A Beleza das Pequenas Coisas

Mia Tomé: “Cresci a destoar do que era a norma, por causa do meu corpo, cara e voz. Essas impedições fizeram-me voar de outra forma"

Mia Tomé deu voz aos poemas do disco de vinil “Projeto Natália”, que acaba de ser lançado para celebrar o centenário de Natália Correia, com o músico Mário George Cabral. Aos 28 anos, a atriz tem-se dividido entre o cinema, o teatro e a rádio, e atualmente conduz o podcast “Por uma canção”, na Antena 3, onde dá a conhecer as bandas sonoras do teatro português. A ultimar um projeto audiovisual filmado no Arizona, nos EUA, sobre as “Mulheres do Oeste Americano” desvalorizadas na história, Mia está determinada a criar mais lugares para o universo feminino, fora dos sonhos. “Os sonhos são para quem está a dormir. Se estão a dormir as coisas não acontecem. É preciso acordar e fazer pela vida!” Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com Bernardo Mendonça

Mia Tomé é uma atriz que se move pela curiosidade e que não se fica pelos sonhos. Por isso, muito se desdobra e desmultiplica em vários palcos e projetos para os cumprir. Aos 28 anos tem um certo olhar que nos leva a pensar que tem mais. E dá para intuir que fez das suas diferenças, dores, dificuldades e portas fechadas, como uma vantagem para se refinar, se superar e encontrar um lugar só seu. Será isto verdade? Mia responde neste podcast.

Mia é uma mulher de muitos lugares, no seu coração cabe Coimbra, o Alto Douro, a Beira Alta, a ilha de São Miguel, o Arizona, e claro, Lisboa, a cidade onde vive desde os 17 anos (e onde mora a fatia mais importante da sua família).

Aos 22 anos foi bolseira da Gulbenkian, para estudar em Nova Iorque, no The Lee Strasberg Theatre and Film Institute, mas antes licenciou-se em Teatro, pelo Conservatório Nacional. O Teatro é a sua casa de partida, e acompanha-a sempre na sua estrada. É, aliás, pelo amor ao teatro que chegou ao cinema, à rádio ou à televisão. Mia foi autora e apresentadora do programa “Querem Drama?”, no Canal Q, um formato de conversas onde o fio condutor eram espetáculos e performances, e na Antena 3 conduz atualmente o podcast “Por uma canção”, onde nos dá a conhecer as bandas sonoras do Teatro Português.

A voz é o seu principal instrumento de trabalho - e que bonita voz - que Mia usa não só nos palcos. Aliás, é bem possível que já a tenham ouvido em anúncios de marcas de café, de cremes ou de shampoo já que Mia faz muitas locuções, além de dobragens, rádio e tem integrado alguns projetos musicais.

No cinema trabalhou com realizadores como Eugenne Gree, Mario Barroso ou Diogo Lima, e no teatro com encenadores como Jorge Silva Melo, Lígia Soares, João Pedro Mamede, ou Gonçalo Amorim. Recentemente, esteve em cena com o espetáculo ”A Tristeza já me deu muitas Alegrias”, com o músico Noiserv, uma espécie de monólogo musicado, a dois, com texto de Luís Leal Miranda, sobre as angústias da infância e da pré-adolescência. E de como dissolver as dores dos dias cinzentos.

2022 foi um ano cheio de dias e projetos luminosos para si. A realizadora e criadora Luísa Sequeira convidou-a para dar voz ao filme “O que podem as Palavras”, sobre as “Novas Cartas Portuguesas” livro sísmico contra o antigo regime, de Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta, corajosamente editado por Natália Correia. E o convite de Luísa Sequeira estendeu-se para integrar o espetáculo de Teatro “Rosas de Maio” em colaboração com o Teatro Experimental do Porto.

Tudo isto… ao mesmo tempo que Mia trabalhava no álbum “Projeto Natália”, um vinil com canções-poema a celebrarem o centenário de Natália Correia, feito em parceria com o músico açoriano Mário George Cabral, um projeto belíssimo, de muito bom gosto, que demorou 3 anos a nascer. E que pode agora ser ouvido também nas plataformas digitais. Descubram-no. E ouçam-o em modo repeat.

Vale a pena partilhar aqui o início do poema de Natália, “Estranho mundo o nosso”, agora tornado canção pela voz de Mia:

“Eu não sou deste mundo. Então de qual Planeta absurdo me acontece a vida…Que o carimbo me põe de original. E a minha estrela dá como perdida?”

A mote deste poema é perguntado a Mia se, tal como Natália Correia, pensa muitas vezes que não é deste mundo? E que absurdos da vida a levam a pensar isso? A resposta pode ser ouvida logo no arranque desta conversa.

Também se desvenda um pouco sobre o próximo trabalho de Mia, que começou no fim de 2021 (que ainda é meio segredo), e parte de uma investigação sobre as “Mulheres do Oeste Americano”: para relembrar e refletir sobre as mulheres que o mito do Oeste não valorizou. Porque este é o tempo de finalmente dar palco e lugar às mulheres que foram apagadas da História.

E como não podia deixar de ser Mia canta um poema de Natália, “a capella”, lê outro e revela algumas das músicas que a acompanham.

Isto e muito, muito mais para escutarem com tempo.

Como sabem, o genérico é uma criação original da Joana Espadinha. Os retratos são da autoria de José Fernandes. A sonoplastia deste podcast é do João Martins

Voltamos para a semana com mais uma pessoa convidada. Até lá, já sabem: pratiquem a empatia, boas escutas e boas conversas!

Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail: BMendonca@expresso.impresa.pt

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