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Live Nation, gigante do entretenimento, assume controlo da Altice Arena e adquire a promotora Ritmos e Blues

Live Nation, gigante do entretenimento, assume controlo da Altice Arena e adquire a promotora Ritmos e Blues
Rita Carmo

A maior promotora de espetáculos do mundo assume posição de destaque em Portugal. A maior sala do país, a Altice Arena, em Lisboa, terá agora como maior acionista a Live Nation Entertainment, empresa que também chegou a acordo com a Ritmos e Blues para adquirir uma posição de controlo da promotora nacional

A empresa norte-americana Live Nation Entertainment, a maior empresa de entretenimento e espetáculos do mundo, comprou uma posição de controlo na promotora portuguesa Ritmos e Blues e na empresa Arena Atlântico, gestora da Altice Arena, em Lisboa.

Num aviso publicado esta quinta-feira pela Autoridade da Concorrência, faz-se saber que esta foi notificada da operação de concentração de empresas no dia 19 de abril que consiste na compra pela Live Nation de “uma participação de controlo indireto” sobre a Ritmos e Blues, promotora de Nuno Braamcamp e Álvaro Ramos, e a Arena Atlântico, detida pela Ritmos e Blues, Luís Montez, da promotora Música no Coração, e Jorge Vinha da Silva, consórcio também responsável pela Blueticket, empresa de bilhética. Quaisquer observações sobre o negócio têm agora 10 dias para ser comunicadas à Autoridade da Concorrência.

Altice Arena
Altice Arena

Em 2012, aquando da venda pelo Estado do então Pavilhão Atlântico, o promotor Nuno Bramcaamp, da Ritmos e Blues, tinha dito que a Live Nation – a maior promotora do mundo – estaria a "pensar no assunto e a decidir se vale a pena investir", adiantando que o negócio envolveria um "valor razoável" e que o investimento envolveria "uns milhões largos". Na altura, a Ritmos e Blues tinha assinado um acordo que lhe permitia ser a promotora em Portugal dos espetáculos da Live Nation. Resultam desta parceria, entre outros espetáculos, os concertos de Madonna na Altice Arena, em novembro.

Em junho de 2018, no decorrer da conferência “O futuro da indústria da música”, que teve lugar no âmbito da Rock In Rio Innovation Week, Rafael Lazarini, vice-Presidente para o Desenvolvimento de Negócios da Live Nation na América do Sul, garantia que a maior empresa de espectáculos do mundo se iria instalar em Portugal num futuro próximo. Na mesma ocasião, um debate moderado por Miguel Cadete, diretor da BLITZ, Rafael Lazarini sublinhou que Portugal faz parte do roteiro das maiores digressão, beneficiando igualmente de uma imagem muito positiva no estrangeiro.

A Live Nation Entertainment é a acionista maioritária do Rock in Rio (que se realiza no Brasil e em Portugal), tendo assumido recentemente, no Brasil, o controlo da edição local do festival Lollapalooza. Em Inglaterra, está por trás da organização de festivais como o Leeds/Reading e Download. Fundada em 2010, a empresa resulta da fusão entre a Live Nation, promotora de espetáculos, e a Ticketmaster, gigante da venda de bilhetes de espetáculos. Além destas atividades, também está envolvida na gestão salas de espetáculos (como, agora, a Altice Arena, ou, no Reino Unido, as arenas O2) e a carreira de artistas. Entre as centenas de artistas com quem trabalha encontram-se os U2, Ed Sheeran, Rihanna e Madonna. Esta “concentração de poderes” tem gerado vários episódios de contestação ao longo dos anos.

Em novembro do ano passado, na apresentação de resultados da Live Nation, a mega-empresa de entretenimento que produz a atual digressão de Madonna, as expectativas de crescimento afirmaram-se altas. No terceiro trimestre do ano passado, correspondente aos meses de verão, a Live Nation atingiu valores máximos: organizou 11 mil concertos para 44 milhões de espetadores em 50 países. Conseguiu uma faturação nesse período superior a cinco mil milhões de dólares, 67% mais elevada que a do período homólogo de 2019 (antes da pandemia).

A procura de espetáculos em todos os tipos de recinto – clubes, salas, arenas, estádios e festivais – continua muito elevado, a crescer a um ritmo de dois dígitos. Em mensagem enviada ao mercado nessa ocasião, Michael Rapino, presidente e CEO da Live Nation, anunciava que “esse crescimento iria permitir a aquisição de mais salas de espetáculos para o portefólio” da sua empresa, o que agora se confirma com a tomada de controlo da Altice Arena.

Com Lusa

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