Sociedade

Líder religioso da comunidade judaica do Porto foi detido pela PJ. Naturalização de Abramovich investigada

11 março 2022 19:43

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

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Líder religioso da Comunidade Judaica do Porto foi detido no âmbito da investigação sobre a obtenção de nacionalidade portuguesa por judeus sefarditas. Informação foi confirmada pelo Expresso

11 março 2022 19:43

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Daniel Litvak, o líder religioso da Comunidade Judaica do Porto, foi detido pela Polícia Judiciária no âmbito da investigação sobre a obtenção de nacionalidade portuguesa por judeus sefarditas em Portugal, avançou o "Público". A informação foi confirmada pelo Expresso.

Em causa estão os crimes de tráfico de influências, corrupção ativa, falsificação de documento, branqueamento de capitais, fraude fiscal qualificada e associação criminosa.

De acordo com o "Público", Daniel Litvak preparava-se para viajar para Israel, tendo sido considerado pelas autoridades de que havia o perigo de fuga.

A PJ revela que na sequência das buscas realizadas, foi apreendida "vasta documentação e outros elementos de prova, tendo em vista a sua análise" e que o arguido vai ser presente a primeiro interrogatório judicial, para aplicação de medidas de coação.

Um dos casos investigados pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da PJ é o da concessão da nacionalidade portuguesa ao empresário russo Roman Abramovich ao abrigo da Lei da Nacionalidade para os judeus sefarditas.

Em janeiro, a Procuradoria-Geral da República anunciou que o MP abriu um inquérito à atribuição de nacionalidade portuguesa ao milionário russo.

“Deitar por terra teorias infundadas sobre truques de maçonaria”

Na sequência da abertura desse inquérito-crime, Daniel Litvak considerou “positivos” os inquéritos do Ministério Público e do Instituto dos Registos e Notariado à atribuição de nacionalidade portuguesa, reiterando a legalidade da certificação para “deitar por terra teorias infundadas sobre truques de maçonaria e mitos de negócios pouco claros, que envolveriam malas de dinheiro”.

Nessa altura, o chefe-rabino da Comunidade Judaica do Porto garantiu que “confirmar-se-á que se trata de um processo de nacionalidade cumpridor dos requisitos legais e dois pagamentos de 250 euros: a taxa da conservatória e o emolumento cobrado pela comunidade certificadora”.

O líder religioso daquela comunidade salientou também que a documentação integral do processo de certificação da atribuição de nacionalidade portuguesa a Roman Abramovich “estava há muito na posse da Conservatória dos Registos Centrais de Lisboa, tendo na base as certificações das mais altas instituições judaicas internacionais, em respeito dos critérios legais”.

Na mesma altura, Michael Rothwell, membro da administração da Comunidade Judaica do Porto, adiantou que pessoas de mais de 60 países pediram a certificação para obter nacionalidade portuguesa ao abrigo da lei para os judeus sefarditas. Este responsável assegurou à Lusa que “só judeus descendentes de sefarditas genuínos com origem portuguesa podem obter a certificação” necessária e que o processo é “muito rigoroso”.

Esta quinta-feira o governo do Reino Unido decidiu bloquear os bens de Roman Abramovich juntamente com outros seis oligarcas russos. O Chelsea, de que é dono, ficou com as contas bancárias congeladas.

[em atualização]