Blitz

Manel Cruz no NOS Alive: Finalmente a sós

10 julho 2022 1:35

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

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Manel Cruz no NOS Alive 2022
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Em paz com o seu legado, Manel Cruz perdeu a vergonha de dar ao povo o que o povo quer ouvir - e de ter prazer com isso. Ao mesmo tempo, continua a apostar em canções mais lunares, sem nunca perder o apoio do público. Tudo isto sozinho em palco, com o carinho dos fãs

10 julho 2022 1:35

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

Na sua recente passagem pelo Posto Emissor, podcast da BLITZ, Manel Cruz confessou que a 'modalidade' em que se apresenta, hoje em dia, nos concertos em nome próprio, acaba por coincidir com uma viragem que se vem operando na sua música, nos últimos anos. Por outras palavras: sem a banda que o acompanhou durante mais de dez anos, o músico do Porto sobe agora ao palco perfeitamente sozinho, com o ukulele que serviu de base a muitas canções de "Vida Nova" (2019), ou com uma guitarra acústica que, se a memória visual não nos atraiçoa, já vem dos tempos dos Ornatos. Pode parecer pouco, mas é um registo que se adequa, de facto, à direção mais lunar desta encarnação a solo. Basta contar que, esta noite, no encore-relâmpago no palco Heineken ("deram-me mais quatro minutos, tenho de tocar isto rapidinho"), Manel Cruz ficou sem som na guitarra durante 'Canção da Canção da Lua' e a apresentação da mesma só ganhou em intensidade. Com carisma suficiente para encher palcos sozinho, o franzino artista ("Não sigam o meu exemplo, não abusem do ginásio", brincou, ao tirar a t-shirt) contou com a ajuda do público para tornar aquela despedida ainda mais intensa e sobretudo espontânea, no final de um concerto breve mas especial.

Costuma-se dizer que todos os rios correm para o mar, e no oceano de Manel Cruz há neste momento temperaturas muito diferentes, das viagens ao passado com os Ornatos Violeta ao rock eternamente vibrante dos Pluto, passando pela insularidade das canções a solo. Em paz com o seu legado, o jovem veterano perdeu a vergonha de dar ao povo o que o povo quer ouvir - e de ter prazer com isso. Foi assim que, esta noite, ouvimos 'Borboleta - um clássico para a geração que cresceu a ouvir mais Foge Foge Bandido do que Ornatos Violeta - e conhecemos a sua inspiração, que remonta à infância algo "obsessiva" de Manel Cruz, quando apanhava borboletas para perceber que elas só eram belas quando livres. Mas também houve espaço para uma versão abreviada de 'O Navio Dela', espécie de hino feminista incluído em "Vida Nova", e para a popular 'Ainda Não Acabei', com o público a acompanhar, exultante, a deixa "é que eu adoro esta vida, ainda não acabei".

Ao mesmo tempo, Manel Cruz, que no Posto Emissor admitiu ter "um prazer terrorista" em subverter certas expectativas, foi buscar ao baú do Bandido a "difícil" 'Falso Graal', escrita nos verdes anos dos Ornatos e repescada após o final da banda ("Na altura só o Kinörm, baterista de Ornatos e meu road manager, é que gostou, porque também é maluco"). Na sua melancolia quebrada, este tema mostrava já a corrente acústica e introspetiva que mais tarde seguiria (à nossa frente, um espectador resumia a coisa dizendo: "ele está a entrar bué naquela onda do... dos bacanos de Lisboa... que usavam chapéu", referindo-se aos Dead Combo).

Na secção do concerto dedicada às "canções de dor de corno" ("não confundir cornos com despeito", alertou), tivemos ainda a bluesy 'Sonho e Forma', acompanhada pelo público com palmas a compasso, e 'Canção Sem Título', uma bonita "canção de esquecimento" que Manel Cruz gravou recentemente para a série Esfera.

Seguiu-se "a segunda canção mais breve do mundo, segundo um jornal de São João da Madeira", ou seja, 'Pode Beijar a Noiva', um tema sobre o poder (também destrutivo) da nossa mente e espécie de prima mais nova de 'Ainda Não Acabei'. A caminho do final, destaque para o curioso momento em que Manel Cruz fez um brinde às novas gerações, considerando-as "mais inteligentes e sofisticadas", ainda que considere que tanto velhos como novos "vão sabendo umas coisas. Mas tenho fé nas novas gerações, senão dava um tiro na cabeça", disparou.

E depois o final, com 'Canção da Canção da Lua' (com o "pai" acrescentado como destinatário de uma letra em que habitualmente se dirige à mãe) e a doce confirmação de que, às vezes, nem da guitarra um homem precisa para levar o seu navio a bom porto.