Política

Caso Carla Alves: Aprovada "audição urgente" da ministra da Agricultura com abstenção do PS

10 janeiro 2023 21:08

Requerimentos apresentados pelo PSD, Chega, IL e PAN contaram com os votos a favor de todos os partidos, exceto o PS que se absteve

10 janeiro 2023 21:08

Foi aprovada esta terça-feira no Parlamento uma "audição urgente" da ministra da Agricultura sobre a nomeação da secretária de Estado da Agricultura, Carla Alves, que acabou por se demitir cerca de 24 horas depois de tomar posse.

Os requerimentos, apresentados pelo PSD, Chega, Iniciativa Liberal (IL) e PAN, foram votados esta tarde um a um durante a reunião da Comissão de Agricultura e Pescas e contaram com os votos a favor de todos os partidos, exceto o PS que se absteve.

No documento, o PSD defendia que era essencial um “esclarecimento cabal” do caso. “Importa que a ministra da Agricultura e Alimentação esclareça quando e por que via teve conhecimento do processo judicial relacionado com as contas arrestadas da Secretária de Estado agora demissionária, Carla Alves, e se deu conhecimento dessa situação ao primeiro-ministro”, pode ler-se no requerimento apresentado pelos sociais-democratas.

“É trapalhada, atrás de trapalhada”, atirou André Ventura na sexta-feira, anunciando o requerimento para ouvir as “explicações” de Maria do Céu Antunes sobre o caso, antes de fazer o “juízo final sobre uma eventual manutenção de condições para continuar em funções”.

No requerimento apresentado pela IL, o partido alegava igualmente que a ministra Maria do Céu Antunes deve esclarecimentos, após a demissão relâmpago da secretária de Estado da Agricultura, um dia após tomar posse. “Face a este cenário, é fundamental que a senhora ministra da Agricultura venha ao Parlamento esclarecer integralmente qual a informação de que realmente dispunha”, pode ler-se no requerimento.

Afirmando que António Costa deu “cobertura” à então secretária de Estado durante o debate da moção de censura, a IL apontou ainda para a notícia do “Público” que dava conta de que a ministra da Agricultura tinha conhecimento das “condições pessoais” de Carla Alves quando foi nomeada. Mas a tutela garantiu depois não ter tido conhecimento de qualquer envolvimento da secretária de Estado em "processos judiciais”, mas não explicou se estava a par das contas arrestadas.

A deputada do PAN, Inês de Sousa Real, considerou que depois da “demissão relâmpago” de Carla Alves, a ministra da Agricultura tem explicações a dar ao país, nomeadamente “se teve conhecimento do arresto das contas e não avisou o primeiro-ministro”.

Carla Alves demitiu-se na quinta-feira do cargo de secretária de Estado da Agricultura, considerando não reunir as “condições” para a função, com contas arrestadas com o marido, depois de o Chefe de Estado ter aberto a porta à sua saída, invocando “limitações políticas” da então governante.

Entretanto, foram reveladas novas polémicas a envolver Carla Alves. Segundo o Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela, a ex-secretária de Estado recebeu 68 mil euros ilegalmente enquanto funcionária da Câmara de Vinhais, entre 2005 e 2008. Em causa está o facto de Carla Alves ter acumulado funções privadas por dar formações financiadas pela UE, avançou o “Correio da Manhã”.