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“Não creio que haja qualquer tentativa iminente por parte da China de invadir Taiwan”, diz Joe Biden

“Não creio que haja qualquer tentativa iminente por parte da China de invadir Taiwan”, diz Joe Biden
MICHAEL REYNOLDS/Reuters

No seguimento do primeiro encontro ao vivo entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, o líder americano mostrou-se confiante de que “não haverá uma Guerra Fria” entre os dois países nem invasão iminente de Taiwan. Além da guerra, Biden levantou questões associadas a direitos humanos

Os líderes das duas maiores forças económicas mundiais encontraram-se esta segunda-feira em Bali, na Indonésia. Os presidentes americano, Joe Biden, e chinês, Xi Jinping, apertaram mãos antes de se sentarem para uma reunião que durou cerca de três horas.

“Acredito absolutamente que não haverá nova Guerra Fria [com a China]. Fomos claros e sinceros um com o outro em todos os aspetos. Não creio que haja qualquer tentativa iminente por parte da China de invadir Taiwan e deixei claro que a nossa política em relação a Taiwan não mudou”, afirmou o Presidente americano, numa conferência de imprensa depois da reunião.

Biden acrescentou ter deixado claro que se pretende que os problemas entre a China Continental e Taiwan sejam “resolvidos pacificamente”. A Casa Branca deu a conhecer que ficou acordado que o secretário de Estado Antony Blinken vai fazer uma visita à China.

Sobre a atitude de Xi no encontro, não observou mudanças de comportamento. “Estava como sempre foi: direto e claro”, contou, acrescentando que considera que o chinês está disposto a chegar a compromissos em vários temas.

O resumo apresentado pela Casa Branca sobre o encontro diz que Biden levantou preocupações com direitos humanos e práticas em Xinjiang, no Tibete e em Hong Kong. Taiwan constou das preocupações levantadas por Biden, que indicou não terem existido mudanças no reconhecimento de uma só China.

“Levantou objeções dos Estados Unidos sobre as ações cada vez mais agressivas e coercivas contra Taiwan, que prejudicam a paz e estabilidade no Estreito de Taiwan e na região, e que prejudica a prosperidade global”, pode ler-se no comunicado.

Os dois dirigentes também falaram sobre a invasão da Ucrânia, com a Casa Branca a indicar que ambos concordam que “uma guerra nuclear nunca deve ser travada e nunca poderá ser ganha e frisaram a sua oposição ao uso de armas nucleares na Ucrânia”.

O apelo de Biden: que os dois países “evitem que a competição se torne conflito”

Segundo o jornal “The New York Times”, Biden e Xi falaram através de telefonema e videchamada cinco vezes, mas é a primeira vez que se encontram presencialmente desde que assumiram a liderança dos respetivos países.

“Como líderes das nossas duas nações, partilhamos a responsabilidade de mostrar que a China e os Estados Unidos conseguem gerir as suas diferenças, evitar que a competição se torne conflito, e encontrar formas de trabalhar juntos em questões globais urgentes, que exigem a nossa cooperação mútua”, disse Biden, no início da reunião.

Citado pela CNN, Xi destacou que “a relação China-EUA está numa tal situação que todos nos preocupamos muito com ela, porque não é do interesse fundamental dos nossos dois países e povos, e não é o que a comunidade internacional espera de nós”.

O encontro surge numa altura de tensão crescente entre os dois países. Um documento da Casa Branca de outubro sobre a estratégia americana de segurança nacional colocou a superação da competição com a China como uma das prioridades mundiais e o desafio geopolítico “mais importante” dos Estados Unidos.

“A República Popular da China é o único concorrente com a intenção de mudar a ordem internacional e tem cada vez mais poder económico, diplomático, militar e tecnológico para fazê-lo. Pequim tem a ambição de criar uma esfera de influência reforçada no Indo-Pacífico e de se tornar a principal potência mundial”, lê-se no documento.

Segundo a agência Lusa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, disse esperar trabalho conjunto para “evitar mal-entendidos e julgamentos equivocados e colocar as relações de volta no caminho certo”.

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