Economia

Economia portuguesa não consegue descolar em outubro face a 2021

Foto: Getty Images
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O ligeiro crescimento da atividade económica no país no arranque de outubro - depois de ter estado quase estagnada ou sofrido mesmo variações negativas em setembro - já foi invertido, sinaliza o Banco de Portugal

Com a crise energética sem fim à vista, a inflação a manter-se elevada, e os juros a continuarem a subir, a economia portuguesa não está a conseguir descolar em outubro, mantendo-se quase estagnada face ao mesmo período do ano passado.

É isso que sinaliza o indicador diário de atividade económica (DEI), calculado pelo Banco de Portugal (BdP). Os dados foram atualizados esta quinta-feira e, segundo uma nota publicada pelo BdP na sua página na internet, “na semana terminada a 16 de outubro, o indicador diário de atividade económica (DEI) aponta para uma taxa de variação homóloga da atividade em linha com a observada nas semanas anteriores”.

Recorde-se que nas semanas anteriores este indicador tem oscilado entre ligeiros crescimentos e ligeiras quedas, sem uma tendência definida em termos de evolução da atividade económica no país. São oscilações que alternam um pouco acima ou abaixo de zero, e sinalizam uma estagnação.

De facto, na semana terminada a 16 de outubro – que abrange o período entre 10 de outubro e 16 de outubro –, a média móvel semanal do DEI indica uma queda homóloga da atividade económica de 0,1%.

Isto depois de na semana anterior – que abrange o período entre 3 de outubro e 9 de outubro – ter registado um crescimento de 0,9%. Já na semana terminada a 2 de outubro, sinalizar uma queda de 2,2%.

O BdP calcula também a taxa trienal do DEI, que traduz o crescimento acumulado num período de três anos, ou seja, entre 2019 - antes da crise pandémica - e 2022.

Este indicador estava em terreno positivo fevereiro, sinalizando que a atividade económica em Portugal está acima do patamar pré-crise.

Contudo, em setembro voltou a oscilar entre valores negativos e positivos e está abaixo da linha de água desde o início de outubro. Na semana terminada a 16 de outubro a queda é de 1,8%, sinalizando que a atividade económica no país ficou abaixo do registado no mesmo período de 2019, antes da pandemia.

Além disso, é uma contração mais expressiva do que na semana anterior, quando esta taxa trienal ficou nos -0,6%.

O DEI é um indicador compósito, calculado pelo BdP, que reúne dados de alta frequência e procura traçar um retrato, quase em tempo real, da evolução da atividade económica em Portugal. Assim, cobre diversas dimensões, sumariando a informação das seguintes variáveis diárias: tráfego rodoviário de veículos comerciais pesados nas autoestradas, consumo de eletricidade e de gás natural, carga e correio desembarcados nos aeroportos nacionais e compras efetuadas com cartões em Portugal por residentes e não residentes. Os dados são habitualmente atualizados à quinta-feira pelo BdP, podendo os valores passados ser revistos pelo banco central.

Atividade económica voltou a abrandar em setembro

O BdP publicou ainda esta quinta-feira os indicadores coincidentes mensais para a atividade económica e para o consumo privado e, em linha com o sinalizado pelo DEI, estes indicadores indicam um abrandamento.

“Em setembro, os indicadores coincidentes para a atividade económica e para o consumo privado voltaram a apresentar uma taxa inferior à do mês anterior”, escreve o BdP.

No que toca ao indicador coincidente para a atividade económica, que procura captar a tendência de evolução do Produto Interno Bruto (PIB), registou em setembro uma taxa de variação homóloga de 6,2%, o que compara com 6,5% em agosto, 6,7% em julho, 7% em junho, e 7,3% em maio.

Quanto ao indicador coincidente para o consumo privado - que procura captar a tendência de evolução deste agregado macroeconómico - cresceu 2,3% em setembro em termos homólogos, um valor abaixo dos 2,9% de agosto, dos 3,6% de julho, dos 4,4% de junho, e dos 5,2% de maio.

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