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Cinema

Festival de Cannes começa sob a ameaça de uma crise política

Maiween e Johnny Depp são Jeanne du Barry e Rei Luís XV de França no filme de abertura, esta noite, do Festival de Cannes
Maiween e Johnny Depp são Jeanne du Barry e Rei Luís XV de França no filme de abertura, esta noite, do Festival de Cannes
stephanie branchu

“Jeanne du Barry”, filme de (e com) Maïween sobre a última amante de Luís XV, inaugura o evento esta terça-feira, fora de concurso. A cineasta interpreta a personagem principal. O monarca francês é uma encarnação de Johnny Depp, de regresso ao grande ecrã após o controverso processo que o opôs à ex-mulher, Amber Heard. Que mais podia pedir o festival para estar na ordem do dia?

Cannes é o evento cultural de maior cobertura mediática do planeta, é tanta coisa ao mesmo tempo e, se as presentes lutas laborais em França a isso o levarem, pode até ser o maior dos festivais de cinema que nem chegou a existir. Há ameaças de paralisia na Croisette que também ameaçam estender-se ao Grande Prémio de F1 do Mónaco. A 76ª edição, que começa esta terça-feira, avança em “terreno minado e pode ser perturbada”, escreve hoje o diário Libération. Cortes de energia poderiam deixar o festival à mercê de um apagão. Tudo por causa da luta contra a reforma das pensões implementada pelo Presidente Macron. Virá daí tempestade (à cautela, o município de Cannes proibiu qualquer sinal de manifestação no perímetro do festival) ou só a previsão de chuva do boletim meteorológico? O festival já tem o seu ícone – Catherine Deneuve está no poster. E vai homenagear Michael Douglas com uma Palma de Ouro honorária.

No que aos filmes diz respeito, e numa altura em que muita gente se pergunta se o cinema vai conseguir continuar a fazer parte das nossas vidas, Cannes sempre foi um agente aglutinador, um “bom casamenteiro”, alimentando a utopia de nos dar o melhor de dois mundos. Cannes é o festival que, ao longo de quase duas semanas, quer ser capaz de conciliar o novo “Indiana Jones” da Lucasfilm (o filme de James Mangold chegará às salas no final de Junho), a nova aventura de Scorsese com o ecrã pequeno do streaming no horizonte (“Killers of the Flower Moon”, com De Niro e DiCaprio), com o tão esperado novo passo de um cineasta tão especial e 'raro' como o basco Víctor Erice (“Cerrar los Ojos” é apenas a sua quarta longa-metragem em 50 anos; a questão é que, quem viu as três anteriores, nunca mais as esqueceu... e isso não tem preço) e também o “trailer de um filme que nunca existirá”, assim está a ser apresentado aquele que será, supostamente, o último (ou um dos últimos) e póstumo trabalho de Jean-Luc Godard, “Drôles de guerres”.

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