Opinião

Estava fadado

30 dezembro 2022 0:26

Pedro Nuno Santos estava fadado a sair deste Governo. Sai assumindo a responsabilidade política do que acontece no seu ministério. Nem todos podem ser Costa, que, com onze governantes demitidos em nove meses, nunca assume as responsabilidades do que sabe, do que não sabe e do que prefere não saber

30 dezembro 2022 0:26

A demissão de Alexandra Reis tornou-se inevitável desde que saiu o comunicado da TAP. Já era evidente que a presidente da empresa a tinha querido fora do Conselho de Administração, convidando-a a rescindir. O que resulta do comunicado foi que a TAP optou por negociar a rescisão para não seguir o Estatuto do Gestor Público. Depois do esclarecimento, Medina não podia fazer outra coisa. Como iria uma secretária de Estado do Tesouro que custou meio milhão ao Estado explicar que, apesar dos excedentes orçamentais, não há dinheiro para travar a degradação de serviços públicos? A demissão de Hugo Mendes tornou-se inevitável quando se percebeu que autorizou uma solução que lhe foi vendida como a melhor. A ex-administradora teria sempre de ser pressio­nada para devolver o que não lhe era devido depois de ir para a NAV. E a administração da TAP nunca mais poderá conti­nuar a dizer que os trabalhadores em greve põem em perigo uma empresa salva com dinheiros públicos depois de ter estourado meio milhão para se ver livre de uma administradora. Quanto a Pedro Nuno Santos, mesmo que não soubesse do acordo final, nunca deixariam de dizer que tinha de saber. Atirar a culpa para o “porteiro” seria feio. As legítimas dúvidas legais e a revolta popular com esta indemnização não o abandonariam.