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Phoebe Bridgers no NOS Alive: o que é que aconteceu aqui?

10 julho 2022 1:00

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

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Phoebe Bridgers no NOS Alive 2022
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Phoebe Bridgers no NOS Alive 2022

rita carmo

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Phoebe Bridgers no NOS Alive 2022
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Phoebe Bridgers no NOS Alive 2022
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Phoebe Bridgers no NOS Alive 2022
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Phoebe Bridgers no NOS Alive 2022

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Phoebe Bridgers no NOS Alive 2022
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Phoebe Bridgers no NOS Alive 2022
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Phoebe Bridgers no NOS Alive 2022

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Phoebe Bridgers no NOS Alive 2022
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Phoebe Bridgers no NOS Alive 2022

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Na estreia em Portugal, Phoebe Bridgers foi recebida com gritos de pura excitação por uma plateia de super-fãs. Ela sorria, ela respirava, ela existia e estava entre nós: tudo era motivo para um êxtase constante

10 julho 2022 1:00

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

Quando lançou o primeiro álbum, "Stranger in the Alps", em 2017, nada faria crer que Phoebe Bridgers, cantora-compositora nascida na Califórnia em agosto de 1994, se transformasse num ídolo das plateias mais jovens. Escrevemos "ídolo" com toda a conotação de adulação e loucura a que, nesta noite de sábado, assistimos no palco Heineken. Naquele disco de estreia, a norte-americana apresentava os seus trunfos: canções de um intimismo quase transparente, com alguns padroeiros do indie yankee (Elliott Smith, Conor Oberst, Mark Kozelek) a orientar a sua jornada. Ao segundo disco - "Punisher", lançado em 2020 - as referências não mudaram dramaticamente, acetuando-se porventura a faceta onírica, às vezes sinistra, de uma artista que encontra inspiração em podcasts de "true crime" e envergou em palco, meses a fio, um fatinho de esqueleto. O que mudou foi o alcance das suas canções e a sua popularidade junto dos mais jovens; na estreia em Portugal, Phoebe Bridgers foi recebida com gritos da mais pura excitação, como se de uma Billie Eilish (mais) indie se tratasse. Ela sorria, ela respirava, ela existia e estava entre nós: tudo era motivo para um êxtase constante, isto à mesma hora que os Da Weasel brilhavam no palco principal.

Num palco lindíssimo, sobre o qual desabrochavam cenários a acompanhar as facetas ora bucólicas, ora lunares da sua música, Phoebe Bridgers e a sua banda (de fatinho de esqueleto) jogaram, logo à entrada, um trunfo: 'Motion Sickness', a primeira canção da cantautora a conhecer o mundo, cantada de imediato em coro por uma tenda em delírio. Rapidamente viríamos a perceber, porém, que para estes fãs todas as canções são "aquela". Do álbum mais recente, 'Garden Song' ou 'Kyoto' - uma bela canção, um belo refrão, todo um ambiente nomeado para um Grammy - puseram os admiradores de Phoebe Bridgers em polvorosa. "Esta é para os pais", disse ela antes de 'Kyoto', que além da nomeação para um Grammy lhe valeu uma semi-reconciliação com o pai, que terá assinalado o momento dizendo à filha que ela "não tinha de quê" pela inspiração do tema.

Ativista por numerosas causas, Phoebe Bridgers aludiu apenas, esta noite, à culpa mesclada de alívio (ou vice-versa) que sente por estar longe de casa quando "a América está tão merdosa". Apostando em momentos mais solitários, em que à sua voz & guitarra se juntam apenas alguns apontamentos no trompete, em canções como 'Chinese Satellite', esta estrela de sábado à noite poderia ter feito qualquer coisa em palco que os seus acólitos - que, nas primeiras filas, chegavam a chegar de emoção - provavelmente reagiriam com o mesmo amor. Mas, com aquela postura blasé tão popular entre os mais jovens, e com uma voz doce que pouco tem a ver com o timbre grave de quando fala, soube dominar as emoções e equilibrar o alinhamento até ao fim.

Os amorosos pormenores cénicos em 'Moon Song', a delicadeza de 'Scott Street', canção durante a qual desceu ao público, ou o facto de ter interrompido 'ICU' para ver se havia algum problema na plateia - tudo e mais alguma coisa contribuiu para o êxito de uma estreia que, antes de o ser, já era um fenómeno.

Para a despedida, houve uma pequena rubrica de "discos pedidos", com 'Me & My Dog', do super grupo que tem com Lucy Dacus e Julien Baker, e o bonito apocalipse de "I Know The End", com o palco "em fogo", gritos de libertação & catarse e a súmula de obsessões de Phoebe Bridgers - a morbidez fofinha entre elas - a deixar uma forte impressão naquilo a que a artista chamou "um grande primeiro concerto" em Portugal.