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Os monstros que moravam no armário

O que é que o Presidente pensava quando escolheu ser o único chefe de Estado europeu, com Viktor Orbán, na tomada de posse de Bolsonaro? Conhece-se a justificação: pretendia dar um sinal de tranquilidade à comunidade portuguesa no Brasil (num excesso de zelo, o editorial do “Público” diz que “não podia faltar”, como quase todos os dirigentes mundiais). Mas já é mais estranho que se tenha precipitado a convidar o homem a visitar Portugal nos meses seguintes à nossa próxima eleição parlamentar. É um risco demasiado elevado: se Bolsonaro concretizar pouco que seja a sua promessa de prender ou exilar os seus opositores, se a generalização do acesso a armas tiver o efeito que se adivinha, se a militarização das cidades ou a repressão dos movimentos sociais cumprir a agenda anunciada, Portugal fica numa situação diplomática impossível, recebendo quem é indesejável. A presunção de domar a onça com coktails civilizados é frágil perante a realidade da vida, visto que o Presidente brasileiro não é só um rufia que tanto pode invocar Deus como a bala, ele representa agora forças sociais e políticas consistentes que procurarão dar coerência ao seu mandato. O que fizer será por escolha e não por frivolidade. Um cálice de Porto num banquete nas Necessidades não mudará a raiva social que esta eleição representa no Brasil.

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