Economia

Tomás Correia recorre de condenação e permanecerá à frente do Montepio

22 fevereiro 2019 13:37

Não há qualquer inibição da atividade, defende a assessoria de imprensa de Tomás Correia, que recusa que se trata de uma condenação, mas sim uma decisão em processo contraordenacional

22 fevereiro 2019 13:37

António Tomás Correia vai recorrer da condenação do Banco de Portugal, recusando, aliás, que seja uma condenação. A informação foi dada pela assessoria de imprensa do líder do Montepio Geral ao Expresso, que acrescenta que o antigo banqueiro irá continuar em funções à frente da associação mutualista.

“Não é uma condenação. É uma contraordenação”. Esta é a posição oficial da assessoria de Tomás Correia em relação ao processo contraordenacional do Banco de Portugal, concluído com a imputação de sete ilícitos ao antigo banqueiro. Está condenado a pagar 1,25 milhões de euros.

Só que haverá recurso deste processo administrativo feito pelo Banco de Portugal para o Tribunal de Concorrência, Regulação e Supervisão, em Santarém.

A assessoria de imprensa refere que o processo diz respeito à concessão de crédito entre empresas do grupo, que passaram o limite máximo legal.

Mas o Expresso sabe que há outras irregularidades detetadas pelo supervisor: não implementação de um sistema de controlo interno, concessão de crédito a empresas em que os administradores eram gestores, aprovação de créditos sem a maioria de administrações adequada e sem o aval do órgão de fiscalização, falta de constituição de provisões e, por fim, a ausência de mecanismos que permitissem descobrir a origem dos fundos usados na subscrição de unidades de participação do Montepio (em que Paulo Guilherme foi um dos principais subscritores).

O Expresso tinha questionado a assessoria de imprensa esta quinta-feira, mas só recebeu uma confirmação da posição de Tomás Correia já depois de outros órgãos de comunicação social terem avançado com a notícia do recurso.

Oposição quer saída, Tomás Correia continua

Para a assessoria de imprensa de Tomás Correia, esta decisão “não inibe a prática da atividade”. Tomás Correia permanecerá à frente da maior associação mutualista do país, onde estão concentradas as poupanças de 600 mil associados, cargo que ocupa desde 2008.

Os opositores de Tomás Correia nas últimas eleições, em dezembro, Fernando Ribeiro Mendes e António Godinho consideraram, em declarações ao Expresso, que este não tem condições para estar à frente da associação. Ribeiro Mendes diz que já não tinha condições, e que agora, com uma condenação do Banco de Portugal, muito menos. Já Godinho defende que eleições são a “única forma” de repor a legitimidade da liderança da mutualista.