Economia

Berardo “está muito sereno e muito calmo” mas advogado critica atraso na investigação

29 junho 2021 19:30

tiago miranda

Saragoça da Matta assegura defesa de José Berardo em dia de detenção por investigação a crimes na relação com a Caixa Geral de Depósitos

29 junho 2021 19:30

O advogado que está agora a assessorar José Berardo, Paulo Saragoça da Matta, declarou que o seu cliente está “muito sereno”, apesar da investigação em que é imputada a prática de crimes ligados com as suas dívidas à Caixa Geral de Depósitos.

“Está muito sereno, está muito calmo”, disse Saragoça da Matta, que já foi advogado de Berardo na questão da possível retirada das condecorações do Estado português e que segue agora a assegurar a sua defesa neste processo, já que o mais próximo advogado do empresário, André Luiz Gomes, está igualmente detido no âmbito da mesma investigação.

Em declarações transmitidas pela SIC Notícias, à porta dos edifícios da Polícia Judiciária e do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, que levam a cabo a investigação e as diligências neste caso, Saragoça da Matta criticou o calendário do processo, aberto em 2016 mas que só agora levou às primeiras detenções.

“Acho sempre curiosas estas investigações que duram 5 ou 6 anos e só depois é que alguém se lembra de haver uma detenção”, atacou. A investigação iniciou-se sobre os atos de gestão da Caixa Geral de Depósitos, mas é um dos seus maiores devedores, Berardo, que surge como protagonista nas primeiras diligências conhecidas.

Sobre o comunicado do DCIAP, que refere que não foi possível ser mais célere “apenas por carência de meios técnicos e outros ajustados à natureza, dimensão e complexidade da investigação”, o advogado deixou críticas. “Nunca me lembro de haver meios. Há mais meios hoje do que havia há 27 anos”, disse, referindo-se ao período em que se iniciou na advocacia.

Saragoça da Matta confirmou diligências e a detenção, mas José Berardo só deverá ser ouvido perante o juiz de instrução esta quarta-feira, onde ficará a conhecer as medidas de coação e aquilo de que é efetivamente suspeito.

“Foram efetuadas 51 buscas, sendo 22 buscas domiciliárias, 25 buscas não domiciliárias, 3 buscas em instituição bancária e 1 busca em escritório de advogado”, tinha dito já a Polícia Judiciária quando foi anunciada a operação, em conjunto com o DCIAP, por conta da “suspeita da prática dos crimes de administração danosa, burla qualificada, fraude fiscal e branqueamento”.

Berardo deve cerca de mil milhões de euros à CGD, BCP e Novo Banco, valores que estão por devolver. Em investigação está a sua atuação e a possibilidade de ter tentado dificultar o acesso dos bancos às garantias dos empréstimos concedidos.