Sociedade

25 menores dos campos de refugiados nas ilhas gregas chegam a Portugal até ao fim do mês

16 junho 2020 18:17

Crianças brincam junto ao maior campo de refugiados da Europa, na ilha grega de Lesbos

guy smallman/ getty images

Este é o primeiro grupo de menores não acompanhados que vai ser recebido em Portugal, que se diponibilizou para acolher entre 250 e 500 crianças e jovens que estão na Grécia

16 junho 2020 18:17

Até ao final de junho vão chegar a Portugal 25 menores de idade que estão nos campos de refugiados da Grécia. O número e a data foi avançada esta terça-feira pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, na sua audição na comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. Este é o primeiro grupo de crianças e jovens que o Governo português se disponibilizou a receber.

“Assumimos o compromisso de receber entre 250 a 500, iremos até ao final de junho receber os primeiros 25 desse programa”, disse Cabrita, sublinhando que Portugal “é dos poucos países” que responderam ao apelo de Bruxelas para que os Estados-membros para receberem 1600 menores não acompanhados dos mais de cinco mil que estão nos campos de refugiados da Europa.

“Os nossos princípios nesta matéria são claros: o acolhimento daqueles que carecem de apoio”, disse ainda o ministro, acrescentando em seguida que Portugal quis manter as missões humanitárias de várias organizações que estão na Grécia a prestar a apoio no salvamento e acolhimento de migrantes e refugiados. “Mesmo nesta altura de pandemia decidimos renovar a missão da GNR, o SEF e a Polícia Marítima em contexto do salvamento.”

Além de Portugal, que é o terceiro país a receber os menores, fazem ainda parte deste programa Alemanha e Luxemburgo (que já receberem), assim como Bélgica, Bulgária, Croácia, Finlândia, França, Irlanda e Lituânia. “Aliás, desde 2018 que Portugal fez parte de todas as operações de recolocação de refugiados recolhidos no Mediterrâneo”, referiu o ministro para enfatizar o papel das autoridades nacionais na questão migratória.

Já sobre o caso dos 22 marroquinos que esta segunda-feira desembarcaram em Faro, Eduardo Cabrita assegurou que as diligências necessárias estão em curso, considerando que é necessário “ter noção do ridículo” quando se compara os números de chegadas de migrantes a Portugal pelo Mediterrâneo com as “7500 chegadas a Espanha”. O ministro disse ainda que há atualmente três acordos de migração pendentes - com Marrocos, Moldávia e Índia.

“Queremos abrir um mecanismo de migração legal com Marrocos”, referiu Cabrita, sublinhando que a proposta de acordo já foi feita. “A solução passa por definir programas de migração legal. A vinda de migrantes para Portugal é positiva para o país”, disse ainda, acrescentando que “pela primeira vez, graças à imigração”, a população nacional aumentou.