Internacional

"O Irão é aqui": dezenas de milhares de pessoas manifestam-se contra Governo de Israel

14 janeiro 2023 22:40

Apesar da chuva que caía no centro da cidade, muitos manifestantes estavam acompanhados das famílias

anadolu agency

Setenta mil pessoas protestaram contra a coligação no poder, que alia os partidos de direita, extrema-direita e ultraortodoxos judeus. Os manifestantes temem uma deriva antidemocrática e a presença de tendências homofóbicas no Governo

14 janeiro 2023 22:40

Dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se neste sábado no centro de Telavive, em Israel, contra a política da coligação no poder que alia os partidos de direita, extrema-direita e ultraortodoxos judeus, receando uma deriva antidemocrática no país.

Chamados a manifestar-se por uma organização anticorrupção, os autores do protesto gritaram palavras de ordem apelando para que "salvem a democracia", e impedir uma "reversão do regime" político em vigor em Israel desde a sua criação, em 1948.

Partidos do centro, da esquerda, e a aliança dos partidos árabes Hadash-Taal apelaram à manifestação da população, em particular contra a reforma da justiça, apresentada a 4 de janeiro pelo Governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, alvo de vários processos de presumível corrupção.

Outros manifestantes clamaram pelo fim da ocupação israelita na Cisjordânia, e ainda há os que temem pela presença de tendências homofóbicas no Governo que possam colocar em risco os direitos da comunidade LGBTQ.

Apesar da chuva que caía no centro da cidade, muitos manifestantes estavam acompanhados das famílias, constatou a agência France Presse no local. De acordo com a polícia, citada pelo jornal Há'aretz, estiveram 70 mil pessoas no protesto.

"É chegado o tempo de fazer cair o ditador", "Não há democracia com a ocupação", e "o Irão é aqui", eram algumas das palavras de ordem inscritas em cartazes a circular na rua.

O organizador da manifestação - Movimento das Bandeiras Negras - dinamizou uma campanha de contestação contra Netanyahu entre julho de 2020 e junho de 2021, exigindo a sua demissão devido aos escândalos de corrupção que envolviam o nome do primeiro-ministro.