As Mulheres Não Existem

Yamilet Méndez Solano: “A mulher portuguesa é contida, ao contrário das latinas ou das espanholas”

Nascida em Cuba em 1968, a bailarina Yamilet Méndez Solano é uma “menina da revolução” que dançava às escondidas do pai. Em conversa com Carla Quevedo e Matilde Torres Pereira no podcast As Mulheres Não Existem, a bailarina e atriz confirma a ideia de que “a ideia de dançar está na alma de todos os cubanos”. “O meu pai não me deixava dançar tanto como eu queria, não concordava que fosse estudar, e não fui. Então tentei entrar pelas traseiras.”

Nascida em Cuba em 1968, a bailarina Yamilet Méndez Solano é uma “menina da revolução” que dançava às escondidas do pai. Em conversa com Carla Quevedo e Matilde Torres Pereira no podcast As Mulheres Não Existem, a bailarina e atriz confirma a ideia de que “a ideia de dançar está na alma de todos os cubanos”. “O meu pai não me deixava dançar tanto como eu queria, não concordava que fosse estudar, e não fui. Então tentei entrar pelas traseiras.”

Veio para Portugal porque se apaixonou. Depois de um longo percurso nos palcos, hoje dá aulas de dança na Escola do Largo, no Chiado. Vê o país como um lugar livre, mas, no que toca às mulheres, o caso é mais complexo. Contidas, muito assombradas pelas mães, têm dificuldade em ser espontâneas. “Têm de ser puxadas. Sabem o valor que têm, mas sinto-as em segundo plano”, observa.

Criada na Cuba de Fidel Castro, hoje é a partir de Lisboa que observa a história do país. “A revolução teve coisas positivas e negativas, como tudo. Há uma coisa que se está a perder - o poder parece que enrijece, e perde-se a vontade, o amor, a família, a integridade do cubano. Mas nunca a música, nunca o baile, gracias a Dios!”

A televisão em Cuba era verdadeiramente muito culta, sublinha. “Era importante para os miúdos para saberem o que era a cultura em geral; o que era a música, a pintura… Não sabíamos nada do se passava lá fora (do país), mas nas férias de Verão, na televisão, punham os musicais da Raffaella Carrà, maravilhosa. E claro, como sou negra e a minha mãe me penteava de manhã e era difícil arranjar o cabelo, lá em casa havia uma prima que punha a Raffaella Carrà e todas as toalhas lá de casa - amarelas, rosas, vermelhas - iam parar ao cabelo para dançar com a Raffaella Carrà.”

Neste episódio de As Mulheres Não Existem, destacamos Haydée Milanés, filha do mítico músico cubano Pablo Milanés, figura cimeira da Nueva Trova, o movimento fundado pela Haydée Santamaría. Houve também tempo para uma homenagem a Gal Costa, ícone do Brasil, e, nas habituais recomendações, um discurso de Jennifer Coolidge e um 3 em 1 de exposições em Serralves: Cindy Sherman, Paula Rego e Maria Antónia Siza.

tiago pereira santos

Todas as semanas, trazemos uma nova convidada para uma conversa exclusiva sobre a sua vida e o percurso profissional - mulheres que são casos individuais e também inspiradores de determinação, curiosidade, inteligência e vontade de arriscar. Vamos também dar a conhecer histórias de mulheres que marcaram a sociedade e foram pioneiras nas suas áreas. Vamos falar das preocupações e reivindicações das mulheres hoje, e das notícias em que as mulheres são protagonistas. E a cada semana vamos trazer novas recomendações de autoras femininas ou em que as mulheres são protagonistas - desde livros, artigos, filmes e exposições a músicas e documentários.

As Mulheres Não Existem é um podcast sobre mulheres para ouvintes de todos os géneros. Pode ouvir e seguir os episódios em todas as plataformas de podcast e no site do Expresso. As Mulheres Não Existem tem o patrocínio do Banco Credibom e piscapisca.pt