Opinião

A caminho de Gileade, a luta pelos “nossos valores” começa do lado de cá

27 junho 2022 8:20

Meio século depois de Roe vs. Wade, cerca de 36 milhões de mulheres em idade reprodutiva deverão ser impedidas de recorrer ao aborto. É a maior reversão nos direitos das mulheres desde a II Guerra. Os próximos alvos serão os direitos LGBT. A luta pelos "nossos valores", que estão longe de ser de todos nós, está a acontecer na nossa casa. Os inimigos dos direitos das mulheres ou homossexuais estão no meio de nós. E nos EUA estão a vencer

27 junho 2022 8:20

A bomba rebentou a 2 de maio, quando, de forma inédita, um documento do Supremo chegou à imprensa. O impensável ia acontecer: o caso Roe v. Wade, que levou a uma sentença em 1973 que deu às mulheres o direito de interromper a gravidez nos primeiros três meses e permitiu restrições no segundo trimestre e a proibições no terceiro, ia ser revisto. A reversão de decisões do Supremo, sendo rara, não é inédita. A novidade é servir para diminuir direitos individuais e não para os expandir. A regressão no direito ao aborto é uma raridade a nível mundial. 31 países expandiram o acesso legal ao aborto desde o início do século, apenas três o limitaram: Nicarágua, Polónia e agora os EUA.