Economia

BCE junta-se ao FMI: é preciso investimento público

19 novembro 2020 11:05

ralph orlowski/getty images

Christine Lagarde disse esta quinta-feira no Parlamento Europeu que o investimento público é a política que terá maior impacto no curto prazo no combate à crise gerada pela pandemia da covid-19. A presidente do BCE juntou-se às recomendações feitas por Vítor Gaspar, do Fundo Monetário Internacional, em outubro

19 novembro 2020 11:05

"O investimento público é o instrumento que terá maior impacto no curto prazo sobre a procura, restaurando mais rapidamente a confiança e revelando um efeito multiplicador mais elevado", afirmou esta quinta-feira Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), no Parlamento Europeu.

Lagarde respondia a perguntas no Comité de Economia e de Assuntos Monetários colocadas pelos deputados europeus no âmbito do "diálogo" regular entre o BCE e aquela instituição.

Com a insistência na importância do investimento público como eixo da política orçamental, a presidente do banco central juntou-se às recomendações políticas feitas pelo Fundo Monetário Internacional em outubro aquando da sua assembleia geral. Então, na apresentação do Fiscal Monitor, Vítor Gaspar, o ex-ministro das Finanças português responsável pela coordenação daquele documento, explicou desenvolvidamente os benefícios do investimento público na resposta à atual crise.

Lagarde sublinhou no Parlamento que o investimento público no atual contexto terá efeitos positivos de longo prazo e revelará um efeito multiplicador mais elevado. Mas acrescentou que o investimento público deverá associar-se à implementação de "refomas". Por reformas, neste caso, refere-se à conformidade do investimento público com os grandes objetivos da União Europeia de transição digital e ambiental.

A presidente do BCE respondeu ainda a alguns deputados críticos da bondade do investimento público na atual conjuntura que "as entidades públicas são a única fonte de certeza" num quadro global de "incerteza". "O investimento público em tempos de grande incerteza incentiva o investimento privado. Do ponto de vista macroeconómico é perfeitamente justificado. O investimento por parte das empresas está dominado pela hesitação e os consumidores estão prudentes", conclui Lagarde, depois de um 'diálogo' virtual com o Parlamento que durou duas horas.

A resposta pública é tanto mais urgente quanto, nas previsões do BCE, a retoma económica iniciada no terceiro trimestre perdeu gás nesta parte final do ano. O BCE só divulga as novas previsões económicas na próxima reunião de 10 de dezembro, mas Lagarde está pessimista. A segunda vaga da pandemia vai ter um impacto negativo em particular no sector dos serviços da zona euro no quarto trimestre, disse a presidente do BCE nesta audiência no Parlamento. Acrescentou que, em termos de inflação, o BCE prevê que ela continuará "em terreno negativo pelo menos até ao início de 2021".