Independentemente da justeza das reivindicações dos professores, não acha que se está a ir longe demais na greve quando há crianças do 1.º ciclo que estão sem aulas desde 9 de dezembro?
Antes de mais, esta luta não é só de professores. A partir de 4 de janeiro, passou a envolver todos os profissionais de educação, docentes e não docentes. De resto, uma greve, se não incomodar, não tem o efeito pretendido. A História demonstra-nos que grandes conquistas como a licença de maternidade ou o limite máximo de horas diárias de trabalho foram conseguidas com lutas fortíssimas que incomodaram muito mais do que esta. Sobre alunos sem aulas, é importante sublinhar que, nos últimos anos, o que tem provocado falta de aulas a milhares de alunos, não por algumas semanas, mas por longos meses a uma ou mais disciplinas, não são as greves, mas políticas educativas que desvalorizaram tanto quem trabalha nas escolas que já poucos querem abraçar esta profissão. O Ministério encontrou uma forma de o encapotar ao ter baixado os critérios para se poder dar aulas, o que faz com que neste momento haja pessoas sem qualquer formação pedagógica que estão a lecionar. Os pais devem saber isso. Se calhar os seus filhos estão a ter aulas neste momento, mas não com a mesma equidade de alunos de outra escola pública a 10 quilómetros de distância e isso é injusto. Põe em causa o artigo 74 da nossa Constituição, que diz que todos os cidadãos devem ter equidade no acesso e no êxito escolar.
A verdade é que estes protestos têm tido um impacto muito desigual nas escolas. A maioria não fechou nenhum dia, enquanto outras estão sem aulas há semanas, como acontece, por exemplo, em Portimão. Que equidade há nisso?
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