a “Titanic Rising”, sim, mas numa direção distinta. “Queria fazer um disco que fosse a solução para aquele alarme, oferecendo uma esperança futurista”, disse ao site inglês. “Mas estávamos no epicentro de tudo o que estava a acontecer, pelo que, se quisesse ser honesta, teria de fazer um disco mais subterrâneo, intimista e vulnerável.” A esperança, essa, ficará para o terceiro tomo, já que Natalie Mering considera estar a dois terços de uma trilogia. “Titanic Rising” lançou o aviso, “And in the Darkness...” traz-nos a sua resposta — doce e serena, mas sempre acutilante — às mudanças dos últimos anos, e o próximo disco promete aliviar a pressão.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.