Economia

João Leão: CGD deveria ter "papel importante" na subida dos juros dos depósitos

12 janeiro 2023 8:44

Ex-ministro das Finanças, João Leão

tiago petinga/lusa

A CGD "devia ter um papel importante de ir aumentando a remuneração dos depósitos” numa altura de rendibilidade quase nula na banca nacional, disse o antigo ministro ao Público e à Renascença

12 janeiro 2023 8:44

O banco do Estado deveria ter um "papel importante" no aumento da remuneração dos depósitos, defende o antigo ministro das Finanças, João Leão, em entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença publicada esta quinta-feira, 12 de janeiro.

Num contexto de subida das taxas de juro pelo Banco Central Europeu (BCE), que não está a ser acompanhada pela grande maioria dos bancos portugueses, que ainda oferecem muito baixo rendimento nos produtos de depósito, João Leão considera “importante também que a Caixa [Geral de Depósitos (CGD)] tenha um contributo positivo nesse processo” de normalização das taxas de juro.

“A banca comercial tem remunerações de depósitos próximas de zero. Ainda há aqui uma grande discrepância”, sublinhou.

“Penso que a Caixa devia ter um papel importante de ir aumentando a remuneração dos depósitos, porque é nesse sentido que o mercado estaria a funcionar de forma mais regular”, defendeu ao jornal. Mas salientou que “é natural que este processo seja gradual” e disse que não interferiria se ainda fosse ministro das Finanças.

A CGD vai começar a oferecer uma rendibilidade de 1,1% a depósitos a prazo, com não-mobilização a 15 meses e com valor mínimo de aplicação de 100 mil euros.

Sobre o caso da indemnização de meio milhão de euros pela TAP à antiga secretária de Estado do Tesouro Alexandra Reis, João Leão disse ao Público e à Renascença que “a decisão foi tomada antes de o atual ministro das Finanças assumir funções”, mas não passou pelo seu mandato: “É uma decisão que foi tomada pela administração da TAP. Devia ter sido consultado o Ministério das Finanças que é o accionista do Estado. (…) Foi um erro da administração da TAP.”

O antecessor de Fernando Medina no Terreiro do Paço disse também que, no caso da antiga secretária de Estado do Turismo Rita Marques, que aceitou um cargo numa empresa apoiada financeiramente pelo ministério, “a ilação que retiramos é que se, como parece, não se está a cumprir a lei, não se devia aceitar aquele lugar”.

Interrogado sobre se Marques devia demitir-se do cargo na Fladgate Partnership, Leão respondeu: “penso que se pode retirar essa avaliação (…) é importante é que temos que ter perante os cidadãos um dever claro de cumprimento da lei”.