Política

“Deprimente”. “Grave”. “Perigoso”. Ana Gomes arrasa apoio de Costa a Marcelo e anuncia “reflexão” sobre presidenciais

17 maio 2020 22:50

rute carvalho

Socialista ficou chocada com o apoio de António Costa a Marcelo, que diz ser um perigo por dar espaço a André Ventura. E admite agora repensar o seu "não" a uma candidatura presidencial em janeiro. "Há quem pense que o PS não é uma democracia", disse na SIC-Notícias

17 maio 2020 22:50

É um volte-face: depois de ouvir António Costa declarar apoio a uma recandidatura a Marcelo, Ana Gomes disse ao Expresso que não ia ser candidata, mas cinco dias passados deu meia-volta na decisão e reabriu o cenário: "Eu disse que não sou candidata, mas neste momento todos os democratas têm que refletir", afirmou Ana Gomes este domingo na SIC Notícias relativamente a uma potencial candidatura a Belém. "Admito refletir", reafirmou, "eu e outras pessoas".

Classificando o episódio de "lamentável, deprimente mesmo" ("nunca se viu o lançamento da recandidatura do PR ser anunciado numa fábrica por alguém que não estava sequer na qualidade de dirigente partidário, mas na de PM" e “depois de o PR ter acabado de se ingerir de forma bastante criticável nos assuntos do Governo"), a ex-diplomata mostrou preocupação com que vê as próximas presidenciais. "Isto de facto mudou muita coisa. Vem dar muita preocupação a toda a gente, aos democratas do nosso país em particular. É grave e faz-nos refletir. O candidato do regime (Marcelo) vai polarizar a sociedade e isso vai facilitar a vida dos extremos e num momento em que temos aí a extrema direita organizada. É tão grave que eu tenho que refletir se sou candidata".

Para a comentadora, de resto, esta semana houve da parte de Marcelo "uma interferência na governação". “Houve uma troca de apoios” entre o primeiro-ministro e o Presidente da República. O PM a lançar a candidatura do PR e o e PR a “tirar o tapete a Centeno e a fazer dele bode expiatório”. “Foi particularmente grave. Fragilizou ambos e tem consequências para a democracia."

"Esta crise indica que Centeno está a prazo e admito que boa parte deste esquema seja para inviabilizar a sua ida para o Banco de Portugal." Porquê? "Eles quererão garantir aí alguém mais maleável."