Política

“Temos um país em lista de espera”, diz Paulo Rangel

2 setembro 2022 12:06

miguel a. lopes/ lusa

Na Universidade de verão do PSD, o eurodeputado e vice-presidente do partido defendeu o alargamento da UE, com a adesão da Ucrânia, da Moldávia e da Geórgia. “A inclusão destes países pode ser a garantia para a paz na Europa”, sustentou. Paulo Rangel teceu ainda duras críticas ao Governo que deixa o país “em lista de espera”

2 setembro 2022 12:06

“Se em janeiro me dissessem que a Ucrânia alguma vez seria membro da UE, diria com toda a certeza categórica que não. Agora parece inevitável”, afirmou Paulo Rangel, esta sexta-feira, durante um painel na Universidade de verão do PSD.

Sob o mote “A caminho de uma nova Europa”, o eurodeputado e vice-presidente do PSD saiu no painel em defesa do alargamento da União Europeia (UE), com a adesão da Ucrânia, da Moldávia e da Geórgia. “Hoje nós estamos em guerra, isso talvez desperte a consciência para a importância da UE. A UE é um projeto de paz e a inclusão destes países pode ser a garantia para a paz na Europa”, sustentou.

Admitindo que o alargamento da UE deverá gerar “tensões muito grandes”, o que vai obrigar a uma “reforma profunda”, Rangel considerou, contudo, que a Ucrânia não pode esperar 20 anos para aderir à União, ao contrário do que sugeriu o Presidente francês e António Costa, “o seu principal seguidor”. É preciso um “prazo razável”, advogou.

“Acho que temos que pensar numa nova Europa, bem diferente da que tínhamos até 24 de fevereiro e cada Estado tem que fazer o seu trabalho no seu território”, advertiu. O vice-presidente do PSD teceu assim duras críticas ao Governo e acusou o país de estar “em lista de espera”.

“Aquilo que me preocupa é que temos um Governo que colocou o país em lista de espera”, atirou, criticando o facto de ainda não ter sido nomeado um substituto para o lugar de Marta Temido. “Temos um ministro da Saúde em lista de espera, vamos estar 15 dias à espera de um novo ministro. Isto é a degradação política levado ao limite, um primeiro-ministro que não é capaz de nomear um ministro em tempo útil é um primeiro-ministro esgotado", insistiu.

Acusando de “incompetência” o Executivo de António Costa, considerou que o Governo não está em condições de responder a “desafios duros e difíceis”, numa altura em que se enfrenta uma crise inflacionista e energética.

Sobre o episódio da escolha de Sérgio Figueiredo para consultor do ministro das Finanças, Rangel acusou Fernando Medina de ter criado um lugar desnecessário, após a notícia do Expresso que dá conta de que Medina dispensou encontrar um substituto para o cargo: “Como inventa um lugar que não era necessário, qual é a legitimidade para dizer que não há dinheiro para isto ou aquilo, se ele próprio criou um cargo à medida para alguém que o acompanhou politicamente sempre?”, questionou.

Rangel fez ainda questão de criticar o caso que envolveu o ministro das Infraestruturas, que anunciou uma solução para o novo aeroporto, e que foi depois desautorizado por António Costa num despacho. “Um ministro que anuncia [uma solução] e depois o primeiro-ministro não demite o ministro. (…) Não tenhamos ilusões, a Europa não vem cá governar para nós. Temos um Governo que está totalmente impreparado e em crises sistemáticas. Temos um Governo que está à beira da falência, que entrou em verdadeira paralisia" reforçou.

Já em resposta à questão de um jovem, Rangel acusou o PS de ter “tiques de bullying ao Estado de direito", criticando de novo a escolha polémica do procurador europeu: “ Já no tempo de José Sócrates houve esse bullying e estamos claramente perante um Governo que não tem apego ao Estado de Direito, à independência do poder judicial”.

Sobre o futuro político de Costa na Europa teria “muito a dizer”, mas “provavelmente não terá a probabilidade que em Portugal se dá”,vaticinou.