Blitz

E voltaram mesmo. Da Weasel tomaram o NOS Alive de assalto, um arrepio de cada vez

10 julho 2022 0:37

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

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Da Weasel no NOS Alive 2022
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À tarefa praticamente impossível de recapitular a história de uma vida (de muitas vidas) em hora e meia de concerto, os Da Weasel responderam com um concerto explosivo, suado e direto ao coração. E para cada fã da velha guarda, estiveram em peso esta noite em Algés, continuam a surgir um e mais um e mais outro que prometem levá-los até à eternidade

10 julho 2022 0:37

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

Tal como reconheceram, já bem perto do final da atuação, os Da Weasel subiram ao palco deste último dia de NOS Alive, para o concerto que os trouxe de volta ao fim de 12 anos, com a “responsabilidade acrescida” de não desiludir os filhos, que, em grande parte, estavam a vê-los pela primeira vez reunidos em palco. “Quando chegarmos a casa, as falhas vão ser todas revistas”, assumiu Virgul. Esse não será, certamente, um problema que encontre eco nas dezenas de milhares de fãs que, durante hora e meia, entoaram cada canção a plenos pulmões, visivelmente deleitados com uma viagem pela memória que não só parou em todos os momentos obrigatórios como estendeu a mão àqueles admiradores da velha guarda que não ficariam completamente convencidos “só” com um concerto em jeito de “grandes êxitos”. E até estávamos rodeados deles, mas não deixa de ser impressionante ver como as grandes canções dos Da Weasel sobreviveram ao passar do tempo e foram ganhando tração entre toda uma nova geração.

E não, não foi apenas uma viagem pela memória coletiva patrocinada por Carlão, João Nobre, Pedro Quaresma, Virgul, Guilherme Silva e DJ Glue. Ficou bem visível nas caras de cada uma das pessoas que ainda tinham na ponta da língua todas as palavras de uma dengosa ‘Dúia’, uma explosiva ‘Outro Nível’ ou a primordial ‘God Bless Johnny’, só por si bem representativas do amplo alcance das ecléticas ambições do grupo, que aquelas canções as transportavam de volta a momentos felizes das suas vidas. Foi muito bonito ver os sorrisos. Como é que se começa um concerto histórico? Abrindo a ‘Loja’, claro, "a canção do carocho" que não só comprovou que a dinâmica entre Virgul e Carlão (ou será que devemos voltar a tratá-lo, respeitosamente, por senhor Pacman?) se mantém bem oleada como fez a devida vénia ao multiplatinado “Re-Definições”, o álbum da explosão popular. O que se seguiu foi um corre-corre entre os clássicos que toda a gente precisava de ouvir e revisitações de momentos menos óbvios. Se ficou alguma coisa importante de fora? Terá ficado, certamente, mas isso agora já não interessa.

Depois de ‘A Essência – Vem Sentir’ e ‘Força (Uma Página de História)’ manterem o ritmo certo, ‘Dúia’, com o seu menear reggae recuperado ao longínquo 1997 de “3º Capiitulo”, arrancou das 55 mil almas (ou quase isso) que estavam ali para os ver a primeira grande reação da noite. “Boa noite, Alive. Obrigado! Custou, mas foi”, agradeceu a banda. Para eles, foram três anos de espera, para quem ao longo de uma década alimentou o sonho de vê-los novamente em palco foi muito mais. A intensidade de ‘Jay’ e ‘Carrossel (Às Vezes Dá-me Para Isto)’ foi o aperitivo perfeito para um dos momentos mais aguardados, e celebrados, da noite: ‘Dialectos de Ternura’, o último grande sucesso do grupo antes da separação, foi correspondido em êxtase, mas do derradeiro álbum, “Amor, Escárnio e Maldizer”, ainda sairiam outras preciosidades, como o bem-dançado ‘Toque-Toque’ (momento em que Carlão desceu à plateia e pegou numa das filhas ao colo) ou o grito de ‘Bora Lá Fazer a P*** da Revolução’.

Foram muitos os momentos de arrepiar. Um deles, claro, chegou com ‘Casa (Vem Fazer de Conta)’, em dueto virtual com Manel Cruz, dos Ornatos Violeta, que apesar de esta noite também subir ao palco no festival de Algés só marcou presença em vídeo. O crescendo de ‘Mundos Mudos’ e o baixo gigante de ‘Niggaz’ não deram descanso à multidão, que saltaria direta para ‘Outro Nível’ sentindo o “puro flow”, sem resistências. Depois de as rimas de ‘Pedaço de Arte’, tão frescas em 1997 como em 2022, escorrerem da língua de Carlão como se tivessem sido escritas ontem, chega o momento em que a banda exclama “no final é para dar tudo”. O que se seguiu foi um desfilar de balas diretas ao coração, uma a seguir à outra.

‘Re-Tratamento’, como se fosse necessária a reconfirmação, cimentou em pedra o seu estatuto de hino maior dos Da Weasel; ‘Todagente’, a canção que colocou bem à vista de todos o talento inegável de escrita do letrista de serviço, deixou-os a eles sem palavras e ao público sem voz; umas aguerridas ‘Adivinha Quem Voltou’ e ‘God Bless Johnny’ atiraram-nos para tempos ainda mais longínquos, deixando-lhes um brilhozinho adolescente nos olhos; e ‘Tás Na Boa’, provavelmente a mais musculada de todas as canções dos Da Weasel, encerrou em modo explosão. Com o abraço e a vénia finais a serem servidas com a sensibilidade de ‘A Palavra’, em recordação do pianista Bernardo Sassetti, ficou no ar a sensação de que esta não foi a última vez. Se as doninhas voltaram para ficar? Preferimos não tentar adivinhar. Mas que teriam um país inteiro a aplaudi-los se o fizessem, disso não temos dúvidas.

‘Loja (Canção do Carocho)’
‘A Essência – Vem Sentir’
‘Força (Uma Página de História)’
‘Dúia’
‘Jay’
‘Carrossel (Às Vezes Dá-me Para Isto)’
‘Dialectos da Ternura’
‘Bomboca (Morde a Bala)’
‘GTA’
‘Casa (Vem Fazer de Conta)’
‘Mundos Mudos’
‘Niggaz’
‘Outro Nível’
‘Pedaço de Arte’
‘Re-Tratamento’
‘Bora Lá Fazer a P*** da Revolução’
‘Todagente’
‘Toque-Toque’
‘Adivinha Quem Voltou’
‘God Bless Johnny’
‘Tás na Boa’
‘A Palavra – Tema para Sassetti’