Economia

"Super quinta-feira" de juros: bancos centrais mundiais correm atrás da inflação

22 setembro 2022 20:03

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Quase todos os bancos centrais mundiais estão a acelerar as subidas das taxas de juro para limitar o quanto antes a trajetória de subida dos preços. Com algumas, e notáveis, excepções

22 setembro 2022 20:03

Esta quinta-feira foi uma verdadeira “super quinta-feira”, na expressão do banco ING, de decisões de política monetária numa altura em que a inflação volta a fazer das suas depois de anos e anos adormecida.

E nesta quinta-feira todos os bancos que tinham revisões de taxas de juro a fazer aumentaram-nas - à excepção do Japão e da Turquia, dois bancos centrais com políticas monetárias pouco ortodoxas. Vejamos.

Reino Unido. O Banco de Inglaterra aumentou a taxa de juro de 1,75% para 2,25% - em 50 pontos-base, portanto - fixando a taxa diretora no nível mais alto desde dezembro de 2008, poucos meses depois do início da grande crise financeira mundial que viria a desencadear mais de uma década de políticas monetárias acomodatícias. A reunião estava prevista para 14 de setembro mas foi adiada devido à morte da rainha Isabel II.

Suíça. Apesar de registar uma taxa de inflação de apenas 3,5% em agosto, muito abaixo de certas taxas de inflação europeias que já superam os 10%, o banco central helvético subiu a taxa de juro de -0,25% para 0,5%, saindo do território das taxas negativas pela primeira vez em anos e efetuando um aumento de 75 pontos-base que é o maior da sua história.

Noruega. Oslo aumentou em 50 pontos-base, para 2,25%, a taxa de juro de referência, que está atualmente em máximos de 2011, mas já sinalizou que deverá ter chegado a um pico a trajetória da inflação.

Indonésia. Jacarta subiu em 50 pontos-base a taxa de recompra a sete dias em 50 pontos-base para os 4,25%, acima do esperado, para limitar uma taxa de inflação que prevêem que ultrapasse os 6% devido à subida em 30% dos preços dos combustíveis decretada pelo governo em setembro.

Japão. O Japão manteve a meta para a taxa de juro de curto-prazo nos -0,1% alegando que é necessário uma política acomodatícia para estimular o crescimento económico. A decisão provocou uma queda do valor do iene ao valor mais baixo em 24 anos que forçou o banco central a intervir, pela primeira vez desde o final dos anos 1990, no mercado de câmbio para estancar a hemorragia.

Turquia. Em Ancara, pelo segundo mês consecutivo, a taxa de juro foi revista em baixa para estimular o crédito e o crescimento económico, de 13% para 12%. A Turquia lida há mais de um ano com uma inflação média que superou os 80% em agosto e que desvalorizou a lira turca para mínimos recorde sucessivamente renovados.

'Super semana'

Este foi um dia cheio numa semana já de si recheada de decisões de política monetária relevantes. Na terça, o Riksbank da Suécia fez um aumento de 100 pontos-base da sua taxa diretora. Na quarta-feira, já o banco central do Brasil tinha deixado a taxa de juro inalterada depois de 12 aumentos consecutivos.

Mas, na quarta-feira, foi a Reserva Federal dos Estados Unidos quem marcou o dia ao aumentar a taxa diretora em 75 pontos-base para o intervalo 3% - 3,25%, outro salto de lebre na luta contra a subida generalizada dos preços na maior economia do mundo.

Pela terceira vez consecutiva desde junho, a Fed faz um aumento desta magnitude e foi uma decisão unânime no encontro de setembro do Comité de Mercado Aberto: entre "falcões" e "pombas" não houve voto vencido tal é o sentido de urgência no combate à inflação, cujo principal indicador abrandou em agosto para os 8,3% graças à queda dos preços da energia nos mercados internacionais, mas ainda em máximos de várias décadas.