A Revista do Expresso

Ouro, prata ou platina: na Contrastaria Portuguesa, a identidade é uma coisa preciosa

7 janeiro 2023 22:50

Raquel Moleiro

Raquel Moleiro

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Jornalista

Rui Duarte Silva

Rui Duarte Silva

fotografias

Fotojornalista

Disformes a olho nu, as punções gravadas nas joias de ouro, prata ou platina escondem quilates, composições, datas e autorias e a segurança de que passaram pela Contrastaria Portuguesa, a única entidade nacional que lhes atesta a veracidade há 140 anos

7 janeiro 2023 22:50

Raquel Moleiro

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Jornalista

Rui Duarte Silva

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Fotojornalista

Foi há seis anos que se principiou o noivado. Uma paragem inesperada no Miradouro da Senhora do Monte, em Lisboa, um magote de turistas a forrar cada pedaço de vista para o Castelo de São Jorge apesar do vento doido, o cabelo comprido dela num reboliço, a roupa demasiado fresca para fevereiro, ele a abrigá-la nos braços atrás de uma árvore ao lado do nicho branco da santa, uma caixinha azul cobalto a sair do bolso apertado das calças de ganga dele, um pedido meio engasgado apesar de já viverem juntos, terem um filho, uma casa. “Queres casar comigo?”, perguntou ele. “Sim”, disse ela, a resposta também atabalhoada, afetada pela emoção que criou nós nas cordas vocais, mas firme de certezas.

Os olhos azuis fixaram-se então no anel prateado, perfeito, que ele lhe punha no dedo, dois diamantes pequeninos, uma pérola ao centro, comprado num antiquário, que ela é toda passado e patine. Garantiu o vendedor ser joia portuguesa, talvez dos anos 40, por aí, e não se enganou. Lá estão as marcas de contraste e de responsabilidade a pormenorizar-lhe a história, uma a confirmar a preciosidade do metal e o toque, outra a atestar a identidade do fabricante e o período em que laborou, e uma mais, extra, a garantir ser peça de ourivesaria, com pedras preciosas.

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