Isabel II

Oferta ou roubo? África da Sul apela à família real britânica que devolva o maior diamante lapidado do mundo

16 setembro 2022 15:12

max mumby/indigo/getty images

Opiniões sobre a propriedade do intitulado Grande Estrela de África dividem-se: foi um presente oferecido ao rei Eduardo VII ou trata-se de um diamante “roubado”? Discussão surge na África do Sul depois da morte de Isabel II

16 setembro 2022 15:12

Na sequência da morte da rainha Isabel II, na África do Sul têm aumentado os apelos para que a família real britânica devolva o maior diamante lapidado do mundo, conhecido como Grande Estrela de África ou Cullinan I. O diamante tem origem na África do Sul, onde foi cortado de uma gema maior extraída em 1905 e entregue pelas autoridades coloniais sul-africanas à família real britânica.

Os meios de comunicação sul-africanos têm debatido a propriedade da joia e os pedidos de pagamento de reparações. “O diamante Cullinan deve ser devolvido à África do Sul com efeito imediato. Os minerais do nosso país e de outros países continuam a beneficiar a Grã-Bretanha à custa do nosso povo”, defendeu o ativista Thanduxolo Sabelo. Foi criada uma petição, já assinada por mais de 6300 pessoas, para que o diamante seja devolvido e exposto num museu sul-africano.

O deputado e líder do partido African Transformation Movement [Movimento para a Transformação Africana], Vuyolwethu Zungula, instou a África do Sul a “exigir a reparação de todos os danos causados pela Grã-Bretanha” e a “devolução de todo o ouro e diamantes roubados”. A porta-voz do partido Economic Freedom Fighters, Leigh-Ann Mathys, apelou a “repatriações para todos os roubos coloniais, dos quais faz parte o roubo da Grande Estrela de África”.

De acordo com o Royal Collection Trust, que supervisiona a coleção da família real britânica, o diamante Cullinan foi oferecido ao rei Eduardo VII em 1907, dois anos depois de ter sido descoberto numa mina privada na antiga província de Transvaal, na África do Sul. A lapidação coube à empresa Royal Asscher, dos Países Baixos, que indica que o diamante foi um presente de aniversário ao rei.

Por outro lado, o professor de política africana da Universidade da África do Sul, Everisto Benyera, considera que “as transações coloniais são ilegítimas e imorais”. “A nossa narrativa é que todos os governos de Transvaal e da União da África do Sul e os sindicatos mineiros concomitantes eram ilegais”, explicou à CNN. “Receber um diamante roubado não exonera o recetor. A Grande Estrela é um diamante de sangue. A empresa mineira privada, o governo de Transvaal e o Império Britânico faziam parte de uma rede maior de colonialismo”, acrescentou.

O diamante Cullinan foi cortado em nove grandes pedras e 96 peças mais pequenas. A maior das pedras foi chamada de Grande Estrela de África e a segunda maior intitulada de Estrela Menor de África pelo rei Eduardo VII. O diamante maior foi colocado no ceptro do soberano e o segundo na coroa imperial. A rainha Isabel II usou ambos os diamantes em vários retratos.