Economia

Estrangeiros compram recorde de casas em Lisboa. Norte-americanos ultrapassam franceses e chineses

11 abril 2022 15:41

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Investimento estrangeiro em habitação em Lisboa ultrapassou o anterior recorde de, segundo a Confidencial Imobiliário. Norte-americanos têm a fatia do leão, entre as 83 nacionalidades ativas na capital

11 abril 2022 15:41

Os cidadãos dos EUA tornaram-se mais ativos do que franceses e chineses nas compras de casas em 2021 na Área de Reabilitação Urbana de Lisboa, que cobre a generalidade do território da capital com exceção da Alta de Lisboa, as Laranjeiras e o Parque das Nações.

Fruto do desconfinamento gradual a partir do segundo semestre do ano passado, conjugado com o anunciado fim dos vistos gold no final do ano, o investimento estrangeiro em habitação em Lisboa ultrapassou o anterior recorde registado em 2019, o melhor ano de sempre no período pré-pandemia.

Em 2021, os estrangeiros adquiriram um total de 1.767 imóveis residenciais na ARU de Lisboa no valor total de €923,1 milhões, contabilizando-se 83 nacionalidades ativas na capital, revela um estudo divulgado esta segunda-feira pela Confidencial Imobiliário. O estudo diz respeito apenas a transações feitas por particulares e das 24 freguesias da cidade só não inclui as do Lumiar, Parque das Nações e de Santa Clara.

De acordo com a Confidencial Imobiliário, o montante investido em 2021 ultrapassa em mais de 20% acima do melhor ano de investimento estrangeiro, que tinha sido 2019, com 762 milhões de euros transacionados. Já quanto ao número de imóveis, a evolução de 2021 face ao melhor ano foi de 6%, quando também em 2019, os estrangeiros adquiriram 1.673 imóveis residenciais.

Valor médio de compra ultrapassa o meio milhão

O valor médio das compras registadas no ano passado foi de 520 mil euros, ultrapassando pela primeira vez a média de 500 mil euros observada nos investimentos de não-residentes. O valor médio das operações efetuadas por estrangeiros ultrapassa em 48% os €353,7 mil euros investidos, em média por operação, pelos portugueses no mesmo período.

Os cidadão norte-americanos foram os estrangeiros mais dinâmicos no ano passado, com €134 milhões de euros em compras residenciais na ARU de Lisboa, equivalente a uma quota de 15% do mercado total. Seguem-se os franceses, com 126,1 milhões de euros transacionados (quota de 14%), e pelos chineses, com €119,7 milhões investidos (quota de 13%). Em quarto lugar, surgem os cidadãos britânicos – que reforçam a sua expansão a partir do Algarve, onde são tradicionalmente os mais ativos - com 91,4 milhões de euros investidos (quota de cerca de 10%), sendo o top 5 integrado ainda pelos brasileiros, que totalizaram um investimento na ordem dos 67,7 milhões de euros (quota de 7%).

Em termos de destinos, a freguesia de Santo António continua a ser o principal alvo do capital estrangeiro, captando 176,6 milhões de euros em 2021. Arroios foi a segunda freguesia mais procurada por não-residentes, somando 142,7 milhões de euros de aquisições em habitação, seguida pela Estrela, onde o investimento internacional totalizou 106,9 milhões de euros. A Misericórdia, a única freguesia do Centro Histórico entre os cinco principais destinos de compras internacionais, registou um investimento de cerca de 100 milhões de euros. As Avenidas Novas fecham o top 5, ao captarem cerca de 98 milhões de euros de investimento estrangeiro em 2021.

Estrangeiros mantêm quota

A Confidencial Imobiliário nota ainda que os estrangeiros mantiveram a sua quota de mercado estável, ficando em 38% do montante total investido em habitação na ARU de Lisboa 2021, pois também o investimento de origem portuguesa evoluiu positivamente face ao pré-Covid. Em 2021, os portugueses investiram 1.535 milhões de euros na aquisição de 4.354 imóveis na ARU de Lisboa. Este montante reflete um aumento de 10% face a 2019, enquanto o número de imóveis é semelhante ao registado em 2019.

No total, entre estrangeiros e portugueses, foram adquiridos cerca de 6.100 imóveis de habitação na ARU de Lisboa num investimento de 2,46 mil milhões de euros. No global, o montante investido em habitação na ARU de Lisboa aumentou 14% em comparação com 2019, enquanto o número de operações se manteve inalterada face ao pré-Covid.