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Política

Marido da secretária de Estado que tem contas penhoradas diz que é uma “tremenda injustiça” e não irá “revelar nada” sobre rendimentos

Américo Pereira garantiu que caso de contas arrestadas é da sua responsabilidade e é uma “tremenda injustiça” ver a mulher envolvida. O marido da agora governante recusou-se a dar explicações à discrepância nos vencimentos. “Não vou revelar a absolutamente ninguém aquilo que é a minha estratégia de defesa”

Foi esta manhã, um dia após a tomada de posse dos novos ministros e secretários de Estado, que rebentou uma nova polémica no Governo. Carla Alves, a nova secretária de Estado da Agricultura, tem contas bancárias arrestadas que detinha em conjunto com o marido, Américo Pereira. Em declarações aos jornalistas esta quinta-feira, o antigo presidente da câmara de Vinhais veio defender a sua “honra” e explicar que apenas “uma das contas arrestadas” é partilhada com a sua mulher. “[Carla Alves] tem envolvimento zero”. Américo Pereira diz que as explicações da discrepância nos vencimentos investigados pela Polícia Judiciária serão reveladas na “altura certa”. E classifica como uma “tremenda injustiça” envolver Carla Alves no caso.

O ex-autarca recusou dar explicações sobre os movimentos estranhos das contas bancárias que levantaram suspeitas na PJ. “Não vou revelar a absolutamente ninguém aquilo que é a minha estratégia de defesa, inclusive assuntos da minha vida privada. Tal como nenhum de vocês aqui me vai dizer a proveniência do dinheiro das vossas contas bancárias”, afirmou. Voltando a reafirmar a sua inocência no processo, Américo Pereira garante que, na “altura própria”, fará chegar um “dossiê” à comunicação social com “todos os assuntos” explicados “ponto por ponto”. No entanto, o artigo 13 do regime do exercício de funções por titulares de cargos políticos e altos cargos públicos prevê “obrigações declarativas” dos rendimentos brutos, assim como de “elementos do ativo patrimonial, de que sejam titulares ou cotitulares”. Ou seja, os titulares de cargos públicos não têm rendimentos a coberto da privacidade enquanto exercem funções. O incumprimento desta lei pode levar a “perda do mandato, demissão ou destituição judicial”.

O antigo presidente da câmara de Vinhais diz ainda que aquilo que foi arrestado não foram as contas, mas os “saldos” que existiam em “Março de 2002”. O marido da atual secretária de Estado da Agricultura defende que a discrepância encontrada pelo Ministério Público na sua conta bancária é um “erro contabilístico” que será resolvido na “hora própria”. “Não há qualquer entrada ilícita. É bom que se saiba isso”. Uma das poucas justificações dadas aos jornalistas foi a viuvez que obrigou Américo Pereira a “gerir o património” dos filhos menores. E lança ainda: “Nenhum de nós tem entradas na conta só de vencimentos.

Quando questionado sobre a necessidade de a sua mulher comunicar a investigação antes da tomada de posse, Américo Pereira descarta responsabilidades. “Não sei se comunicou ou deixou de comunicar nem porque deveria de comunicar.” Para o ex-autarca se “todos tivessem de informar” o envolvimento dos cônjuges em investigações não “sobraria ninguém” para ser nomeado secretário de Estado ou ministro. “Poucos são os autarcas que não estejam envolvidos em nenhum processo”.

Antes de terminar, o marido de Carla Alves volta a garantir que a sua mulher tem toda "legitimidade” e “competência técnica” para se manter no cargo.

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