Política

“Ministro das Finanças é um peso morto no Governo”: Montenegro pede demissão de Medina

2 janeiro 2023 18:16

pedro sarmento costa/lusa

Para o líder do PSD, a remodelação conhecida há instantes é “só juntar aparelho ao aparelho”. “No momento de maior crise, o primeiro-ministro desapareceu”, acusa

2 janeiro 2023 18:16

O presidente do PSD pede a demissão de Fernando Medina como ministro das Finanças, dizendo que, neste momento, não passa de “um peso morto” no Executivo. Medina “perdeu autoridade política e, sem autoridade, o ministro é um peso morto no Governo”, atirou Luís Montenegro, em conferência de imprensa, na sede do partido, em Lisboa. Questionado sobre o que faria se estivesse no lugar de António Costa, Montenegro foi perentório: “Se eu fosse primeiro-ministro, o ministro das Finanças sairia.”

O líder social-democrata, que antecipou o regresso de férias no estrangeiro para reunir esta segunda-feira a comissão permanente do partido, atacou a remodelação em curso, considerando que mostra a falta de opções de António Costa, que já só consegue “juntar aparelho ao aparelho”. O primeiro-ministro “teve de ir ao banco de reservas fazer uma remodelação”, reforçou, acrescentando Montenegro que “os dois novos membros do Governo já são membros do Governo”, como secretários de Estado, pelo que se trata apenas de uma “promoção”.

O último ano foi “um ano de brutal instabilidade política”, descreveu, tendo sido o partido do Governo, “sozinho”, a “desmerecer a oportunidade única”, da maioria absoluta, que recebeu nas eleições do final de janeiro do ano passado. A atual crise governativa “só tem um responsável”, o próprio primeiro-ministro, coadjuvado pelos “acólitos e indisfarçáveis aspirantes” à liderança do PS – sem os nomear, Montenegro ‘atirava’ sobre o ministro demissionário Pedro Nuno Santos, mas também novamente sobre Medina.

Os sucessivos casos que têm envolvido membros do Governo são “graves”, mas “escondem um defeito bem mais profundo, um defeito de fabrico”, criticou, concretizando com a “incapacidade de reformar”, a “postura arrogante”, as “meias verdades ou meias mentiras” e a “displicência grosseira” do Executivo. E sugeriu que “ou o Governo muda de vida ou os portugueses exigirão mudar de Governo”.

“No momento de maior crise, o primeiro-ministro desapareceu”, acusou ainda Montenegro, apesar de o próprio líder do PSD não ter estado no país nos últimos dias, tendo comentado a demissão de Pedro Nuno Santos através de um tweet e deixando para os seus vice-presidentes posteriores posições do partido sobre a crise política. Costa “não deu explicações”, “vai reaparecer hoje, de braços caídos”, e “fazer uma remodelação que, em bom rigor, nem isso é”, prosseguiu, insistindo que “não entra ninguém novo no Governo na altura mais crítica do Governo”.

Mas rejeitou o cenário de dissolução da Assembleia da República e eleições antecipadas: “Este não é tempo de abrirmos uma crise política em cima de uma crise social.” O PSD “não tem pressa de ir para o Governo”, referiu igualmente, mas “se essa hora chegar”, o partido estará “preparado” e “não faltará à chamada”. “Não nos resignamos a pântanos, a bancarrotas e ao empobrecimento”, disse Montenegro. Quanto à mensagem de Ano Novo do Presidente da República, disse concordar com as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa. Mas se uns leram que o chefe de Estado não vê no PSD uma maioria alternativa ao PS menos de um ano depois das últimas legislativas, o líder social-democrata propôs a sua interpretação: “Se não houver alternativa, não há democracia.”

Questionado sobre a administração da TAP, o líder do maior partido da oposição declarou que “cada vez fica mais evidente” que aquela “não tem condições para continuar” – e, de novo, atirou a Medina: “Se essa é a escapatória para manter o ministro das Finanças, é manifestamente insuficiente.”

A fechar, Montenegro deixou em aberto a posição do seu partido relativamente à moção de censura ao Governo anunciada pela Iniciativa Liberal na semana passada, esclarecendo que será discutida esta terça-feira na reunião da comissão política e numa outra do grupo parlamentar, em que participará.