Sistema financeiro

Governo volta a cancelar concurso para venda do banco da CGD no Brasil

19 janeiro 2023 16:08

tiago miranda

O processo de alienação do banco da Caixa Geral de Depósitos no Brasil iniciado em 2021 teve o mesmo destino que o que arrancou em 2017: foi anulado, por decisão do Conselho de Ministros desta quinta-feira

19 janeiro 2023 16:08

O Governo cancelou o processo de venda da instituição bancária que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) tem no Brasil e que desde 2017 está para sair da esfera do banco público. A decisão saiu do Conselho de Ministros desta quinta-feira, 19 de janeiro.

“Foi aprovada a resolução que determina a anulação do processo de alienação das ações representativas do capital social do Banco Caixa Geral - Brasil, S.A. detidas, direta e indiretamente, pela Caixa Geral de Depósitos, S.A., e de alienação da totalidade ou parte do capital social das sociedades detidas, direta ou indiretamente, pela Sociedade, incluindo a totalidade ou parte dos respetivos ativos”, segundo o comunicado que saiu após a reunião dos ministros. Fernando Medina é quem tem a tutela da CGD.

Este anúncio data de 19 de janeiro de 2023, mas a verdade é que Paulo Macedo já tinha anunciado publicamente, no verão passado, que a proposta da administração da CGD seria “esperar por desenvolvimentos no Brasil” e abandonar o processo em curso. Há um ano que a Caixa já tinha mostrado essa vontade ao acionista Estado. Este processo de venda, o segundo formalmente criado, tinha-se iniciado em maio de 2021.

“As propostas recebidas no âmbito do processo de venda não foram consideradas aceitáveis por parte da CGD, pelo que foi recomendado ao acionista o cancelamento desse processo, que agora se materializou”, respondeu ao Expresso a instituição financeira depois de questionada por conta da decisão do Conselho de Ministros.

Para a frente há ainda dúvidas: “A Caixa continuará a avaliar os potenciais cenários estratégicos relativamente a esta filial, incluindo uma futura alienação”. O banco continua em operação, especializado “no apoio às filiais de empresas portuguesas no Brasil e a particulares de elevado rendimento residentes no Brasil com interesses patrimoniais em Portugal”.

Nenhuma proposta boa no concurso anterior

Desde 2017, quando a Caixa começou a trabalhar no plano de reestruturação negociado com a Comissão Europeia, que esta unidade no Brasil está para venda, mas até aqui sem sucesso. O processo iniciado em 2017 caiu em 2020. “Nenhuma das propostas recebidas foi considerada aceitável por parte da CGD”, anunciou a Caixa no seu relatório e contas.

A turbulência económica e política que se tem vivido no país nos últimos anos tem dificultado a colocação no mercado. Nem mesmo a reestruturação que a unidade tem realizado conseguiu levar a um desfecho positivo.

“Não obstante as dificuldades atuais, em parte associadas ao impacto da pandemia Covid-19, o Conselho de Administração da CGD mantém a intenção de alienação da participação no BCG Brasil, encontrando-se a avaliar as circunstâncias e os termos em que esta se poderá realizar de acordo com os seus objetivos e os melhores interesses do seu acionista”, era o que apontava a Caixa no relatório e contas do primeiro semestre de 2022, publicado na segunda metade do ano.

Além do Brasil, a CGD está também a vender um dos dois bancos que tem em Cabo Verde. Isto depois de várias alienações que tiveram lugar quando decorria a reestruturação, que terminou em 2020.

(notícia atualizada às 18h12 com posição da CGD)