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“Não quero saber se estavam de chinelos e calções, tinham de entrar”: atuação da polícia no massacre de Uvalde foi arrasada

21 junho 2022 23:50

brandon bell

Steve McCraw, diretor do departamento de segurança pública do Texas, foi ouvido esta terça-feira no Senado e garantiu que o chefe da polícia no local colocou “a vida dos polícias à frente da vida das crianças“ e tomou "decisões terríveis"

21 junho 2022 23:50

Os cerca de 20 polícias que foram os primeiros a chegar à escola onde ocorreu o massacre de Uvalde, no Texas, podiam ter travado o atacante apenas três minutos depois de este ter entrado no local. Quem o disse foi Steve McCraw, diretor do departamento de segurança pública do Texas, durante uma audição no Senado esta terça-feira sobre a atuação das forças de segurança na tragédia de 24 de maio, em que 19 crianças e dois professores perderam a vida.

Segundo a CBS, McCraw garantiu que a resposta da polícia foi um “falhanço abjeto” e que o chefe da polícia do distrito escolar de Uvalde, Pete Arredondo, colocou “a vida dos polícias à frente da vida das crianças“.

De acordo com o responsável, as autoridades podiam ter arrombado a porta da sala onde se acreditava estar o atacante (utilizando um pé de cabra), mas escolheram esperar pela chave da porta – chave essa que não era necessária, dado que a porta não podia ser trancada a partir do interior.

Os polícias no local esperaram durante mais de 45 minutos por uma unidade de intervenção da Patrulha de Fronteira, dado que o chefe da polícia do distrito acreditava que o atacante estava barricado numa das salas e que por isso não havia perigo de vida para os alunos, apesar de vários alunos terem telefonado a pedir ajuda.

“Não quero saber se [os agentes] estavam de chinelos e calções, tinham de entrar”, disse McCraw, caracterizando as decisões do chefe da polícia como “terríveis” e lembrando que Arredondo não tinha sequer um equipamento de comunicação (rádio) com ele.

A atuação de Pete Arredondo está a ser bastante criticada pelos familiares das vítimas, mas o responsável das forças de segurança no local já veio a público dizer que não se considera responsável pelo desenrolar dos acontecimentos, pois assumiu que outro polícia estaria a dirigir as operações.