Blitz

Os melhores de 2022: A dor que conforta de Angel Olsen

24 dezembro 2022 13:20

Angel Olsen

Na reta final de 2022, recordamos os melhores álbuns internacionais do ano para a equipa da BLITZ. Em quinto lugar está “Big Time”, de uma Angel Olsen a refletir sobre várias experiências dolorosas

24 dezembro 2022 13:20

Angel Olsen entrou numa máquina do tempo, viajou até à Los Angeles pré-psicadélica e arranjou maneira de ir para estúdio com membros da notória Wrecking Crew, como o baterista Hal Baine, a baixista Carol Kaye ou o teclista Larry Knetchel, gente que deu a gravações de Nancy Sinatra, Glen Campbell ou até Beach Boys uma inefável elegância e uma distinta classe, plenas de brilho técnico cromado e de inventiva e colorida musicalidade. Foi de um estúdio algures no Laurel Canyon que, depois, a cantora de “My Woman” e “All Mirrors” regressou ao presente, carregando as fitas contendo a música de que se faz o novíssimo “Big Time”, um triunfal arco de canções sobre a perda e o desamor, sobre o desalento, mas também a esperança e a doçura. Nada disto aconteceu, claro, mas só porque as leis da física ainda não o permitem. Já o pensamento, esse ninguém o trava, e este novo álbum da cantora nascida em St. Louis, no Missouri, o sexto da sua carreira, parece guiado por essa matéria diáfana que se solta dos sonhos e que inclusivamente a inspiraram a criar, juntamente com Kimberly Stuckwisch, um filme que traduz em imagens o complexo lastro emocional do novo álbum.