Holanda e Alemanha contrariam otimismo de Costa nas verbas da coesão
09.11.2019 às 21h40
Apesar do otimismo de Costa, holandeses querem mesmo cortar na coesão. Alemães são mais flexíveis, mas pouco
Manuel Fernando Araújo / Lusa
A guerra pelas centésimas na União Europeia não é apenas uma luta por números que estão depois de uma vírgula. Cada centésima reclamada pelos mais pobres, como Portugal, é vista pelos ricos como €10 mil milhões adicionais a sair dos seus bolsos. A luta orçamental continua crispada e sem um desfecho definido: “A Holanda não apoia um aumento para 1,16%”, diz ao Expresso um diplomata holandês, referindo-se à percentagem da riqueza europeia que Portugal e Hungria defendem para o próximo Quadro Financeiro Plurianual (QFP).
Mas as divergências não se ficam pelo tamanho. Para os holandeses, não se trata apenas de encolher o orçamento após a saída dos britânicos. Querem que este seja “modernizado”, “condicionado” ao respeito pelo Estado de direito e a reformas estruturais, exigem que o dinheiro deixe de ir para o que consideram ser “velhas prioridades” e passe a financiar os novos “desafios”. “Mais ambição, menos tradição”, diz a mesma fonte holandesa, adiantando que “deve haver mais cortes na política de coesão e em que só as regiões mais pobres recebam dinheiro”. A mesma tesoura é para aplicar à Política Agrícola Comum, com os fundos a serem canalizados para uma “economia europeia mais verde”. Feitas as contas, para a Holanda “isto é exequível num contexto orçamental de 1%” do Rendimento Nacional Bruto da UE a 27. Não são precisas mais 16 centésimas, ou €166 mil milhões, como defende António Costa. Nem mesmo as mais 11 décimas propostas pela Comissão.
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