Sociedade

Operação “Porta Aberta”: PJ faz novas buscas na Comunidade Judaica do Porto

14 julho 2022 15:38

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Rui Gustavo

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paul gilham

Buscas decorreram pela segunda vez no prazo de quatro meses. Em causa a investigação ao processo de concessão de nacionalidade portuguesa a Roman Abramovich. Comunidade Judaica do Porto garante ao Expresso que as buscas foram apenas feitas a gabinetes de contabilidade que trabalham com a comunidade. “Na casa de um funcionário procurou-se uma pen secreta que não existia”

14 julho 2022 15:38

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Rui Gustavo

Rui Gustavo

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A Polícia Judiciária realizou buscas nas instalações da Comunidade Israelita do Porto/Comunidade Judaica do Porto (CIP). A informação foi avançada pela CNN e confirmada pelo Expresso.

É a segunda vez que a Judiciária realiza buscas na CIP em quatro meses.

Os inspetores da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da PJ estão a investigar o processo de atribuição de nacionalidade portuguesa ao magnata russo Roman Abramovich.

Em comunicado, a PJ revela que as buscas realizaram-se em residências, escritórios de advogados e escritórios de contabilidade e contaram com a intervenção de um juiz de instrução criminal e de uma procuradora do Ministério Público.

Ao Expresso, a CIP garante que foram apenas feitas buscas a gabinetes de contabilidade que trabalham com a comunidade. "Na casa de um funcionário procurou-se uma pen secreta que não existia. Mais uma denúncia anónima em ação."

A 11 de março, o líder religioso desta comunidade do Porto, Daniel Litvak, foi detido mas ficou em liberdade com os passaportes retidos. Já o advogado Francisco Almeida Garrett, dirigente da CIP, foi constituído arguido.

Ainda de acordo com o comunicado da PJ, esta operação sucede a outra, já realizada no mês de março, no norte do país, relacionadas com a regularidade e licitude do procedimento de aquisição de nacionalidade Portuguesa ao abrigo do disposto no n.º 7 do artigo 6.º da Lei n.º 37/81, de 3 de outubro e surge da necessidade de obter prova em novos locais entretanto identificados na investigação já desenvolvida.

No inquérito investigam-se factos suscetíveis de enquadrar a prática dos crimes de corrupção, falsificação de documentos, branqueamento, fraude fiscal e tráfico de influências.

"A Polícia Judiciária prossegue as investigações, no sentido de esclarecer a natureza e a dimensão da atividade criminosa em investigação", conclui a PJ.

CIP certificou mais de 40 mil sefarditas

A CIP certificou mais de 40 mil sefarditas entre 3 de fevereiro de 2015 e 30 de novembro de 2020, de acordo com dados a que o Expresso teve acesso e que posteriormente analisou. O que dá uma média de 28 certificações por dia. Segundo uma fonte ligada ao processo, à CIP chegavam todos os dias largas dezenas de pedidos de certificações.

Os dados do Ministério da Justiça e do Instituto de Registos e de Notariado revelam que num período um pouco mais dilatado (entre 1 de março de 2015 e 31 de dezembro de 2021) Portugal atribuiu a cidadania portuguesa a 56.685 descendentes de judeus sefarditas. Os números não especificam se os certificados foram pedidos à CIP ou à Comunidade Israelita de Lisboa. Mas pelos dados obtidos pelo Expresso é percetível que mais de dois terços dos processos foram certificados no Porto.

O elevado número de certificações passadas pelo Porto, bem como as suspeitas de doações generosas aos membros dirigentes desta comunidade levaram a uma investigação da unidade anticorrupção da Polícia Judiciária e Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP). No centro deste inquérito está também o processo de certificação ao oligarca russo Roman Abramovich na CIP.

Ainda de acordo com dados obtidos pelo Expresso sobre as certificações realizadas pela CIP, das 41.445 certificações que tiveram luz verde, quase 32 mil são de cidadãos israelitas. São 90 os países de onde são naturais esses novos portugueses. Isso inclui países como a Ucrânia, Iémen, Cuba, Japão ou Nova Zelândia. Da Rússia (e ex-União Soviética) há 79 casos de cidadãos que se tornaram portugueses com base em certificados emitidos pela CIP.