Economia

Dona da TVI deixa opinião sobre OPA da Cofina para futuro mas diz-se “consciente” do seu valor

13 agosto 2020 11:45

foto tiago miranda

Presidente executivo envia mensagem a trabalhadores, mencionando que, com a atual estrutura acionista, há uma "clara estratégia" em curso

13 agosto 2020 11:45

A Media Capital deixou para os próximos dias a opinião sobre a oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela Cofina. O presidente executivo da dona da TVI diz, no entanto, que “está consciente do valor” do grupo e afirma que há uma “clara estratégia” a seguir.

“O conselho de administração da sociedade Grupo Media Capital está consciente do valor deste grupo de empresas e negócios que o compõem, suportado por um histórico de liderança, num desempenho resiliente perante um contexto de pandemia muito desafiante, nos evidentes sinais de recuperação que vimos registando e na prossecução de uma clara estratégia e de um plano de negócios que recentemente fomos aprovados”, diz Manuel Alves Monteiro, numa mensagem enviada aos trabalhadores, a que o Expresso teve acesso.

O presidente executivo da Media Capital enviou a mensagem depois de a Cofina anunciar que vai lançar uma oferta sobre 100% da empresa, num negócio que avalia a empresa em 130 milhões de euros (quase metade face ao valor inicial, em setembro do ano passado).

Na mensagem enviada por correio eletrónico, Alves Monteiro não se pronuncia sobre o que está a ser proposto pela dona do Correio da Manhã: “Os novos termos desta operação serão analisados e o conselho de administração terá oportunidade de emitir um relatório com a sua posição sobre a operação e os termos que a regem”.

A administração da Media Capital terá oito dias para dar a sua opinião sobre a oportunidade e as condições da oferta depois de receber o projeto de prospeto da operação. Ainda não há prazo para a entrega dessas novas versões por parte da Cofina.

Manuel Alves Monteiro, que subiu a presidente executivo da Media Capital recentemente (já depois do seu colega de administração na Mystic Invest, Mário Ferreira, ter adquirido 30% do capital da empresa), afirma que a tomada de posição “orientar-se-á pela defesa dos interesses dos stakeholders da empresa e, em particular, os dos seus colaboradores e acionistas”. A Prisa é dona de 65% e Mário Ferreira de 30%, com os restantes 5% nas mãos de pequenos acionistas.

"A mudança começou": É assim que termina a mensagem ao pessoal, uma expressão que tem vindo a ser usada pela alta direção para a nova fase de vida da empresa, com as mudanças de direção que têm vindo a ocorrer (e que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social está a investigar se se devem a um eventual poder de Mário Ferreira, para o qual não foi autorizado).

Auditor decide se OPA é sobre 5% ou 100%

Esta oferta da Cofina parte de um despojo da compra falhada iniciada no ano passado que ficou por resolver. Tendo a possibilidade de lançar uma OPA sobre 5%, a Cofina aproveitou para lançar uma nova oferta sobre 100% do capital da Media Capital. Propõe-se pagar 35 milhões de euros, num negócio que avalia a empresa em 130 milhões de euros (quase metade do que valia há um ano).

Um auditor independente, a ser escolhido pela Ordem dos Revisores Oficiais de Contas, vai determinar se o preço oferecido é efetivamente justo. Se for mais alto, a Cofina só irá lançar a OPA sobre 5% do capital e não sobre 100%.

Administração anterior achava estratégia da Cofina "positiva"

Na pronúncia feita sobre a OPA (antes desta última modificação), a administração da Media Capital – quando Luís Cabral era o presidente, antecedendo a Manuel Alves Monteiro – tinha dito que a estratégia apresentada pela Cofina era “positiva”, “na medida em que prevê designadamente potenciar o investimento na expansão digital, o lançamento de serviços inovadores e a promoção e desenvolvimento de conteúdos produzidos em Portugal, mantendo-se como um ativo com identidade portuguesa”.

Além da OPA da Cofina, está em cima da mesa a possibilidade de Mário Ferreira, atual acionista da Media Capital com 30%, ter de vir a lançar uma OPA concorrente, já que tem um acordo parassocial com a Prisa com base no qual podem tomar decisões relevantes sobre a empresa. Essa possibilidade está a ser analisada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Não há menção na mensagem a esta possibilidade.