Crise climática

Cientistas da Exxon previram com precisão em 1970 o aquecimento global, mas a petrolífera descredibilizou as projeções

13 janeiro 2023 13:27

christopher furlong/getty images

A gigante de petróleo e gás tinha projeções científicas extremamente precisas das alterações climáticas provocadas pela queima de combustíveis fósseis, mas passou décadas a negar essas mesmas previsões

13 janeiro 2023 13:27

Um recente estudo, publicado na revista “Science”, revela que cientistas da Exxon Mobil, multinacional de petróleo e gás, efetuaram, desde a década de 1970, previsões extremamente precisas do aquecimento global, mas a empresa nada fez e alegou repetidamente que o aumento da temperatura do planeta era mera especulação.

O estudo, escreve o “The Guardian”, “deixou claro que os cientistas da Exxon foram extraordinariamente precisos nas suas projeções a partir da década de 1970, prevendo uma curva ascendente das temperaturas globais e das emissões de carbono, que estão perto de corresponder ao que realmente ocorreu”.

Os cientistas da Exxon anteciparam que haveria um aumento de 0,2º C por década, devido às emissões de gases com efeito de estufa, produzidos pela queima de combustíveis fósseis.

“Isto demonstra o que a Exxon sabia, anos antes de muitos de nós termos nascido”, diz Geoffrey Supran, que liderou o estudo elaborado por investigadores da Universidade de Harvard e do Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático.

“Agora temos a prova cabal que mostra que eles previram com precisão o aquecimento global antes de começarem a atacar a ciência”, afirma Supran. “Eles [líderes da Exxon] poderiam ter utilizado a sua ciência em vez de negá-la”, acrescenta o investigador.

A Exxon tem sido alvo de vários processos, nos quais a empresa é acusada de ter conhecimento do impacto negativo do petróleo e do gás para o clima, ao mesmo tempo que promoveu desinformação sobre o tema e negou o aquecimento global.