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Depois do ‘falhanço Taylor Swift’, a Live Nation está a ser investigada por suspeitas de monopólio no negócio da música ao vivo

22 novembro 2022 16:22

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Com o falhanço da pré-venda da digressão de Taylor Swift na Ticketmaster, regressou o debate sobre as práticas da empresa-mãe, a Live Nation Entertainment. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos está a investigar um possível caso de monopólio, avança o “New York Times”

22 novembro 2022 16:22

A Live Nation Entertainment, empresa que detém a maior promotora de entretenimento ao vivo do mundo, está a ser investigada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, por suspeita de práticas que configuram monopólio de mercado.

A notícia é avançado pelo “New York Times” depois de a pré-venda dos bilhetes para a digressão de Taylor Swift nos Estados Unidos, por parte da Ticketmaster, plataforma de venda de bilhetes para espetáculos também detida pela Live Nation Entertainment, ter gerado caos, o que levou a venda geral a ser suspensa. Porém, escreve aquele jornal, o início da investigação antecede este caso.

O alvo da investigação é a empresa Live Nation Entertainment, fruto da fusão da promotora de concertos Live Nation e da Ticketmaster, por suspeitas de abuso de poder na indústria da música ao vivo. Nos últimos meses, a secção do Departamento de Justiça que se dedica a investigar casos de monopólio tem questionado os responsáveis de salas de concertos e outros agentes do meio sobre as práticas da Live Nation, tentando perceber se a empresa exerce um monopólio neste meio. Em comunicado publicado no seu site, a Live Nation garante “levar a sério” as leis antimonopólio e não estar adotar esses comportamentos.

Nos últimos dois anos, Joe Biden e o seu Governo têm tentado impedir a criação de novos monopólios, travando a aquisição de algumas empresas por grandes grupos, mas perdendo outros casos. Agora, as atenções estão centradas na Live Nation Entertainment, que resulta de uma fusão aprovada pelo Departamento de Justiça em 2010.


Quando esta empresa de grande envergadura foi criada, através da fusão da Live Nation e da Ticketmaster, os seus responsáveis assinaram um acordo segundo o qual se comprometiam a não prejudicar as salas de espetáculos que quisessem recorrer a outro serviço de bilheteira. Esse acordo era válido até 2020; no final de 2019, a justiça americana sinalizou numerosas violações do mesmo.

Com a polémica em torno da digressão de Taylor Swift, regressou o debate sobre se a empresa tem estrangulado a competição e prejudicado os consumidores. Inicialmente, três milhões e meio de pessoas registaram-se no serviço de pré-venda dos concertos de Taylor Swift; desses, um milhão e meio tinha recebido códigos de acesso, ficando os restantes dois milhões numa lista de espera.

A afluência de compradores levou a aplicação da Ticketmaster a deixar de funcionar, deixando muitos utilizadores com as compras a meio. Devido à confusão, a venda geral de bilhetes viria a ser cancelada, sem nunca ter sido revelado quantos bilhetes foram vendidos ao longo do tumultuoso processo.

No dia em que a venda geral devia ter tido começo, Taylor Swift criticou a Ticketmaster, responsabilizando-os pelo sucedido. “Não vou pedir desculpa pelos outros, porque nós perguntámos-lhes muitas vezes se eles conseguiam dar conta deste tipo de procura, e eles garantiram-nos que sim.”

No último ano antes da pandemia, 2019, a Live Nation organizou 40 mil eventos em todo o mundo, vendendo 485 milhões de bilhetes. À empresa cabe também o agenciamento de largas centenas de artistas.