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Moda sustentável. Pescar plástico no mar e transformá-lo em alta costura

16 novembro 2022 9:08

nicole sánchez

Na data em que se assinala o Dia Nacional do Mar, o Expresso SER foi conhecer o projeto B-SEArcular, um consórcio de empresas liderado pela Epson que recolhe lixo do mar, transforma-o em fios de poliéster e tecidos. Depois, os alunos da Lisbon School of Design fazem peças de moda

16 novembro 2022 9:08

Quando escrevemos “pescar o plástico”, queremos literalmente dizer pescar o plástico. Tudo começa com a recolha de lixo nos mares por parte dos pescadores que depois entregam esse lixo à Seaqual que é uma plataforma que dá uma segunda vida aos plásticos recolhidos nos oceanos. A Seaqual transforma plásticos em fios finos de poliéster e depois duas empresas portuguesas do sector têxtil – a A. Sampaio e Filhos e a Lemar – produzem tecidos de poliéster reciclados com esse fio e entregam-nos aos estudantes da Lisbon School of Design que fazem peças de moda, estampadas com tecnologia de impressão digital produzida pela Epson.


É este processo, desde a “pesca” do lixo até à confeção de roupa de alta costura, que os responsáveis deste consórcio resolveram chamar de B-SEArcular, uma aliança formada pela Lisbon School of Design, pela A. Sampaio & Filhos, a Lemar, a INEDIT Studio, a Seaqual e a multinacional de tecnologia Epson.

Roupas feitas a partir de plástico pelos alunos da Lisbon School of Design

Roupas feitas a partir de plástico pelos alunos da Lisbon School of Design

nicole sánchez

O Expresso SER foi conversar com Raul Sanahuja, responsável de comunicação da Epson Ibérica que explicou que esta ideia nasceu em 2019, em Barcelona, e depois foi importada para Portugal, em 2020, e tem o seu ponto alto esta quarta-feira, dia em que os alunos da Lisbon School of Design vão mostrar as peças de moda que fizeram neste novo campo da moda sustentável.


“O nosso objetivo era criar um exemplo em duas das indústrias têxteis mais importantes na Europa: em Portugal, especialmente o Norte de Portugal, onde há muitas marcas; e na Catalunha, em Espanha, que também tem uma tradição muito importante no setor têxtil. Começámos em Barcelona porque a central da Epson para a Península Ibérica está em Barcelona, e agora importámos o modelo para Portugal, mas todos os parceiros são de Portugal”, refere Raul Sanahuja.

Este processo de transformação do plástico em tecidos já existe no mercado, sobretudo na indústria do automóvel que recorre cada vez mais este método para os têxteis usados no interior dos carros. “Mas para as peças da moda, não é tão aplicado”, afirma Sanahuja que explica que o objetivo é usar as peças que vão ser apresentadas esta semana pelos alunos da Lisbon School of Design “para consciencializar a indústria, para que a indústria as possa ver e tocar; são peças muito boas e que podem ser comercializadas”.

Roupas feitas a partir de plástico pelos alunos da Lisbon School of Design

Roupas feitas a partir de plástico pelos alunos da Lisbon School of Design

nicole sánchez

O evento acontece precisamente no Dia Nacional do Mar em Portugal, que se assinala a 16 de novembro, e vai apresentar nove peças de alta costura produzidas por alunos de design e que usaram 46 metros de tecido fabricado com plástico, que correspondem a cerca de 460 garrafas de plásticos tiradas do mar. Para as estampas, a Epson diz que usa uma das técnicas menos invasivas para o meio ambiente, chamada sublimação: “Os equipamentos para a impressão têxtil mediante a injeção de tinta permitem 80% de poupança energética, consomem 60% menos de água e, portanto, reduzem consideravelmente a produção de resíduos”.


Em 2050, segundo as previsões dos cientistas, haverá mais plástico do que animais marinhos nos mares e é esta realidade que a B-SEArcular quer mudar, primeiro reduzindo a fabricação e o uso de plásticos no dia-a-dia e, depois, aproveitando os resíduos existentes que acabam a poluir os mares e oceanos. Raul Sanahuja refere que, com esta iniciativa, a Epson “consegue cumprir ao mesmo tempo vários ODS (objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas), como os da “limpeza dos mares e da proteção da vida submarina”. A etapa que fecha o círculo, em que os desenhos são produzidos numa escola com materiais plásticos transformados em tecido, junta mais dois ODS; o objetivo 12 do consumo e produção responsáveis e o objetivo 4 da educação de qualidade.

“Para nós é muito importante, porque esta semana estamos a receber a certificação de empresa alinhada com os ODS na gestão da sua responsabilidade social e corporativa. Somos a primeira empresa do setor de tecnologia a receber esta certificação por parte de uma instituição homologada pela Nações Unidas, que é o Bureau Veritas”, revela Sanahuja ao Expresso SER.

Roupas feitas a partir de plástico pelos alunos da Lisbon School of Design

Roupas feitas a partir de plástico pelos alunos da Lisbon School of Design

nicole sánchez